Putin admite que mísseis russos explodiram perto de avião do Azerbaijão que caiu em dezembro
Jato Embraer 190 da Azerbaijan Airlines voava de Baku para Grozny, na República da Chechênia, quando desapareceu do radar perto da costa russa do Mar Cáspio

Foram necessários quase dez meses para o presidente da Rússia admitir o que ninguém mais tinha dúvida: Vladimir Putin disse nesta quinta-feira que dois mísseis antiaéreos russos explodiram a alguns metros de um jato de passageiros da Azerbaijan Airlines que caiu no ano passado, matando 38 pessoas a bordo.
O jato Embraer 190 da Azerbaijan Airlines voava de Baku para Grozny, na República da Chechênia, em 25 de dezembro, quando desapareceu do radar perto da costa russa do Mar Cáspio, antes de cair mais tarde perto da cidade cazaque de Aktau. Ainda no dia do acidente, o blog apontava fortes indícios de que a aeronave poderia ter sido alvo de disparo de artefatos.
Autoridades russas ofereceram explicações conflitantes para o desastre, inicialmente sugerindo que a má visibilidade ou uma possível colisão com pássaros eram os culpados, e depois dizendo que os sistemas de defesa aérea estavam mirando drones ucranianos na área.
Em fevereiro, o Ministério dos Transportes do Cazaquistão publicou um relatório de 53 páginas que mencionava “objetos externos” atingindo a aeronave e incluía fotografias mostrando a fuselagem cheia de buracos. O relatório afirmava que os danos causaram perda de fluido hidráulico e pressão, levando à falha do estabilizador.
Autoridades da aviação civil russa alegaram que não tiveram acesso total aos destroços. Uma fonte do governo azerbaijano disse à Reuters na época que especialistas internacionais identificaram um fragmento de um foguete antiaéreo russo Pantsir-S entre os destroços recuperados.
Agora, com a investigação sobre o acidente quase concluída, Putin disse ao presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, no Tajiquistão que o acidente foi causado por uma combinação de drones ucranianos entrando no espaço aéreo russo e um mau funcionamento nos sistemas de defesa aérea, o que fez com que dois mísseis detonassem perto do avião. É a primeira vez que Putin admite esta versão, pelo menos publicamente.
“Eles explodiram, talvez por autodestruição, a aproximadamente 10 metros de distância. Assim, a aeronave foi danificada não predominantemente pelo impacto direto da ogiva, mas sim por fragmentos do míssil”, disse Putin durante um encontro com o presidente do Azerbaijão no Tajiquistão, marcando a primeira vez que ele admitiu publicamente que a Rússia tinha parte da culpa.
Ele acrescentou que - informa o The Moscow Times - se a aeronave tivesse sido atingida diretamente, ela teria “caído imediatamente”. Citando gravações da cabine, Putin disse que o piloto confundiu a explosão com uma colisão com pássaros e se recusou a desviar o voo para a cidade vizinha de Makhachkala.
Putin prometeu indenização às famílias das vítimas e uma “avaliação legal” das ações que as autoridades russas tomaram durante o incidente.
Aliyev, que anteriormente culpou a Rússia e exigiu responsabilização, agradeceu a Putin por supervisionar pessoalmente a investigação.
“Não tínhamos dúvidas de que todas as circunstâncias seriam determinadas de forma completa e objetiva”, disse o presidente do Azerbaijão.
As relações entre a Rússia e o Azerbaijão pioraram desde o acidente de avião em dezembro.
Baku tomou uma série de medidas vistas como retaliação ao incidente, incluindo o fechamento de um centro cultural financiado por Moscou, a proibição de entrada de autoridades russas no país devido a comentários " ofensivos " e a imposição de fechamento da mídia financiada pelo Kremlin sediada no Azerbaijão.
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