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Explicando cientificamente: por que o Vini Jr. voltou para o campo comendo abacaxi?

O topo do esporte mundial nos lembra que a comida de verdade, na janela metabólica correta, é imbatível

Dr. Fe7ipe|Dr. Felipe AmorimOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Vinicius Júnior foi visto comendo abacaxi durante o intervalo de uma partida, o que gerou curiosidade e memes.
  • O consumo de abacaxi é uma estratégia baseada na ciência, fornecendo carboidratos de rápida absorção sem sobrecarregar o estômago.
  • A fruta é preferida a isotônicos ou bananas durante o intervalo devido à sua rápida digestão e hidratação eficiente.
  • A bromelina no abacaxi ajuda na digestão, permitindo que o fluxo sanguíneo se concentre nos músculos, melhorando o desempenho.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Foto criada por IA mostra o jogador comendo abacaxi, que entrega frutose e glicose, carboidratos de rápida absorção que elevam a glicemia rapidamente Imagem criada por IA/ChatGPT

Recentemente, uma imagem curiosa de Vinicius Júnior viralizou nos bastidores da Copa do Mundo: o atacante do Real Madrid e da seleção brasileira foi flagrado no túnel, voltando para o segundo tempo de uma partida, devorando uma fatia de abacaxi.

Para quem assiste de fora, a cena gerou memes e curiosidade. Afinal, seria superstição? Um desejo repentino? No futebol de elite, onde cada detalhe decide campeonatos, absolutamente nada é por acaso. Aquela fatia de fruta não era fome; era pura estratégia e fisiologia aplicada.


Enquanto o mercado de suplementação tenta te vender fórmulas mágicas e pós coloridos com promessas milagrosas, o topo do esporte mundial nos lembra de uma premissa básica: ciência, não essência. A comida de verdade, na janela metabólica correta, é imbatível.

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Mas por que especificamente o abacaxi no intervalo? A explicação passa por três pilares científicos:


1. O combustível de tiro rápido (e o ‘efeito esponja’)

Aos 45 minutos de um jogo, os estoques de glicogênio (a energia dos músculos) estão no limite. O segundo tempo exige explosão. O abacaxi entrega frutose e glicose, carboidratos de rápida absorção que elevam a glicemia rapidamente. Mas há um segredo físico aqui: a dinâmica do carboidrato na fruta ajuda a acelerar o esvaziamento gástrico.

Poderíamos usar apenas isotônicos? Sim, mas há um limite biológico. Encher o estômago com grandes volumes de líquido no intervalo cria um “peso morto”. O excesso de água chacoalhando no estômago durante um sprint de alta intensidade ativa reflexos vagais potentes devido à pressão intra-abdominal. O resultado disso? Queda de pressão, náusea extrema e vômito.


Quem não se lembra do Messi vomitando em campo em vários momentos da carreira? Aquilo é o reflexo perfeito do corpo colapsando na tentativa de digerir volumes inadequados sob esforço máximo. O abacaxi entrega o carboidrato necessário sem a necessidade de inundar o trato gastrointestinal.

E por que não a clássica banana?

Você deve estar se perguntando: “Mas a fruta do atleta não é a banana?”. Para o pós-treino ou pós-jogo, sim. Mas, no intervalo imediato de uma partida de explosão, a banana joga contra. Por ser mais densa energeticamente, rica em amido e ter menos água, a sua digestão e absorção são muito mais lentas. Comer uma banana ali pesaria no estômago, exigindo um esforço digestivo que roubaria o sangue dos músculos justamente na hora do apito inicial. O abacaxi, por ser mais hidratado e simples, entra e sai do estômago na velocidade que o jogo exige.


O segredo do bochecho em campo

Essa obsessão em proteger o estômago explica outra cena clássica que você vê na TV: jogadores que pegam a garrafa, bochecham e cospem. Eles não estão apenas limpando a boca. Aquela garrafa normalmente contém um carboidrato simples (como a maltodextrina) ou o próprio isotônico. A mucosa da boca não absorve água significativamente — o líquido precisa ir para o intestino para ser absorvido —, mas o que acontece ali é pura neurofisiologia. Receptores na cavidade oral detectam o carboidrato e mandam um sinal direto ao cérebro dizendo que a energia está vindo, o que reduz a percepção de fadiga na hora. Além disso, o bochecho resfria a boca e alivia a sensação de “boca seca” do estresse, dando conforto térmico e psicológico instantâneo ao atleta, sem colocar uma única gota de líquido para chacoalhar no estômago antes de um sprint.

2. O trunfo da bromelina

Para blindar ainda mais o estômago do craque contra esses reflexos, entra em cena a bromelina. Essa enzima presente no abacaxi acelera a quebra dos alimentos, garantindo que o estômago se esvazie o mais rápido possível. Isso evita o refluxo e a sensação de estufamento quando o jogador atinge mais de 30 km/h, permitindo que o fluxo sanguíneo fique onde realmente importa: nos músculos das pernas, e não no sistema digestivo.

3. Hidratação e eletrólitos na medida certa

O abacaxi é composto por cerca de 86% de água. Junto com a hidratação fluida controlada, a magnífica combinação da mastigação da fruta ajuda na salivação e na reposição palatável de líquidos. De quebra, ela entrega micronutrientes essenciais, como o potássio, que atua diretamente na contração muscular e na prevenção de cãibras na reta final do jogo.

A lição dos gramados para a sua rotina

A cena do Vini Jr. desmistifica a ideia de que, para ter performance, você precisa de estratégias mirabolantes ou suplementos de última geração com nomes difíceis. Alta performance é o básico bem feito, fundamentado na fisiologia humana.

No esporte ou na vida, o resultado sustentável vem da estratégia certa, no momento certo. O resto é apenas marketing.

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