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Oscar foi ídolo até de seus ídolos

Maior arremessador do basquete brasileiro e um dos melhores do mundo, o Mão Santa era admirado pelas maiores estrelas do esporte

Espaço Prisma|Maurício Noriega, especial para o R7*

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Noriega em encontro com o ídolo Reprodução/Arquivo pessoal

Oscar Schmidt foi tão importante para o basquete mundial que era ídolo até de seus ídolos.

O jogador mais importante do basquete brasileiro deixa um legado de admiração genuína que seduziu até os americanos, naturalmente arrogantes no que se refere ao esporte em que são os melhores do mundo.


Fui testemunha privilegiada dessa relação durante o torneio de basquete dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Foi ano do chamado Time dos Sonhos, que levou para o ambiente olímpico os profissionais do basquete americano, a NBA, pela primeira vez.

Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird, entre outras estrelas. Durante o jogo entre Brasil e Estados Unidos, Larry Bird dava tapinhas nas costas dos principais jogadores brasileiros, Oscar e Marcel, e deixou um bilhete convidando Oscar para uma visita a seu rancho nos Estados Unidos. Bird era o grande ídolo de Oscar.


Durante a partida entre Brasil e Espanha, a sala de imprensa do ginásio do Badalona estava lotada de jornalistas americanos. Quando a bola ia para as mãos de Oscar, eles se juntavam em frente às TVs e gritavam (em inglês, é claro): “Oscar, Oscar, Oscar é meu jogador favorito”.

Tive a felicidade de ver o nascimento do ídolo Oscar, quando ele foi destaque da conquista da Copa William Jones, o Mundial de Clubes de Basquete, pelo Esporte Clube Sírio, em 1979.


Eu era um entre as centenas de invasores da quadra do Ginásio do Ibirapuera quando o Sírio derrotou o Bosna, da extinta Iugoslávia, com um show de Oscar, que chorou copiosamente em quadra nos últimos segundos da partida.

Em 1984, o New Jersey Net, da NBA, escolheu Oscar para jogar pela equipe no “draft”, o processo seletivo do basquete americano. Naquela época, o basquete era dividido em duas vertentes: Fiba (Federação Internacional de Basquete), que cuidava do lado amador; e a NBA, que tocava o basquete profissional nos Estados Unidos. O Comitê Olímpico


Internacional não permitia que atletas profissionais participassem dos Jogos Olímpicos (regra que era frequentemente burlada, em especial pelos países ligados à União Soviética).

Quem jogasse na NBA não poderia defender a seleção de seu país nas Olimpíadas, e Oscar optou por jogar pelo Brasil. Somente em 1992, com a ida dos profissionais da NBA para a Olimpíada, essa proibição foi encerrada.

Carta do New Jersey Nets ao Oscar Schmidt, encaminhada ao Comitê Olímpico Brasileiro, convidando-o para treinar na NBA Reprodução/Arquivo pessoal

Como todos nós, Oscar teve controvérsias na vida. Engatou uma rivalidade boba com os ídolos do basquete brasileiro bicampeões mundiais em 1959 e 1963, fez algumas indiretas críticas quando o voleibol ultrapassou o basquete em popularidade e até se enfiou numa desastrosa candidatura ao Senado por São Paulo, nos anos 1990.

Também teve problemas com alguns colegas quando se aventurou como dono de time de basquete e não foi tão bom gestor como atleta.

Oscar talvez não tenha sido o melhor jogador de basquete do Brasil em termos técnicos. Wlamir Marques e Amaury Pasos eram mais completos. Oscar seduziu o torcedor pelo estilo de jogo. Ele tinha altura de pivô, 2,05 m, e, embora tenha atuado nesta posição, mais próxima da tabela, foi como ala, mais longe da cesta, que ele consagrou a sua fúria incontrolável de ataque, arremessos, ousadia.

Quando os arremessos de três pontos foram introduzidos no basquete amador, em 1984 (existiam na NBA desde 1979), Oscar encontrou seu paraíso particular. Ele foi a grande estrela, ao lado de Marcel, da noite mágica do basquete brasileiro, a conquista da medalha de ouro dos Jogos Pan-americanos de 1987, derrotando os Estados Unidos em Indianápolis, a terra do basquete. Deu até capa do jornal The New York Times.

Oscar brilhou jogando por Palmeiras, América do Rio, Sírio, Corinthians, Mackenzie, Bandeirantes e Flamengo, no Brasil. Foi estrela na Itália e na Espanha. Na Itália, anotou 13.957 pontos em onze temporadas, jogando por Caserta e Pavia — média de 34,6 por partida. Atuou ao lado de Joe Bryant, pai de Kobe Bryant, um dos maiores jogadores da história da NBA. Oscar era o ídolo de Kobe.

O total de pontos anotados por Oscar reflete o gigantismo de sua trajetória: 49.737 em 1.615 jogos, média de 30,7. Ele sustenta a marca de 1.093 pontos em Jogos Olímpicos, sendo 55 num único jogo, contra a Espanha, em Seul-1988.

O apelido de Mão Santa encaixa como uma luva na trajetória dos arremessos que pareciam impossíveis. Fruto de dedicação quase obsessiva aos treinamentos e de um amor pela camisa da seleção brasileira que legitimam a presença de Oscar no panteão dos heróis do esporte brasileiro.

*Maurício Noriega é comentarista da RECORD

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