Belo (será?) Horizonte         

Administração da capital enfrenta desafios na educação, saúde, mobilidade e segurança; Após eleições, BH teve o prefeito reeleito e câmara renovada

Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de BH

Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de BH

Lúcia Sebe / Divulgação Governo de Minas

Agora que 15 de novembro passou, e não seremos acusados de campanha política, agora que 12 de dezembro ficou para trás, sopramos velinhas e juramos amor a Belo Horizonte, vamos falar a verdade? A nave mãe de todos os mineiros está precisando de um banho, de reformas, de afeto e respeito. Primeiro, deixa dizer que não é crítica exclusiva ao prefeito Kalil, cuja reeleição exige respeito.

Mas, vamos a algumas reflexões, começando pelo visual. O que a cidade tem de beleza natural está ofuscado por tanta sujeira, tanta barraca armada, nessa profusão de gente em situação de rua que inclui miseráveis, usuários de drogas e ladrões. É uma desordem insana, a gente fica com medo de ir e vir e os bombeiros não ficam uma semana sem tirar um deles de dentro do Arrudas, ou porque caiu, porque pulou e foi jogado. Neste mesmo ribeirão, símbolo da cidade, tem cachorro e outros bichos morrendo desesperados, além de sofás, cocô, tudo o que o povo consegue jogar.

Uma boa saída para retirar os que sofrem e nos fazem sofrer nas ruas seria a construção de habitação, mas, cadê o programa? O Vila Viva, essa benção de política pública, se estivesse mais acelerado diminuiria as áreas de risco e ofereceria mais moradia vertical, mas... Paralelamente à nossa inação estamos deixando ocuparem áreas inacreditáveis como as margens do Anel Rodoviário.

Anel? Triste lembrança. Existe alguma vergonha maior para nós, de BH, que esse palco da morte? Só o metrô! Não, metrô não, o nosso trem metropolitano que não chega ao Barreiro, não passa de Venda Nova. Mas, se pelo menos tivéssemos movimentos com outros modais, quem sabe um monotrilho na Pedro II, na Catalão, até o Mineirão, quem sabe? Não temos sequer discussões. E as ciclovias, importantes no mundo inteiro. Aqui dizem que a topografia da cidade não ajuda... Fingem ignorar que existe alternativas mecânicas nas bikes.

Por falar em topografia, a gente morria na Vila São Jorge, no Morro das Pedras, agora morre dentro do carro na Prudente de Morais, na Vilarinho... Projetos? Estão fazendo.

Educação? Ao contrário do Estado que, apesar de todas as dificuldades dessa grandeza de 853 municípios, Belo Horizonte trancou as escolas há quase um ano e não fez o menor esforço para ensino a distância ou discussão profunda de volta às salas. Ah, tem notícia ruim, as notas dos alunos da rede no IDEB caíram. Tristeza.

Saúde? Temos dezenas de milhares de pessoas esperando cirurgias que vão melhorar seu viver, mas, como não são urgentes, foram esquecidas na pandemia. Sofrimento.

Até um projeto eficaz de substituição de árvores está esperando.

Bora juntar forças e mudar? Aproveitar uma Câmara renovada? Agora, se os governantes não lideraram, não tem jeito. Viram as duas entrevistas dos prefeitos eleitos de BH e do Rio? O de lá, Eduardo Paes, ligou na hora para o presidente da República e o governador em exercício com o famoso Jargão: “Não me abandonem”. O daqui foi para a Roda Viva e disse que o Zema é fraco e o Bolsonaro não lidera.

Eu até queria ficar animado, mas...

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