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Fazer atividade física afasta depressão e ansiedade e altera a química cerebral

Por que você ouve tanto pessoas falarem: ‘o esporte salvou minha vida’?

Dr. Fe7ipe|Dr. Felipe AmorimOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A atividade física é um pilar eficaz no tratamento da depressão e ansiedade, alterando a química cerebral e reconfigurando redes neurais.
  • O exercício promove a liberação de endorfina, que atua como analgésico natural, melhorando o humor e a qualidade do sono.
  • Durante o treino, há aumento de dopamina e serotonina, que restauram a motivação, estabilizam o humor e reduzem a ansiedade.
  • O sedentarismo aumenta a vulnerabilidade a transtornos mentais, enquanto a atividade física regular ajuda na regulação do estresse e do humor.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Atividade física é um poderoso aliado no tratamento da depressão e ansiedade Imagem gerada por IA/Gemini

Quando pensamos no tratamento da depressão e da ansiedade, as primeiras imagens que vêm à mente são o divã do terapeuta e as caixas de medicamentos na cabeceira. Ambos são fundamentais e salvam vidas. No entanto, a medicina baseada em evidências vem consolidando um terceiro pilar tão eficaz quanto os dois primeiros, mas que frequentemente é negligenciado ou tratado apenas como um “estilo de vida”: a atividade física.

Tratar o exercício como um mero coadjuvante estético ou um passatempo para espairecer é um erro clínico. Movimentar o corpo altera profundamente a química cerebral, modula eixos hormonais e reconfigura redes neurais hiperativas. Não se trata de força de vontade ou de abordagens abstratas, mas, sim, de ciência pura e fisiologia aplicada.


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As endorfinas

A endorfina é frequentemente chamada de “hormônio do bem-estar”, e não é por acaso. Durante e imediatamente após o esforço físico, o corpo libera esse neurotransmissor, que atua como um analgésico natural no sistema nervoso central.

Para quem enfrenta a depressão e a ansiedade, a endorfina funciona como um amortecedor de curto prazo para a dor emocional e o estresse. Ela induz a um estado de relaxamento profundo e melhora a qualidade do sono — que costuma ser altamente afetado nesses quadros.


Mais do que isso, a exposição regular à endorfina por meio do treino ajuda a dessensibilizar o sistema de alerta do cérebro (a amígdala), ensinando o indivíduo ansioso a tolerar sintomas físicos, como taquicardia e respiração acelerada, em um ambiente seguro e controlado.

A serotonina e a dopamina: entenda o papel do núcleo accumbens

Quem sofre de depressão e ansiedade conhece bem a sensação de esgotamento mental: a mente oscila entre a paralisia da falta de interesse (anedonia) e o turbilhão de pensamentos catastróficos.


O exercício físico entrega uma resposta química imediata e potente nesses neurotransmissores logo após o término da atividade, agindo diretamente em uma estrutura cerebral específica: o núcleo accumbens.

O núcleo accumbens é uma região profunda do cérebro que funciona como o nosso centro de recompensa e motivação. É ele o responsável por processar a sensação de prazer e nos dar o impulso para realizar tarefas.


Na depressão, essa estrutura fica “desativada” ou hipoativa, o que explica por que o paciente perde a vontade de fazer até as coisas que antes amava.

Na prática:

- Dopamina e o Núcleo Accumbens: ao finalizar um treino, o cérebro direciona uma enxurrada de dopamina diretamente para o núcleo accumbens. Essa ativação fisiológica imediata funciona como um “reinício” no sistema de recompensa, devolvendo temporariamente ao indivíduo a capacidade de sentir foco, motivação e prazer. A química do pós-treino entrega uma sensação real de “trabalho feito” — uma vitória concreta e imediata para uma mente que, devido à doença, passa o dia inteiro tentando te jogar para a sensação de fracasso.

- Serotonina: simultaneamente, o esforço muscular facilita a entrada de triptofano no cérebro, disparando a síntese de serotonina no pós-treino. Enquanto a dopamina no núcleo accumbens devolve a motivação, a serotonina estabiliza o humor e promove o “silenciamento” da ruminação mental e do estado de alerta constante da ansiedade, por isso ela é considerada o neurotransmissor do bom-humor e da sensação de paz.

Por que o sedentarismo contribui para o agravamento do quadro?

O sedentarismo não é apenas a ausência de movimento; do ponto de vista clínico, ele é um estado pró-inflamatório. A falta de estímulo físico crônica reduz a produção de uma proteína essencial chamada BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), responsável pela sobrevivência e crescimento dos neurônios no hipocampo — uma área do cérebro ligada à memória e regulação do humor que se encontra reduzida em pacientes deprimidos.

Além disso, o corpo sedentário lida pior com o estresse. Sem o gasto de energia do exercício, os níveis de cortisol (o hormônio do estresse) permanecem cronicamente elevados, mantendo o sistema nervoso em um estado de “luta ou fuga” constante.

Isso agrava os sintomas físicos da ansiedade, como tensão muscular e tremores, e perpetua o ciclo de desânimo da depressão. Em suma, o sedentarismo retira o cérebro da sua homeostase, tornando-o biologicamente mais vulnerável aos transtornos mentais.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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