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Luiz Fara Monteiro

Airbus prevê alta no tráfego aéreo com o avanço da urbanização e conectividade viabilizadas por aviões mais eficientes

Fabricante prevê expansão da conectividade para além das rotas principais, alcançando conexões entre cidades de pequeno e médio porte

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Tráfego está em alta devido ao crescimento robusto em economias em desenvolvimento Clemens Vasters / Wikimedia Commons

A urbanização e o crescimento do PIB estão impulsionando a demanda por viagens aéreas de longo prazo, de acordo com o Global Market Forecast (GMF) 2026-2045 da Airbus. Nos próximos 20 anos, a urbanização vai se concentrar em cidades menores. Com o crescimento da classe média e dos fluxos migratórios, isso levará a novas rotas, que se tornarão economicamente viáveis graças a aeronaves cada vez mais eficientes e ao aumento nos volumes de tráfego de passageiros. A aviação não é apenas essencial para o transporte de mercadorias de alto valor e entrega rápida. Ela também conecta pessoas por uma infinidade de motivos ao redor do mundo, servindo como um canal econômico vital para muitas comunidades.

As malhas aéreas estão se descentralizando. O número de centros urbanos menores crescerá a quase o triplo do ritmo dos grandes centros, refletindo as mudanças nas populações urbanas e o aumento dos fluxos migratórios. Juntamente com a eficiência das aeronaves, o GMF da Airbus prevê a expansão da conectividade para além das rotas principais, alcançando conexões entre cidades de pequeno e médio porte. Rotas como Riga-Tenerife ou Melbourne-Alice Springs já podem ser atendidas de forma eficiente por aeronaves como o A220. O maior alcance das aeronaves também está abrindo novas rotas, permitindo conexões diretas. Essas rotas incluem Lisboa-Recife com o A321neo, Dublin-Nashville com o A321XLR, Argel-Kuala Lumpur com o A330neo e Taipé-Phoenix com o A350.


A estratégia de produtos da Airbus reflete a demanda do mercado. Isso fica evidente na carteira de pedidos recorde da Airbus, que conta com cerca de 9 mil aeronaves, sustentando o ritmo máximo de fabricação de toda a linha de produtos do A220 ao A350, incluindo meta de 75 unidades por mês para o A320. Atualmente, mais de 70% do backlog da Família A320 é para as versões maiores, A321neo e XLR, aeronaves ideais para as novas rotas. Rotas de maior capacidade podem ser atendidas pelo A330neo, e as rotas mais longas pelo A350. O A350 também é extremamente popular no segmento de carga expressa, com a variante cargueira (Freighter).

O crescimento do tráfego de passageiros permanece resiliente. Até 2045, a faixa demográfica da classe média com maior probabilidade de voar aumentará em 1,4 bilhão de pessoas (+34%). O tráfego aéreo global é robusto e está indissociavelmente ligado ao crescimento econômico mundial, bem como ao desejo das pessoas de viajar. Interrupções de curto prazo, como conflitos regionais e preços elevados de combustível, não devem frear a demanda no longo prazo, como mostram os dados históricos. Nos próximos 20 anos, o GMF da Airbus prevê que o tráfego de passageiros crescerá 3,9% ao ano, graças ao crescimento do PIB global (+2,6%), ao aumento das populações urbanas (+1,3 bilhão) e à expansão das classes médias. Até 2045, o tráfego aéreo mais que duplicará, atingindo cerca de 10 bilhões de passageiros por ano.


Refletindo uma mudança econômica em direção à região Ásia-Pacífico (APAC), a demanda acompanha essa tendência. Os padrões de tráfego estão se transformando devido ao crescimento robusto em economias em desenvolvimento, como Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia. Uma evolução significativa inclui o aumento da migração internacional e de viagens de passageiros para visitar parentes e amigos (VFR: visiting friends and relatives, ou visita a amigos e parentes).

A demanda por novas aeronaves eficientes continua forte. Das 42.060 novas aeronaves necessárias nos próximos 20 anos para atender ao crescimento do mercado (22.240) e substituir modelos antigos (19.820), cerca de 81% serão de corredor único (single-aisle) e 19% de fuselagem larga (widebodies). Isso reflete a tendência contínua de busca por aeronaves com maior eficiência de custos e menor emissão de CO₂.


A renovação da frota e as substituições recordes estão impulsionando a eficiência. O envelhecimento da frota pós-COVID está acelerando a demanda por substituição, favorecendo especialmente aeronaves de nova geração, eficientes em combustível e flexíveis (sejam de corredor único ou fuselagem larga), permitindo abrir rotas de baixa densidade e de longo curso de forma rentável. Até 2045, a Airbus prevê que a porcentagem da frota global composta por aeronaves de última geração atingirá quase 100%, frente aos cerca de 39% em 2026.


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