Guerra e aumento do combustível fazem metade dos brasileiros mudar seus planos de viagem, diz pesquisa
Levantamento Melhores Destinos mostra que alta nas passagens impulsiona uso de milhas, busca por promoções e maior flexibilidade nas viagens

A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente o comportamento dos viajantes. Um levantamento do Melhores Destinos, maior site de promoções de passagens aéreas do Brasil, mostra que o aumento do preço do combustível de aviação e a variação do dólar são os principais fatores externos que mais influenciam ou alteram os planos de viagem dos brasileiros — preocupação apontada por 53,8% dos entrevistados.
Mesmo nesse cenário, 39% afirmam que continuam viajando normalmente, mas ajustam outros gastos para manter as viagens no orçamento. O estudo também ajuda a dimensionar o perfil de consumo: somando transporte e hospedagem, 30% gastam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, enquanto 54% ficam na faixa de R$ 1 mil a R$ 5 mil por viagem.
Para reduzir custos, os brasileiros têm adotado estratégias que vão além do preço em si, com maior atenção à variação das tarifas aéreas. Entre as principais medidas estão o uso de milhas, pontos e programas de fidelidade (55,2%), o acompanhamento constante de promoções e quedas de preços (53,4%) e a flexibilidade de datas, com preferência por baixa temporada e horários alternativos (44,4%).
Além das estratégias de milhas e monitoramento, os entrevistados também indicaram os períodos que acreditam ser mais estratégicos para passeios mais baratos. As duas faixas do ano mais apontadas são as de baixa temporada, quando os preços são mais acessíveis, sobretudo em comparação às férias de julho ou de fim de ano.
A maioria (55,40%) acredita que o período de agosto a outubro é o mais adequado para viajar. Não muito longe, com 48,60% das preferências, está a época que vai de abril a junho.
“Neste contexto de passagens mais altas, vale a pena checar seu saldo de milhas e aproveitar as ofertas para transferir pontos do cartão para as companhias aéreas com bônus e ficar de olho em eventuais promoções, uma vez que a demanda tende a diminuir para algumas partes do mundo, como o Oriente Médio e a Ásia”, observa Marques.
Para onde viajar gastando menos no Brasil
No momento de apontar um destino para viajar gastando pouco, seis dos dez estados mais citados ficam no Nordeste. A Bahia lidera a lista, enquanto Alagoas, Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte também se destacam entre os destinos mais mencionados pelos viajantes.
O Sudeste também aparece com força: São Paulo e Minas Gerais ocupam o segundo e o terceiro lugares, enquanto o Rio de Janeiro surge na sexta posição. Já no Sul, Santa Catarina é o único representante no ranking, em décimo lugar.
Mais do que o ranking, a pesquisa também revela a percepção dos viajantes sobre os destinos, com destaque para aqueles que possuem praia. Ao mesmo tempo, as respostas se concentram entre Nordeste e Sudeste, o que revela uma visão mais concentrada sobre onde é possível viajar gastando pouco.
“A percepção do brasileiro sobre a Bahia como um destino barato faz sentido. Cidades como Salvador e Porto Seguro costumam ter preços competitivos, especialmente em passagens aéreas e hospedagem. No caso de São Paulo, o interior reúne diversas opções acessíveis, principalmente para quem já mora no estado e viaja de carro. Já em Minas Gerais, tanto Belo Horizonte quanto as cidades históricas oferecem boas alternativas de hospedagem e alimentação a preços mais baixos”, afirma Leonardo Marques, diretor e fundador do Melhores Destinos.
Para quem planeja viajar pelo Brasil, ele destaca a importância de ficar atento às promoções de passagens aéreas nacionais. Nos últimos 90 dias, o Melhores Destinos publicou mais de 30 ofertas de voos domésticos, com destaque para campanhas recorrentes de Latam, Gol e Azul. As ofertas se concentram principalmente em ações como “madrugada de ofertas” e “mega promo”, além de datas comerciais, como a Semana do Consumidor, que reúnem tarifas com preços mais competitivos e são ótimas oportunidades de economizar. “As companhias também têm aderido às datas duplas, com ofertas nos dias 4 de abril e 5 de maio”.
Destinos internacionais mais baratos
Em termos de países mais baratos para viajar, os vizinhos da América do Sul foram os mais lembrados. Argentina e Chile aparecem em primeiro e em segundo lugar, respectivamente, enquanto Paraguai, Peru, Uruguai e Colômbia ocupam outras posições no top 10.
Do outro lado do Atlântico, Portugal surge em terceiro lugar e é o único representante da Europa na lista de países mais baratos para viajar. De volta à América, os Estados Unidos aparecem em quarto lugar na lista feita com base nas respostas dos brasileiros. Chama atenção a presença de um único país da Ásia na lista: a Tailândia.
“O câmbio na Argentina não está tão favorável como há dois ou três anos, mas o destino continua atrativo. A boa oferta de voos e a concorrência na rota para Buenos Aires ajudam a manter as passagens competitivas, o que compensa outros gastos da viagem. O mesmo vale para o Chile, que também conta com voos diretos com companhias low cost a partir de várias capitais brasileiras, ajudando a equilibrar os custos no destino. Portugal se beneficia da boa oferta de voos a partir do Brasil, o que mantém as passagens competitivas. Além disso, o país tem de fato custos mais baixos de hospedagem e alimentação em comparação com outros destinos europeus”, analisa Marques.
De forma geral, o ranking indica uma percepção dos brasileiros de que destinos na América do Sul são mais econômicos, o que pode estar ligado tanto à proximidade quanto a custos mais alinhados à realidade brasileira. No caso dos Estados Unidos, a presença na lista sugere o forte apelo do destino no imaginário dos viajantes e a recente queda na cotação do dólar, embora fatores como a exigência de visto elevem o gasto total da viagem. Já a Tailândia aparece como o exemplo clássico de passagens aéreas mais caras combinadas a custos baixos no destino, o que ajuda a explicar a percepção dos brasileiros.
Metodologia
Para entender como os brasileiros buscam fazer viagens mais econômicas, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que abordaram de que forma fatores externos estão influenciando o comportamento dos viajantes, quais estratégias são adotadas para viagens baratas e quais são os detinos para viajar gastando menos. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere cada alternativa apontada pelos entrevistados.
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