Dia da Cachaça: bebida chega a 76 países e supera 1,5 mil produtores
Brasil produziu 234,4 milhões de litros em 2025, enquanto setor acompanha mudanças na tributação e amplia presença internacional
A cadeia da cachaça ganhou escala no Brasil e ampliou sua presença no mercado internacional. Em 2025, o país tinha 1.538 estabelecimentos elaboradores registrados, distribuídos por 844 municípios.
No mesmo ano, as exportações alcançaram 7,95 milhões de litros, enviados para 76 países. A receita com os embarques chegou a US$ 17,07 milhões, segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Os números mostram uma cadeia que combina produção regional, mercado interno e expansão externa. Ao mesmo tempo, produtores e entidades acompanham as mudanças na tributação das bebidas alcoólicas.
Minas Gerais concentra produtores e produtos
Minas Gerais lidera a produção formal em número de estabelecimentos. O Estado reunia 564 unidades registradas em 2025, equivalente a 36,7% do total brasileiro.
São Paulo aparecia na segunda posição, com 230 estabelecimentos, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 106. O levantamento do Mapa também registrou 8.379 produtos de cachaça no país em 2025.
Minas Gerais concentrava 2.922 desses produtos, enquanto São Paulo reunia 1.185.
A distribuição dos estabelecimentos mostra ainda a presença da atividade em diferentes regiões brasileiras. O número de municípios com unidades registradas chegou a 844, alta de 14,8% em relação ao ano anterior.
Produção supera 200 milhões de litros
A produção declarada também dimensiona o tamanho da cadeia. Segundo o Anuário da Cachaça 2026, o Brasil produziu 234,4 milhões de litros em 2025.
Apesar da expansão internacional, o mercado brasileiro continua relevante para o setor.
Dados do Anuário da Cachaça 2025 mostram que 35,9% do volume declarado foi comercializado em um raio de até 100 quilômetros do local de produção. Outros 9,3% tiveram alcance regional, entre 100 e 500 quilômetros.
Já 32,2% do volume foi classificado como de comercialização nacional. Outros 22,1% chegaram aos mercados nacional e internacional.
Exportações chegam a 76 países
No comércio exterior, a cachaça brasileira alcançou 76 destinos em 2025. Foram exportados 7,95 milhões de litros, com receita de US$ 17,07 milhões. O volume enviado ao exterior representa uma parcela pequena da produção declarada no país. Isso reforça o peso do mercado interno para a cadeia.
A expansão externa ocorre em paralelo ao crescimento da produção formal. Desde 2018, o número de estabelecimentos registrados aumentou 61,7%, segundo o Mapa.
Madeira e território diferenciam a produção
As características da bebida também variam conforme o processo de armazenamento e envelhecimento. A madeira utilizada pode influenciar cor, aromas e sabores. Entre as opções empregadas estão carvalho, amburana, bálsamo e jequitibá.
A relação entre território e produção também ganhou reconhecimento por meio das Indicações Geográficas (IGs). Em julho de 2026, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de Indicação de Procedência para a cachaça de alambique do Circuito das Águas Paulista.
A área reúne nove municípios: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. Outras regiões brasileiras também possuem IG para a bebida, como Paraty, no Rio de Janeiro, Salinas, em Minas Gerais, e Luiz Alves, em Santa Catarina.
Cachaça tem denominação protegida no Brasil
O próprio termo “cachaça” possui proteção como indicação geográfica brasileira. Segundo o INPI, a denominação é protegida desde o Decreto nº 4.062, de 2001. A norma definiu “cachaça”, “Brasil” e “cachaça do Brasil” como indicações geográficas.
A legislação também diferencia cachaça de aguardente de cana. Embora ambas utilizem a cana-de-açúcar como matéria-prima, a cachaça precisa atender aos requisitos específicos definidos para a denominação.
Setor acompanha mudanças na tributação
A expansão da cadeia ocorre enquanto produtores acompanham a regulamentação do Imposto Seletivo previsto na reforma tributária. O tributo alcançará as bebidas alcoólicas. Por isso, entidades do setor discutem os possíveis efeitos das novas regras sobre os produtores.
O Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) defende mudanças no modelo de tributação. Segundo o presidente da entidade, Vicente Bastos, a cachaça já suporta uma carga tributária elevada. O IBRAC afirma que, considerando as alíquotas nominais de IPI, a carga seria cerca de quatro vezes superior à aplicada a outras bebidas alcoólicas.
Essa comparação representa uma avaliação do setor, e não uma medida independente de carga tributária. O instituto defende que a tributação considere a quantidade de álcool efetivamente consumida.
O IBRAC também afirma que uma carga elevada pode aumentar a pressão sobre pequenos e médios produtores e estimular a informalidade.
Data ainda depende do Congresso
O Dia Nacional da Cachaça é celebrado em 13 de setembro, mas a oficialização da data no calendário nacional ainda depende do Congresso. O Projeto de Lei 3.771/2026 está em análise na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
A data escolhida remete à chamada Revolta da Cachaça, movimento ocorrido no Rio de Janeiro no século XVII contra restrições impostas pela Coroa portuguesa à produção e à comercialização da bebida.
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