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Luiz Fara Monteiro

Com pouco combustível, voo da Emirates declara “Mayday” sobre Miami

Boeing 777-300ER teria enfrentado forte vento contrário na travessia do Atlântico e arremeteu duas vezes antes de pousar em segurança

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Boeing 777-300ER: voo da Emirates pousa em Miami com mínimo nível de combustível Gonzo Lubitsch via Wikimedia Commons

Um voo da Emirates - EK213 - que saiu de Dubai para Miami declarou Mayday após duas tentativas, em vão, de pousar no destino final. O Boeing 777-300ER, de matrícula A6EQE e 328 passageiros a bordo, arremeteu na primeira aproximação para a pista 9 por conta de ventos cruzados, causados por um início de tempestade, na cabeceira da pista.

O voo EK-213 da Emirates estava no ar há mais de 17 horas quando os pilotos declararam emergência, após já terem alertado o Controle de Tráfego Aéreo sobre o baixo nível de combustível, depois que a primeira tentativa de pouso falhou.


Na segunda tentativa, o piloto sugeriu à torre alternar para o Aeroporto de Fort Lauderdale.

O controlador respondeu que um pouso na pista 12 de Miami seria o mais apropriado. A nova tentativa então foi feita. Mas quando o Emirates se aproximava para o pouso na pista 12, um novo revés: um Boeing 767 que tinha acabado de pousar demorou para livrar a pista, levando controlador a determinar que o Emirates realizasse uma nova arremetida.


A partir daí, toda a prioridade de tráfego foi dada ao EK213. Apesar dos imprevistos e da emergência com o nível baixo de combustível, o Boeing 777-300ER conseguiu pousar em segurança.

Uma investigação vai apurar o porquê do voo da Emirates estar com tão pouco combustível em seus tanques quando a aeronave se aproximava de seu destino. Por questões de segurança e redundância, os voos partem do destino com combustível suficiente para alternar para duas opções diferentes de aeroportos, quando o terminal original apresenta alguma anormalidade. Mesmo sabendo-se que duas arremetidas com um 777 exigem uma grande quantidade de combustível para seus dois potentes motores, algo como 6 toneladas do que está armazenado nos tanques. Um voo de Dubai para Guarulhos/São Paulo, por exemplo, deve ter autonomia para alternar para Campinas ou Galeão, no Rio de Janeiro se o terminal de Guarulhos estiver inoperante. As duas arremetidas em Miami não deveriam ser suficientes para tornar o nível de combustível crítico, levando a tripulação a declarar Mayday.


Para o comandante e instrutor de voo Fernando Pamplona, é preciso entender se o piloto da Emirates declarou “minimum fuel” ou “mayday fuel”.

Ele declarou “minimum fuel”? Ou “mayday fuel”


“Tem uma diferença entre elas, na primeira há a indicação de que não tem combustível de espera e se houver aproximação prolongada ou com espera ele deverá alternar de destino (divert), na segunda ele informa que não tem mais autonomia para seguir pra alternativa e vai pousar naquela localidade (commited to fuel)”, explica.

Uma situação de “minimum fuel” pode evoluir pra “mayday fuel” se não alternar antes da condição, ou mesmo já na alternativa caso haja algo que impeça um pouso sem demora lá na alternativa.

“Neste caso me parece que por causa da arremetida ele entrou em minimum fuel, e como não foi pra alternativa, por sugestão do controlador de fazer uma segunda aproximação pra outra pista, entrou em mayday fuel, ou seja ja não tinha mais combustível pra ir pra outro lugar. No caso específico [me parece] que teria que pousar em Miami mesmo”, diz Pamplona.

Uma das suspeitas é que o voo da Emirates tenha enfrentado fortes ventos contrários no Oceano Atlântico, o que fez com que o voo durasse mais do que o normal e - consequentemente - gastasse mais combustível.

“Há mais um dado que certamente será avaliado, este tipo de voo possui “reclearence” que é uma avaliação da quantidade de combustível em um determinado ponto do voo, basicamente é o seguinte, se chegar no ponto X com ate Y de combustível, pode prosseguir pro destino, caso esteja abaixo ele deverá pousar pra reabastecer, e isto ocorre em função de intercorrências durante o voo, tipo vento forte de proa imprevisto, voar abaixo do nível ótimo por indisponibilidade dele (tráfego) ou ainda desvios meteorológicos", acrescenta Fernando Pamplona.

Dependendo da intensidade dos ventos contrários no Atlântico, este voo da Emirates, partindo de Dubai, normalmente completa a viagem em cerca de 15 horas e meia a 16 horas e meia.

Neste caso, os dados do Flight Radar 24 mostram que o EK-213, que pousou neste domingo, teve um tempo total de voo de 17 horas e 16 minutos.

Os fortes ventos contrários não representavam um grande problema por si só, mas quando o avião se aproximou do Aeroporto Internacional de Miami por volta das 10h30 da manhã de domingo, o aeroporto estava sendo atingido por rajadas de vento causadas por tempestades que atravessavam a região.

Quando o avião fazia a aproximação final para pousar na pista 09, os pilotos abortaram a tentativa de pouso devido à baixa visibilidade e à turbulência do vento.

Já preocupados com a situação do combustível e receosos de que as condições meteorológicas não melhorassem, os pilotos solicitaram um desvio incomum para Fort Lauderdale, mas o controlador de tráfego aéreo sugeriu que tentassem pousar na pista 12, que tem um ângulo diferente da pista 09 e, portanto, apresenta menor cisalhamento do vento.

Os pilotos concordaram com essa linha de ação, mas informaram ao Controle de Tráfego Aéreo que estavam declarando “Combustível Mínimo”.

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