Demanda de passageiros cai 2,2% em maio
Entre as causas está a guerra no Oriente Médio

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgou os dados de demanda global de passageiros para maio de 2026:
“A demanda de passageiros aéreos recuou 2,2% em relação ao mesmo período do ano anterior em maio, impactada pela guerra no Oriente Médio. A queda foi concentrada nas transportadoras da região, com uma retração de 28,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, uma melhora significativa frente à queda de 46,6% registrada em abril, sinal da resiliência da região. Cabe destacar que também observamos contrações interanuais na demanda tanto na América do Norte quanto na Ásia, relacionadas em grande parte às condições do mercado doméstico nos EUA e na China.
De modo geral, a demanda de maio ainda demonstrou resiliência diante dos elevados preços de combustível e das tarifas aéreas. Embora a recente queda acentuada nos preços do petróleo seja um desenvolvimento encorajador, os desafios gerados pela guerra devem persistir por algum tempo. O fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz permanece incerto, e é provável que leve algum tempo até que o benefício dos preços mais baixos do petróleo se reflita em uma precificação ‘normalizada’ do combustível de aviação. Enquanto as companhias aéreas que operam com uma margem de 2,0% terão poucas opções além de continuar testando a resiliência da demanda com tarifas mais altas, na tentativa de cobrir os custos elevados de combustível", declarou Willie Walsh, diretor-geral da IATA.
Diversos fatores do ambiente operacional merecem destaque:
Análise regional - Mercados internacionais de passageiros
O RPK internacional caiu 1,6%, com a capacidade recuando 2,4%. O ritmo de queda diminuiu em comparação a abril, e muitas regiões atingiram recordes de fator de ocupação para o mês de maio, com exceção do Oriente Médio, que registrou declínio.
Companhias aéreas da Ásia-Pacífico alcançaram um crescimento de 1,3% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade diminuiu 1,1% em comparação ao mesmo período de 2025, e o fator de ocupação foi de 85,3% (+2,0 p.p. em relação a maio de 2025). No Vietnã, restrições mais rígidas às importações de combustível de aviação levaram a cortes significativos de capacidade em rotas de curta distância, resultando em queda no tráfego internacional intraasiático no mês.
Transportadoras europeias registraram crescimento de 3,8% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade aumentou 2,3%, e o fator de ocupação foi de 85,4% (+1,2 p.p. em relação a maio de 2025). Destaque para o aumento de 15% no tráfego direto para a Ásia, refletindo uma mudança contínua em direção a serviços diretos entre as duas regiões.
Transportadoras da América do Norte aumentaram a demanda em 1,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade cresceu 0,6%, e o fator de ocupação foi de 84,0% (+0,4 p.p. em relação a maio de 2025).
Companhias aéreas do Oriente Médio registraram queda de 28,8% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade recuou 24,3%, e o fator de ocupação foi de 76,1% (−4,8 p.p. em relação a maio de 2025). Os impactos da guerra no Irã continuam a gerar uma comparação interanual altamente negativa no tráfego, mas mês a mês o impacto está diminuindo, com o ritmo de queda praticamente dividido pela metade em relação a abril.
Companhias aéreas latino-americanas alcançaram crescimento de 10,5% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade cresceu 9,0%, e o fator de ocupação foi de 85,0% (+1,2 p.p. em relação a maio de 2025).
Companhias aéreas africanas registraram crescimento de 8,9% na demanda em relação ao mesmo período do ano anterior. A capacidade aumentou 8,3%, e o fator de ocupação foi de 73,4% (+0,4 p.p. em relação a maio de 2025).
Mercados domésticos de passageiros
O RPK doméstico recuou (−3,1%) em maio de 2026 em comparação com o mesmo mês do ano anterior, com a maior queda registrada na China, possivelmente relacionada a tarifas mais elevadas e/ou à ocorrência do Festival do Barco-Dragão em junho deste ano. Os EUA também apresentaram queda expressiva, enquanto a maioria dos demais mercados registrou crescimento moderado.
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