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Festejar ou chorar?

Fico constrangido com o noticiário maciço sobre as Olimpíadas; o que dói é chegar ao 4º dia comemorando com 3 medalhas

Eduardo Costa|Do R7

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Até esta segunda-feira (26), o Brasil conquistou três medalhas
Até esta segunda-feira (26), o Brasil conquistou três medalhas

De quatro em quatro anos fico constrangido com o noticiário maciço sobre as Olimpíadas. Emociono-me quando o judoca lembra-se da mãe depois da vitória e peço aos céus que proteja nossa menininha de 13 anos, rainha do skate. Mas, de verdade, fico me perguntando onde os colegas que transmitem buscam tanta emoção para narrar alguns dos feitos de nossos atletas.

Não que um nadador ficar em décimo lugar seja motivo de vergonha para ele ou tristeza para nós. Aliás, fique bem claro que todos os brasileiros que conseguiram índice para estar em Tóquio já merecem homenagens; é para poucos.


O que dói é um país desse tamanho, com 200 milhões de habitantes, chegar ao quarto dia comemorando duas medalhas de prata e uma de bronze. É muito pouco. É o atestado de inversão de prioridades. A gente quer gastar R$2 bilhões para ter uma cédula de papel junto com a urna eletrônica; a gente tem um Congresso querendo gastar R$6 bilhões com fundo eleitoral, a gente tem dinheiro para tudo, menos para um programa sério de formação de atletas.

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Não sei porque não enchemos os quarteis de jovens pobres e talentosos. Não sei porque as prefeituras não combinam com os governos do Estado para reunir crianças pobres em quadras de periferia, fazendo as chamadas peneiras, que revelam talentos, para garantir-lhes estudo, comida e o dinheiro da condução, mínimo para manter acesa a chama do sonho. Por que os clubes de futebol, que pagam fortunas a jogadores de qualidade duvidosa e quase nunca pagam os impostos não são obrigados a formarem escolinhas, contribuírem cada um à sua maneira.


Por que nós, da mídia, só falamos em Olimpíadas de quatro em quatro anos e ainda nos julgamos no direito de criticar aqueles que não têm o desempenho esperado?

Por que somos um país tão avesso ao básico, que é juntar saúde, educação e sociabilidade, nas regiões de alta vulnerabilidade, prevenindo o crime e fazendo nascer campeões em vez de aviãozinho do tráfico?

Por que a nossa cara não queima ao olhar para o quadro de medalhas e verificar que estamos depois do vigésimo?

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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