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Luiz Fara Monteiro

Após acidente, Aeroporto de Miami estuda instalar sistema que desacelera aeronaves em emergência

Recurso, como o existente no aeroporto de Congonhas (SP), já impediu que 26 aeronaves cruzassem os limites da pista nos EUA

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Boeing 767 da Amazon (Prime Air Cargo): 5 mortos e 5 feridos em Miami NTSB

Embora esteja entre os mais importantes e movimentados dos Estados Unidos, o aeroporto de Miami não possui o EMAS, um sistema utilizado em vários terminais mundo afora - inclusive no Brasil - para a frenagem extraordinária de aeronaves em aceleração descontrolada na pista.

No domingo (6), um Boeing 767 de carga operado pela 21 Air para a Amazon ultrapassou os 400 metros da pista de Miami e colidiu com uma van Ford Econoline e um Toyota Corolla Cross. As cinco pessoas que morreram estavam nesses veículos. Os pilotos sobreviveram. Os investigadores conseguiram recuperar o gravador de voz da cabine e o gravador de dados de voo — comumente chamados de “caixas-pretas” — da aeronave.


Questionada nesta segunda-feira (7) por jornalistas sobre o motivo de um grande aeroporto com Miami não possuir o EMAS, Jennifer Homendy, a presidente do Conselho Nacional de Segurança no Transporte - NTSB - respondeu que a ausência do sistema terá uma parte importantíssima na investigação que vai apurar as causas do acidente com o Boeing 767 da Amazon (Prime Air Cargo) que varou a pista, atingiu vários carros em um estacionamento adjacente ao terminal e resultou na morte de 5 pessoas.

EMAS


Quem acompanha este blog há algum tempo já leu sobre o o EMAS em diversas ocasiões.

O sistema de parada de aeronaves, originalmente chamado de Engineered Materials Arresting System (EMAS), foi criado após o acidente de uma aeronave modelo DC10-30 de matrícula LN-RKB – da Scandinavian Airlines - quando o trimotor ultrapassou os limites da pista 04R em New York JFK em 28 de fevereiro de 1984. Este acidente ocasionou ferimentos a passageiros e danos substanciais à aeronave. O EMAS nada mais é do que um sistema de frenagem de materiais projetados — um material leve e deformável no final da pista que pode desacelerar um avião em caso de emergência.


Na coletiva que concedeu para falar sobre o acidente com o 767 em Miami, a chefe do NTSB afirmou que 72 aeroportos dos EUA possuem o EMAS, um nível adicional de segurança de pista que evita excursões de pista, como a sofrida pelo Boeing 767 da Prime Air Cargo. O Aeroporto Internacional de Miami não está incluído nessa contagem.

NO BRASIL


Quem passa pela avenida Washington Luiz, em frente ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, já visualizou do que se trata o sistema de segurança. Uma grande estrutura azul e metálica forma uma extensão de pista. Sobre ela está o material composto que, se tiver contato com o trem de pouso de uma aeronave, faz com que a velocidade seja reduzida drasticamente. O sistema é composto de um material poroso de alta absorção de energia, feito de concreto celular com vidro reciclado. O material se comprime quando um avião em alta velocidade passa por cima, “reduzindo sua velocidade consideravelmente mais rápido do que em um espaço aberto”.

EMAS no aeroporto de Congonhas Ministério de Portos e Aeroportos / MPOA

IMPORTÂNCIA DO EMAS

Segundo o FAA, o EMAS já impediu que 26 aeronaves ultrapassassem as pistas desde 1999. A maioria dos aeroportos instala o EMAS quando não consegue atender aos padrões de área de segurança da pista, que exigem 250 pés (76 metros) de cada lado do centro da pista e 1.000 pés (305 metros) da cabeceira. As pistas do Aeroporto Internacional de Miami (MIA) atendem a esses padrões, incluindo a pista envolvida no acidente de domingo.

“A pista 12/30 do Aeroporto Internacional de Miami possui a Área de Segurança de Pista completa de 305 metros (1.000 pés) exigida pela FAA”, afirmou um comunicado do Aeroporto Internacional de Miami na noite de segunda-feira. “Sistemas de Frenagem de Materiais de Engenharia (EMAS, na sigla em inglês) são geralmente usados ​​em aeroportos onde as restrições de espaço impedem a implementação de uma área de segurança completa. Nenhum aeroporto nos EUA possui EMAS em uma cabeceira de pista que também mantenha a área de segurança completa e desobstruída de 305 metros. O EMAS é concebido como uma alternativa, não como uma camada adicional sobre a existente.”

“O Aeroporto Internacional de Miami (MIA) passa por uma inspeção de segurança completa da FAA todos os anos e tem atendido consistentemente aos requisitos federais de segurança aeroportuária.”

Ainda assim, quando Homendy terminou de falar com a imprensa sobre a investigação preliminar do acidente fatal de domingo, quando um avião de carga 767-300 da Amazon saiu da pista, a mídia cercou a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, para perguntar sobre o EMAS e o MIA.

“Tomamos conhecimento disso”, disse Levine Cava. “Sabemos que não é um requisito das normas da FAA, mas certamente temos interesse em saber mais. E, assim, podemos fazer tudo o que for possível para garantir a segurança.”

Questionado se o EMAS teria ajudado a evitar as mortes de domingo e se deveria ser obrigatório, Homendy disse: “Essa é uma excelente pergunta. Será uma parte fundamental da nossa investigação. Obrigado por perguntar.”

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