Com o diesel a preço de ouro, eficiência operacional deixou de ser opção para virar sobrevivência
Transporte deve ser tratado como uma ciência de dados, e não apenas como um deslocamento
Espaço Prisma|Danilo Tamelini, especial para o R7*
O setor de transporte e logística no Brasil sempre foi um exercício diário de resiliência para quem opera, e o cenário atual de preços dos combustíveis elevou o nível de dificuldade. Mais especificamente o diesel, historicamente uma variável administrável nas planilhas de custos, tornou-se o teste de estresse definitivo para a saúde financeira das operações.
Para quem atua diretamente na esfera das decisões estratégicas, o desafio transcende a logística do dia a dia e escala para a preservação de margem de lucro das corporações e continuidade dos negócios.
No mercado de transporte corporativo e fretamento, em que as pessoas são o principal foco, a alta dos combustíveis atua como uma lente de aumento para ineficiências que, em tempos de bonança, passavam despercebidas.
No momento de resolver o problema, contudo, muitos líderes ainda buscam a solução no lugar errado, focando exclusivamente no repasse de custos ou na negociação agressiva com fornecedores. A verdadeira saída não está em quem paga a conta, mas em como a quilometragem é gerada e otimizada.
Durante décadas, o transporte foi gerido pela força bruta, isto é, uma lógica pautada pelo volume: mais veículos, mais rotas, zero visibilidade e uma aceitação passiva da ociosidade de assentos.
Em um cenário de diesel caro, rodar com “transporte de ar”, como chamamos os veículos com baixa ocupação ou rotas sobrepostas, é um erro que o mercado não perdoa mais.
Quando olhamos para a operação sob a ótica da eficiência extrema, percebemos que o combustível mais barato é aquele que você não precisa queimar. A operação enxuta já não é apenas um conceito de manufatura aplicado ao transporte, e sim uma necessidade matemática. Para isso, a tecnologia deixa de ser um suporte para se tornar o coração da estratégia financeira.
Temos observado que a tecnologia aplicada ao transporte fretado vai além da simples otimização de trajetos. Por meio de algoritmos de roteirização e análise de ocupação em tempo real, conseguimos transformar um emaranhado de rotas analógicas em uma malha logística inteligente.
Isso permite repensar toda a rede e se traduz em dinamismo, reduzindo a quilometragem necessária para atender os mesmos pontos; em uma ocupação inteligente dos veículos, que maximiza o uso de cada assento e diminui o número de unidades em operação; e em visibilidade total da operação, com dados que viabilizem decisões baseadas em fatos, e não em estimativas.
O momento exige um pragmatismo elegante. Não se trata apenas de cortar custos, mas de modernizar a gestão para que ela seja imune à volatilidade externa. Uma operação que roda 15% menos quilômetros para realizar a mesma tarefa já anulou, na prática, um aumento considerável no preço do litro na bomba.
As empresas que prosperarão neste ciclo são aquelas que entenderem que o transporte deve ser tratado como uma ciência de dados, e não apenas como um deslocamento. O diesel pode até continuar caro, mas a sua empresa não precisa pagar também pelo custo da ineficiência.
*Danilo Tamelini é CEO
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