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Por que China e Rússia se unem aos EUA para evitar que Irã tenha arma nuclear

Uma arma nuclear em Teerã não interessa a Washington, Moscou ou Pequim

Encurtando Distâncias|Mathias BroteroOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estados Unidos, China e Rússia se unem para impedir que Irã desenvolva armas nucleares.
  • Discussões entre Putin e Xi Jinping enfatizam a preocupação compartilhada sobre o "clube nuclear".
  • Preocupações específicas incluem a possibilidade de Japão, Coreia do Sul e Taiwan buscarem arsenais nucleares.
  • Rússia pode atuar como mediadora ao considerar proposta do Irã para transferir urânio enriquecido, aumentando seu protagonismo internacional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Por que a ameaça de uma bomba atômica em Teerã preocupa três grandes potências? Reprodução/RECORD NEWS/Reuters - Suzanne Plunkett/Pool

Os Estados Unidos têm na China o maior rival comercial e na Rússia o maior rival histórico desde a Guerra Fria. No entanto, há um ponto de convergência entre os três países: nenhum deles tem interesse em que o Irã desenvolva capacidade para fabricar uma bomba atômica.

A situação no Irã foi tema das discussões entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, nesta quarta-feira (20). Em uma declaração conjunta, os dois países acusaram os Estados Unidos e Israel de violarem o direito internacional ao atacarem o Irã.


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Rússia e China são atualmente os principais aliados de Teerã. Mas parecem ter encontrado um limite quando o assunto é a possibilidade de o Irã adquirir uma arma nuclear.

A resistência ocorre por dois motivos. Um deles representa o interesse comum de Moscou, Washington e Pequim: nenhum dos três quer que o “clube nuclear” se amplie.


“Não só por isso representar uma ameaça de armas de destruição em massa em maior quantidade, mas principalmente eles perderem poder de influência”, explicou ao blog o professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit.

De acordo com o professor, a preocupação também é compartilhada pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), uma vez que o Irã burlar o Tratado de Não Proliferação Nuclear pode levar outros países a desrespeitarem o TNP. “Se [o Irã] conseguir fazer isso, é um incentivo para outros países fazerem”.


Interesses específicos

Além de elevar a tensão mundial, Estados Unidos, China e Rússia têm um argumento específico para evitar que Teerã se arme com uma bomba atômica, segundo o professor.

Para a China, a possível capacidade do Irã de produzir uma arma nuclear aumenta a probabilidade de Japão, Coreia do Sul e Taiwan buscarem seus próprios arsenais nucleares.


Para a Rússia, a preocupação é perder a dependência iraniana por armamentos, especialmente em um momento em que a guerra na Ucrânia impõe impactos econômicos significativos a Moscou.

Já para os Estados Unidos, assegurar que o Irã não terá uma arma nuclear representa uma rota de saída para Trump na guerra e uma vitória política importante para o presidente americano.

Mas há outro ingrediente. E é aqui que a Rússia, em busca de maior protagonismo internacional e reconhecimento maior de Pequim, diante do isolamento provocado pela guerra na Ucrânia, pode desempenhar um papel que ajude Washington em outro objetivo: retirar do Irã o estoque de urânio enriquecido.

Rússia: um novo lar para o Urânio do Irã?

Citando a emissora estatal saudita Al Hadath, a agência russa de notícias TASS informou, no início desta semana, que uma proposta iraniana atualizada para encerrar a guerra indicaria que Teerã estaria disposta a transferir o urânio enriquecido para a Rússia, em vez dos Estados Unidos, sob determinadas condições.

A reportagem russa reforça que o Kremlin apoia o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos.

A manobra seria um tanto quanto arriscada, ainda mais considerando a posição da Rússia na guerra que acontece na Ucrânia. Mas, ao mesmo tempo, não é como se os Estados Unidos tivessem um leque de opções para sair da guerra com o Irã. Mesmo assim, os americanos negam a saída.

Em coletiva de imprensa na terça-feira (19), o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que o governo norte-americano não trabalha com a possibilidade de enviar o estoque de urânio do Irã para a Rússia. Ao mesmo tempo, ressaltou que não assumiria compromissos prévios sobre negociações em temas específicos.

“Os iranianos não levantaram essa questão. Minha percepção é que isso não seria bem recebido por eles, e sei que o presidente também não está particularmente entusiasmado com a ideia. Mas veremos”, disse o vice-presidente.

Essa não é a primeira vez que a possibilidade é levantada. Em entrevista à Associated Press, no final de abril, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, confirmou que a agência da ONU discutiu com a Rússia e outros países a retirada do urânio altamente enriquecido do Irã.

O governo chinês e o governo russo foram procurados pelo blog para comentar se o tema foi discutido nas recentes conversas de Xi Jinping com Vladimir Putin e Donald Trump, mas até o momento não houve resposta.

O movimento exigiria uma operação complexa, dependente de acordos políticos delicados. Mas, diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o caminho discutido escancara o protagonismo de quem hoje se consolida como o principal mediador internacional: Xi Jinping.

Resta saber quanto tempo vai durar a paciência de Trump com essa nova chance dada à diplomacia, a pedido de aliados no Oriente Médio, antes de retomar as ameaças de “ataques em larga escala como nunca vistos antes”.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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