Aviação bate recorde de demanda por equipe técnica, aposta em diversidade e deixa estereótipos no passado
Setor deve abrir mais de 2 milhões de vagas até 2044 e profissionais concluem formação com contratação praticamente garantida

O setor aeroviário vive um dos momentos de maior aquecimento das últimas décadas. Segundo o Pilot and Technician Outlook 2025-2044, da Boeing, o mercado global vai precisar de 2,37 milhões de novos profissionais até 2044, dos quais 710 mil serão mecânicos e outros técnicos de aeronaves. Na América Latina, a demanda estimada é de 42 mil novos profissionais. O cenário está mudando o perfil buscado pelas companhias aéreas: mulheres, pessoas em transição de carreira, profissionais acima de 50 anos e pessoas com deficiência (PCD) vêm ocupando funções historicamente associadas a homens jovens, como a manutenção de aeronaves.
“Quando falamos de mecânico de aeronaves, as empresas têm visto com bons olhos profissionais mais velhos, por exemplo, porque seguem rigorosamente os procedimentos técnicos — é um campo aberto para quem tem 50 anos ou mais. Mulheres e pessoas com deficiência também têm ocupado posições historicamente masculinas”, afirma Mila Seidl, fundadora da Lito Aviation Academy, escola que já profissionalizou mais de 5 mil alunos, com uma taxa de empregabilidade de 70% entre o início do curso e um ano após a formatura.

O papel da formação na conexão aluno e mercado
Para facilitar a entrada no mercado de trabalho, a Lito Aviation Academy oferece gratuitamente dois serviços complementares aos cursos: o Student Advisor (SA) e a área de hunting. O SA acompanha o aluno em três momentos do curso — início, meio e fim —, com orientação sobre currículo, LinkedIn e postura profissional nas redes sociais. Já a área de hunting monitora vagas no mercado e negocia diretamente com RHs de empresas parceiras, antecipando oportunidades exclusivas aos alunos.
Exemplos recentes confirmam a transformação do setor. A mecânica de aeronaves Elizete Pereira, que tem deficiência auditiva, concluiu o curso de formação e foi contratada pela Embraer. Gianfranco Herrera, que tem uma deficiência de mobilidade, foi contratado pela Azul Conecta antes mesmo da conclusão do curso - a vaga foi garantida durante uma visita técnica à empresa, parte da formação. Samara Almeida tornou-se a primeira mulher mecânica contratada pela LATAM na região Norte. William Polastri, recém-formado em comissariado, foi convocado para o processo seletivo da Emirates, considerada uma das companhias aéreas de maior excelência no serviço de bordo.
Um dos casos mais simbólicos é o de Maria Del Brollo, que começou sua carreira de mecânica de aeronaves aos 70 anos, sem experiência prévia no setor, e foi contratada pela LATAM, provando que a aderência a procedimentos técnicos e a maturidade profissional seguem sendo diferenciais valorizados pelas empresas, mesmo em uma área tradicionalmente associada a perfis mais jovens.
“Com o tráfego aéreo em recuperação acelerada e a renovação de frotas em curso, a demanda por mão de obra técnica qualificada deve continuar em alta — assim como a diversidade de perfis que encontram nesse mercado uma chance real de recomeço ou consolidação de carreira”, finaliza Seidl.
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