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Luiz Fara Monteiro

No segundo dia de trabalho, comissário aciona escorregador de emergência por engano, atrasa voo em 6 horas e causa prejuízo de um milhão de reais

Voo da British Airways estava sendo afastado do portão de embarque no Aeroporto Londres Heathrow quando os dispositivos foram acionados

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Comissário ativa dispositivo de emergência por engano Jeff Gilbert via Wikimedia Commons

Começar em um emprego novo tendo um bom desempenho e uma boa experiência nos primeiros dias de trabalho é o sonho de todo novo funcionário. Infelizmente não foi o que aconteceu com um comissário de bordo da British Airways, que em seu segundo voo de serviço pela companhia aérea britânica, cometeu uma falha ao ativar, por engano, as escorregadeiras infláveis da aeronave, que só devem ser acionadas para uma evacuação rápida de passageiros e tripulantes em caso de emergência. O engano atrasou o voo em 6 horas e causou um prejuízo milionário à companhia.

O incidente ocorreu em 16 de maio último, por volta das 12h35, enquanto o voo BA217 da British Airways se preparava para partir do Terminal 5 do Aeroporto de Heathrow. O Boeing 777-200, que tinha voo programado de Londres Heathrow para Washington Dulles, nos Estados Unidos, já havia iniciado o reboque após a decolagem quando o tripulante interpretou erroneamente uma instrução padrão dos pilotos, ao anunciarem “portas no modo automático”. Este comando é usado para armar as rampas de evacuação de emergência, de forma que elas sejam acionadas automaticamente se as portas forem abertas durante uma emergência.


Bombeiros seguiram protocolo e foram averiguar o incidente Página A Fly Guy´s Crew Lounge

Em vez de simplesmente armar a porta, o membro da tripulação puxou a alavanca de abertura da porta, ativando um sistema de assistência de emergência que abriu a porta e acionou a rampa inflável de emergência na Porta 3L (a terceira porta do lado esquerdo da aeronave). Como parte do protocolo de segurança padrão, os bombeiros correram para verificar a situação e só algum tempo depois perceberam que não havia emergência alguma. O voo foi atrasado em mais de seis horas.

O prejuízo causado pela ativação do sistema poder chegar fácil a R$ 1,2 milhão, se levarmos em conta o processo de inspeção na aeronave, vouchers para alimentação, transporte e hospedagem, além da compensação aos 336 passageiros pelo atraso.


No fim, a mesma aeronave em que o acidente aconteceu foi autorizada a decolar para Washington Dulles por volta das 19h – mais de seis horas depois do horário previsto para a partida.

Esse tipo de incidente é conhecido na indústria da aviação como “acionamento inadvertido do escorregador” (ou ISD, na sigla em inglês). Segundo a fabricante europeia de aeronaves Airbus, cerca de três ISDs ocorrem por dia em todo o mundo.


Normalmente, as interrupções de segurança em voo são causadas por fadiga ou confusão da tripulação, quando os comissários de bordo abrem a porta da cabine após chegarem ao destino, mas se esquecem de desarmar o escorregador de evacuação.

Um erro aparentemente pequeno cometido por um membro da tripulação recém-contratado da British Airways causou um atraso de seis horas, pouco antes da decolagem do voo. O incidente ocorreu em 16 de maio, por volta das 12h35, enquanto o voo BA217 da British Airways se preparava para partir do Terminal 5 do Aeroporto de Heathrow.


A aeronave Boeing 777-200, que tinha voo programado de Londres Heathrow para Washington Dulles, já havia iniciado o reboque após a decolagem quando o erro ocorreu.

De acordo com informações compartilhadas por fontes citadas pelo grupo de comissários de bordo da página A Fly Guy’s Cabin Crew Lounge ‘, o membro da tripulação envolvido estava em seu segundo voo de trabalho após concluir o treinamento inicial.

O membro da tripulação interpretou erroneamente uma instrução padrão: “portas no modo automático”. Este comando é usado para armar as rampas de evacuação de emergência, de forma que elas sejam acionadas automaticamente se as portas forem abertas durante uma emergência.

Em vez de simplesmente ativar o sistema, o membro da tripulação puxou por engano a alavanca de abertura da porta. Essa ação ativou o sistema de assistência de emergência, forçando a abertura da porta e acionando o escorregador na porta 3L — a terceira porta do lado esquerdo da aeronave. A British Airways não confirmou oficialmente a causa do acionamento do escorregador.

Após o incidente, o corpo de bombeiros do aeroporto foi acionado como parte do protocolo de segurança padrão. A aeronave foi temporariamente impedida de voar enquanto verificações e os procedimentos de reinicialização necessários eram realizados.

Por fim, a mesma aeronave foi autorizada a decolar e saiu do solo por volta das 19h - mais de seis horas após o horário previsto.

Incidentes com escorregadores

Esses incidentes são conhecidos na aviação como acionamentos acidentais dos escorregadores (ISDs, na sigla em inglês). De acordo com a fabricante de aeronaves Airbus, cerca de três incidentes desse tipo ocorrem diariamente em todo o mundo.

Os incidentes de abertura involuntária da porta (ISD, na sigla em inglês) geralmente ocorrem quando a tripulação de cabine abre acidentalmente as portas da aeronave enquanto os escorregadores de emergência ainda estão armados — frequentemente devido à fadiga ou distração após o pouso. No entanto, casos em que um membro da tripulação arma o escorregador e abre a porta imediatamente são muito menos comuns.

Alguns especialistas em aviação acreditam que esses erros podem indicar problemas mais profundos nos métodos de treinamento. Conforme relatado pela PYOK , os novos tripulantes podem desenvolver uma memória muscular baseada em sequências, na qual armar a porta é subconscientemente associado a abri-la durante os exercícios de emergência.

A recorrência de tais incidentes na British Airways chamou a atenção. A companhia aérea relatou uma série de casos semelhantes nos últimos anos, envolvendo principalmente novos membros da tripulação.

“Todos nós cometemos erros e neste caso ninguém se machucou, a não ser o orgulho do jovem comissário”, comentou na rede social José Correia Guedes, comandante aposentado da TAP Air Portugal.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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