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Nem todo funcionário público ganha bem

Economia em cinco minutos|Richard Rytenband

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O relatório "Um ajuste justo: Análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil", lançado pelo Banco Mundial em 21 de novembro concluiu que o governo brasileiro gasta mais do que arrecada e aloca seus recursos de maneira pouco eficiente. O estudo ainda fez uma série de propostas que tornariam os gastos mais eficientes e justos em diversas áreas como previdência, saúde, educação, assistência social e funcionalismo público.

O economista-chefe do Banco Mundial para o Brasil e principal autor do relatório, Antônio Nucifora, apontou como um dos principais responsáveis para o atual desequilíbrio fiscal o sistema previdenciário e os salários dos servidores públicos excessivamente elevados.


Em relação ao funcionalismo público, o relatório constatou que os altos níveis de gastos são impulsionados pelos altos salários dos servidores públicos, e não pelo número excessivo de servidores. E isso se verifica principalmente na esfera federal, onde os salários são significativamente mais altos que aqueles pagos a servidores estaduais, municipais e trabalhadores do setor privado.

Mas, então é necessariamente verdade que todos que trabalham para o setor público recebem salários acima do setor privado?


Não! Por isso é importante conhecer os dados mais detalhados, antes de qualquer generalização e caça às bruxas como temos visto nas redes sociais.

O estudo "A Evolução do Diferencial Salarial Público-Privado no Brasil", dos economistas Gabriel Nemer Tenoury e Naercio Aquino Menezes Filho, do Insper, apresenta dados para a esfera municipal, estadual e federal e já considera as diferenças de escolaridade, experiência e posição de funcionários públicos e trabalhadores do setor privado.


Da amostra foram excluídos todos os trabalhadores agrícolas, militares e membros das forças armadas, bem como aqueles com ocupações mal definidas, sem declaração de renda, experiência, horas trabalhadas, anos de estudo e etnia.

Os resultados mostram que, em 2015, os servidores federais tinham uma vantagem salarial em relação ao setor privado de 93,4%, enquanto os estaduais, de 27,9%, e os municipais uma desvantagem de 2,46%! Isso mesmo, a maior parte dos servidores públicos do país, os municipais (6,5 milhões de servidores) tinham uma desvantagem em relação ao setor privado e que já foi bem maior, como demonstra o gráfico elaborado pelo Instituto Mercado Popular com os dados do estudo.

Os privilégios e desperdícios devem ser sim combatidos, mas para isso primeiro precisamos saber exatamente onde eles estão e evitar generalizações.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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