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Luiz Fara Monteiro

No terceiro incidente em duas semanas, voo arremete para evitar colisão em aeroporto da Austrália

Voo da Virgin abortou decolagem quando um avião da Qantas cruzou a pista à sua frente no aeroporto de Sydney

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Voo aborta decolagem para evitar colisão Imagem gerada por IA/Gemini

Um voo da Virgin teve que abortar a decolagem no último domingo (9), quando outra aeronave cruzava a pista 34 do aeroporto de Sydney. Os dois aviões estavam separados por cerca de um quilômetro de distância. Esse é o terceiro incidente de quase colisão entre aeronaves em duas semanas no mesmo terminal. Desta vez, um Boeing 737 da Virgin recebeu autorização para decolar às 10h. Mas, enquanto os pilotos aceleravam, viram um Boeing 737 da Qantas cruzando a pista bem à sua frente. A tripulação da Qantas informou que também havia recebido autorização do controle de tráfego aéreo para sobrevoar a área.

As aeronaves envolvidas cumpriam o voo VA555 da Virgin Australia, de Sydney para Perth, na Austrália Ocidental, e o voo QF728 da Qantas, de Sydney para o aeroporto de Ayers Rock, no Território do Norte.


O órgão regulador de aviação da Austrália, ATSB (Australian Transport Safety Bureau) investiga a ocorrência. O comissário-chefe do ATSB, Angus Mitchell, disse que as tripulações de ambos os voos identificaram o conflito momentos após a autorização ter sido dada.

“A tripulação do voo da Virgin interrompeu a decolagem logo após ligar os motores e o controle de tráfego aéreo cancelou a autorização quase ao mesmo tempo”, disse ele.


Esse tipo de evento é chamado na aviação de incursão em pista (runway incursion), quando qualquer presença incorreta ou não autorizada de uma pessoa, veículo ou outra aeronave na área protegida de uma superfície de pouso e decolagem, gera risco de colisão

O ATSB confirmou que a tripulação da Qantas relatou ter recebido autorização dos controladores de tráfego aéreo em Sydney para cruzar a pista.


A tripulação do voo da Virgin viu o avião se movendo à sua frente, reduziu a potência dos motores e parou a aeronave, abortando a decolagem. Os dois aviões estiveram a mais de 1 km de distância um do outro em todos os momentos, informou a Airservices Australia na sexta-feira .

O incidente ocorreu poucas horas depois de outro incidente: um Airbus A320 da Jetstar foi obrigado a frear bruscamente na pista para evitar uma colisão com um Boeing 777 da Qatar Airways que estava sendo rebocado. A parada brusca derrubou uma comissária de bordo, causando ferimentos leves no pulso.


Houve outro incidente quase fatal relacionado ao controle de tráfego aéreo em Sydney, no dia 27 de julho, quando um voo da Qantas recebeu autorização para cruzar uma pista à frente de outra aeronave da mesma companhia que acabara de pousar.

Na noite de quinta-feira, um porta-voz da Airservices Australia – a organização estatal responsável pela gestão do espaço aéreo do país – afirmou que estava colaborando com o ATSB na investigação dos três incidentes.

“A segurança é a principal prioridade da Airservices e estamos empenhados em trabalhar com todas as partes interessadas, incluindo companhias aéreas, prestadores de serviços de assistência em terra, entidades reguladoras e operadores aeroportuários, para manter a segurança dos viajantes”, afirmaram.

Os passageiros que voavam para dentro e para fora do aeroporto de Sydney já estavam enfrentando atrasos, que a Airservices atribuiu à escassez de controladores.

Grande parte do problema está ligada a um programa implementado durante a pandemia que incentivou um número significativo de funcionários experientes a deixarem a empresa em 2021.

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