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Reforma tributária deve redefinir margens, preços e competitividade dos supermercados

Mudança exigirá inteligência operacional; informação rápida e gestão deixarão de ser diferencial para se tornar requisito básico

Espaço Prisma|Daniel Los Angeles, especial para o R7*

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Supermercado terão mudanças com nova tributação Edu Garcia/R7 - 19.07.2022

A reforma tributária surge como uma das mudanças mais relevantes para o ambiente de negócios brasileiro nas últimas décadas. Embora o foco inicial esteja na simplificação do sistema de impostos, o impacto prático para o varejo supermercadista vai muito além da esfera fiscal.

Na minha visão, estamos diante de uma transformação estrutural que afetará precificação, gestão financeira, logística, rentabilidade e a relação com o consumidor.


A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo IVA dual, composto pela CBS, em nível federal, e pelo IBS, de estados e municípios, altera a dinâmica operacional de um setor essencial para a economia.

Segundo a Abras, os supermercados movimentam centenas de bilhões de reais por ano, abastecem milhões de lares e têm papel central na geração de empregos e na circulação de renda em todo o país.


Créditos tributários

Uma das mudanças mais positivas é a não cumulatividade plena, que amplia o aproveitamento de créditos tributários ao longo da cadeia.

Na prática, isso reduz ineficiências históricas e tende a trazer mais racionalidade ao sistema. Porém, para capturar esse ganho, será indispensável ter processos integrados, dados confiáveis e controle detalhado das operações financeiras e comerciais. Sem visibilidade sobre cada etapa da jornada de venda, parte desse benefício pode se perder.


Outro ponto que considero decisivo é a tributação no destino. Com o imposto sendo recolhido no local de consumo, redes supermercadistas precisarão revisar estratégias regionais, modelos logísticos e políticas comerciais por praça.

Operações com múltiplas filiais ou presença nacional terão de acompanhar com mais precisão o desempenho de cada unidade, cruzando dados de vendas, custos e comportamento de consumo para decisões mais rápidas e assertivas.

Também veremos impactos diretos no mix de produtos. Itens da cesta básica, alimentos in natura e categorias essenciais tendem a receber tratamento diferenciado, enquanto bebidas alcoólicas, refrigerantes, açucarados e produtos supérfluos podem enfrentar carga maior.


Esse movimento pode estimular a migração para itens mais acessíveis, acelerar marcas próprias e ampliar a busca por promoções. Para o varejo, isso significa acompanhar margens por categoria com muito mais frequência e profundidade.

Esse ponto merece atenção porque supermercados operam, historicamente, com rentabilidade apertada. Pequenas oscilações de custo ou tributação têm efeito imediato no resultado final.

Por isso, acredito que a competitividade estará diretamente ligada à capacidade de simular cenários, ajustar preços com agilidade, renegociar fornecedores e identificar rapidamente onde há perda de eficiência ou oportunidade de ganho.

Inteligência de negócio

Na prática, a preparação passa por frentes claras: revisão do portfólio, reestruturação de pricing, modernização tecnológica, gestão tributária automatizada, fortalecimento de marcas próprias e comunicação transparente com o consumidor. Empresas que transformarem dados transacionais em inteligência de negócio terão vantagem relevante nesse processo.

No longo prazo, a reforma pode entregar um ambiente mais previsível e equilibrado. No curto prazo, porém, vencerá quem conseguir traduzir complexidade em estratégia.

No setor supermercadista, em que cada centavo influencia a decisão de compra, informação rápida e gestão precisa deixarão de ser diferencial para se tornar requisito básico.

*Daniel Los Angeles é executivo de novos negócios e parcerias

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