Vinícola conquista três Medalhas de Ouro e reafirma força do Vale dos Vinhedos entre terroirs
Vinícola da Serra Gaúcha, que cultiva uvas há quase 150 anos, foi destaque no Brazil Wine Challenge com rótulos elaborados exclusivamente a partir de vinhedos próprios
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Nem sempre um grande resultado em um concurso de vinhos pode ser medido apenas pelo número de medalhas conquistadas. Em alguns casos, o reconhecimento revela algo muito maior: a consistência de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas. Foi exatamente isso que a Vinhos Larentis demonstrou na 13ª edição do Brazil Wine Challenge, ao conquistar três Medalhas de Ouro com vinhos elaborados a partir de castas completamente diferentes, confirmando sua capacidade de interpretar o terroir do Vale dos Vinhedos e extrair o melhor de cada variedade.

Os rótulos premiados foram o Larentis Cepas Selecionadas Teroldego 2023, o Larentis Edição Especial Viognier 2025 e o Merlot Santa Lúcia D.O.V.V. 2022, vinhos que têm em comum uma característica fundamental, todos são produzidos exclusivamente com uvas cultivadas pela própria família Larentis, dentro do Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha.
Embora a vinícola tenha sido oficialmente fundada em 2001, sua história começou muito antes. As raízes da família remontam a 1876, quando Arcangelo Gabriele Larentis deixou a região de Trento, no norte da Itália, para se estabelecer na então Colônia Dona Isabel, atual Bento Gonçalves. Desde então, cinco gerações da família dedicam-se ao cultivo da videira, acumulando experiência que atravessa quase um século e meio de viticultura.
Essa longa convivência com o vinhedo permitiu à família participar de momentos importantes da evolução da vitivinicultura brasileira. A Larentis esteve entre os pioneiros no cultivo de variedades viníferas internacionais na Serra Gaúcha, introduzindo Chardonnay e Cabernet Sauvignon ainda na década de 1970 e apostando no Merlot em espaldeira nos anos 1980, quando boa parte da produção era destinada a outras vinícolas. Somente anos depois a família decidiu elaborar vinhos com marca própria, mantendo uma filosofia que permanece até hoje: produzir apenas com uvas de seus próprios vinhedos.
Esse controle integral da produção é um dos diferenciais da Larentis. Os vinhedos são divididos em dezenas de parcelas, permitindo que cada área receba um manejo específico de acordo com o solo, a exposição solar, a altitude e o comportamento de cada variedade. O objetivo é preservar a identidade de cada casta e traduzir, em cada safra, as características do Vale dos Vinhedos, primeira região brasileira a conquistar uma Denominação de Origem para vinhos.

À frente da elaboração dos rótulos está o enólogo e diretor André Larentis, representante da quinta geração da família. Sua filosofia combina tradição e conhecimento técnico, sempre com foco na valorização da matéria-prima. Em vez de buscar um estilo padronizado, o trabalho consiste em compreender o comportamento de cada variedade desde o vinhedo, respeitando suas particularidades durante todas as etapas da produção.
“O acompanhamento começa muito antes da vinificação. Cada variedade responde de maneira diferente ao clima, ao solo e ao manejo. Trabalhar apenas com uvas próprias nos permite conhecer profundamente cada parcela do vinhedo e extrair o melhor potencial de cada uma delas. Ver vinhos tão diferentes serem premiados em um concurso desse nível confirma que estamos no caminho certo”, afirma André Larentis.
A diversidade dos vinhos premiados talvez seja o aspecto mais significativo dessa conquista.

O Teroldego, variedade originária do Trentino-Alto Ádige, no norte da Itália, é uma uva pouco cultivada no Brasil e encontrou na Larentis uma de suas expressões mais reconhecidas. O Viognier, tradicional casta branca francesa do Vale do Rhône, demonstra excelente adaptação às condições da Serra Gaúcha, preservando frescor, intensidade aromática e elegância. Já o Merlot Santa Lúcia D.O.V.V. representa um dos maiores patrimônios da vitivinicultura nacional por ser elaborado dentro das rigorosas normas da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, certificação que estabelece critérios de produção capazes de garantir tipicidade, origem e qualidade.

Mais do que premiar três vinhos, o resultado evidencia a versatilidade do terroir do Vale dos Vinhedos. Poucas regiões conseguem oferecer condições para que variedades de origens tão distintas expressem identidade sem perder autenticidade. Quando esse equilíbrio é alcançado, o vinho deixa de representar apenas uma uva e passa a refletir o lugar onde nasceu.
O reconhecimento obtido no Brazil Wine Challenge reforça justamente essa leitura. Organizado pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), o concurso reuniu nesta edição 1.127 amostras provenientes de 19 países. As avaliações foram realizadas às cegas por um painel formado por 91 especialistas de nove nacionalidades, seguindo os protocolos da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), entidade que chancela tecnicamente a competição.
Em um momento em que os vinhos brasileiros conquistam espaço crescente nos mercados nacional e internacional, resultados como o da Larentis mostram que a excelência não depende apenas de tecnologia ou investimento. Ela nasce da combinação entre tradição, conhecimento acumulado ao longo de gerações e profundo respeito pelo terroir.
As três Medalhas de Ouro conquistadas pela vinícola gaúcha simbolizam exatamente isso, uma história iniciada por imigrantes italianos há quase 150 anos que continua sendo escrita, safra após safra, tendo o Vale dos Vinhedos como protagonista.
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