Azul planeja novos cortes de voos devido ao impacto da alta dos preços dos combustíveis
Afirmação é do CEO John Rodgerson, que participa de evento mundial do setor de Aviação no Rio de Janeiro
O CEO da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, deu o tom em um entrevista do que deverá ser um dos principais temas discutidos no maior encontro da aviação mundial, que acontece nesse fim de semana no Rio de Janeiro. A companhia aérea brasileira Azul está intensificando os cortes de capacidade em meio ao aumento dos preços do combustível de aviação, causados pela guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, e continuará reduzindo os voos para proteger o caixa em um ambiente incerto. O problema não é só da Azul, muito pelo contrário. A alta no valor dos combustível fez companhias em todo o mundo reduzir rotas, custos e previsões mais otimistas sobre o mercado da aviação em 2026.

Rodgerson disse à Reuters que as maiores empresas do setor estavam reduzindo a capacidade para melhor se adequarem à demanda com custos mais elevados, e que a Azul seguiria o exemplo, indo além dos cortes anteriores à medida que o conflito se prolonga.
“Quando fizemos os cortes iniciais, pensávamos que a guerra já teria terminado”, disse ele em entrevista na sexta-feira, às vésperas de uma reunião dos chefes das companhias aéreas globais no Rio de Janeiro.
“Mas isso continua acontecendo, então vamos continuar cortando algumas frequências de forma oportunista, garantindo que só estejamos operando aeronaves que façam sentido.”
A maior parte das reduções da Azul no segundo trimestre ocorreu em rotas internacionais, com ajustes adicionais focados nas frequências domésticas, em vez de eliminar cidades inteiras, disse Rodgerson.
“Vocês têm seis voos diários para Curitiba? Talvez com esses preços do combustível, devessem ser quatro.” A companhia aérea estava priorizando seus principais hubs em Campinas, Belo Horizonte e Recife, acrescentou ele.
“Ainda não definimos cidades inteiras, mas isso está sempre em consideração. Mas primeiro você começa com a utilização e a redução da frequência.”
“Você não vai querer utilizar uma aeronave 13 ou 14 horas por dia quando o preço do combustível dobrar.”
Rodgerson afirmou à Reuters que o balanço patrimonial da Azul, após uma grande reestruturação da dívida, a colocou em uma posição mais forte do que alguns concorrentes para se adaptar. A empresa saiu do processo de recuperação judicial (Chapter 11) em fevereiro com o apoio da United Airlines e da American Airlines.
A Azul espera que os preços permaneçam sob pressão no segundo trimestre, sazonalmente mais fraco, mas vê espaço para que as tarifas mais altas se mantenham à medida que a demanda se fortaleça no terceiro e quarto trimestres, disse ele.
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