O drama da evasão escolar

Unicef diz que no mês de novembro o número de alunos afetados pelo fechamento de escolas devido à Covid-19 aumentou 38%

Escolas municipais de Belo Horizonte estão fechadas há mais de um ano

Escolas municipais de Belo Horizonte estão fechadas há mais de um ano

Pixabay/Reprodução

Desde o começo da pandemia tenho dito que não vejo dados concretos para o fechamento das escolas por todo o período em que isso acontece em Belo Horizonte, por exemplo. Claro que sempre com o cuidado de quem não é professor ou infectologista, mas, apenas cidadão que todo dia pensa no aumento do fosso que separa crianças pobres das que têm família abastada, o que constitui a grande injustiça social do Brasil.

Agora, volto ao tema porque o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) diz que só no mês de novembro o número de alunos afetados pelo fechamento de escolas devido à Covid-19 aumentou 38%, colocando mais pressão sobre o aprendizado e bem-estar de alunos em todo o mundo.  Quase um em cada cinco alunos em todo o mundo segue fora da escola. São cerca de 320 milhões de crianças. Somente em novembro, a ausência dos alunos aumentou em quase 90 milhões de casos. Em comunicado, o chefe global de Educação do Unicef, Robert Jenkins, afirmou que “as evidências mostram que as escolas não são os principais motores desta pandemia.” 

Segundo ele, “apesar de tudo que se aprendeu sobre Covid-19, o papel das escolas na transmissão e as medidas que se podem tomar para manter as crianças seguras, está se caminhando na direção errada e muito rapidamente.”. O especialista destacou “uma tendência alarmante dos governos fechando escolas como um primeiro, e não como um último recurso.” Jenkins disse ainda que, em alguns casos, isso está sendo feito em todo o país, ao invés de comunidades individuais, e as crianças continuam a sofrer os impactos. 

Portanto, diz o especialista mundial que, no caso de Belo Horizonte, por exemplo, o fechamento por todo esse tempo é um exagero e faz mal a crianças que ficam sem aprendizado, alimentação e segurança... Afinal, quantos meninos como o garoto Henry, do Rio, foram salvos de seus carrascos pela observação da professora de mudança de comportamento em sala de aula.

O representante da ONU afirma: “Um estudo recente usando dados de 191 países não mostrou associação entre o status escolar e as taxas de infecção por Covid-19 na comunidade’. E, com poucas evidências de que as escolas contribuem para taxas mais altas de transmissão, o Unicef está pedindo que os governos deem prioridade à reabertura dos colégios e tomem todas as medidas para torná-los seguros.

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