Ditados e (ou) provérbios

Sempre confundo os dois; descubro no Google que provérbios são poéticos e podem ser traduzidos em diversos idiomas

“Quem tem boca vai a Roma” vem de outra expressão

“Quem tem boca vai a Roma” vem de outra expressão

Pixabay/Reprodução

Com a pandemia, todos nós alteramos (ou tivemos de alterar) parte de nossa rotina e substituir com frequência o que dá prazer pelo necessário. Como o Natal está logo ali, começo a planejar o foco para 2022... Afinal, sem fé, família e foco, não vamos a parte alguma. Um dos meus desejos para o ano novo é estudar mais sobre oralidade, isto é, o falar da língua, com seus mistérios, seus encantos, suas revelações.

Seguramente, vou dedicar bom tempo aos provérbios e ditados. Na verdade, sempre fiz confusão e me perguntei se os dois são ou não a mesma coisa. Descubro no Google que provérbios são poéticos e podem ser traduzidos em diversos idiomas, por isso são ditos em diferentes países. Quase sempre consegue-se identificar o autor do provérbio. Quando este começa a ser muito repetido passa a ser considerado um ditado popular. Os ditados possuem, na maioria das vezes, expressões regionais.

O que importa é o fascínio que as expressões repetidas à exaustão exercem sobre os que trabalham no rádio, mais ainda os que – como eu – optam pela linguagem coloquial, simples e de aproximação para interagir com o público.

Recentemente, descobri que a expressão “quem tem boca vai a Roma” na verdade deriva de outra, “quem tem boca vaia Roma”, dada a revolta dos pobres e escravos com o imperador Cesar. Aí está o charme da oralidade, com o passar do tempo e, dependendo da região, o ditado sofre alterações. Outro que veio da Itália: “O menino é cuspido e escarrado o pai”; fiquei sabendo agora que, no começo, era “esculpido em carrara”, o mármore. O famoso “quem não tem cão caça com gato” não sugere substituir os animais, mas, sim, se não tem um cão bravo e rápido, o jeito é ir como o felino, de forma astuta, sorrateira.

Os provérbios são mundiais. Famosos na China, na Índia, no Japão. Os ditados são mais regionais. Eu já ouvi minha mãe e outras pessoas da geração dela dizendo frases do tipo “arreda prá lá, para com bobiça e num caça confusão”. Ou, “num fez mais que obrigação, senão ia pro beleléu”.

Alguém dúvida que os filhos aprendem com exemplos, portanto, filho de peixe peixinho é, ou, que o sucesso é resultado de trabalho e, portanto, água mole pedra dura tanto bate até que fura?

No mais, abraço e tomara Deus que você nunca se perca a ponto de perguntar: “Oncotô, quemkosô e proncovô”.

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