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A frase mineira 'É logo ali' se torna real com a Indian Roadmaster: Testamos a Chefe da Tribo

 Viajar de Roadmaster equivale à Primeira Classe de avião

Moto Segurança e Trânsito|André Garcia, do R7

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Roadmaster mereceu
Roadmaster mereceu

Qualquer distância se torna curta

Em maio de 2016 participei do lançamento dos produtos touring´s da mais antiga fabricante de motocicletas dos Estados Unidos, a Indian.


Na ocasião, pude andar na Roadmaster e constatar em pista algumas características surpreendentes para o tamanho e peso da moto como mudança de trajetória, pouca vibração, eficiência na frenagem e pouca torção do conjunto. click aqui para ler

Eis que surge convite para ir até Penedo, distrito de Itatiaia no Estado do Rio de Janeiro, para dar uma olhada no XXI Encontro Internacional de Motociclista, já tradicional e que conta com grande apoio da administração pública local, que dado o clima e as características da cidade, torna o evento muito especial que vale visitar com absoluta certeza. É incrível a preparação da cidade para o evento.


Eu e Marcos Luiz com sorriso de criança
Eu e Marcos Luiz com sorriso de criança

Foi uma bate e volta, o dia estava esquisito, intercalando momentos de sol, nublado, chuvisco...ideal para avaliar uma motocicleta da grandeza, em todos os sentidos, da Indian Roadmaster.

No dia anterior quando a retirei na Indian e sai pelo trânsito das Avenidas dos Bandeirantes e Roberto Marinho sentido Morumbi, pude sentir o quanto é fácil pilotá-la apesar de suas dimensões.


Quem me conhece e acompanha, sabe que não é meu estilo de moto, quem sabe um dia, mas não podemos cometer injustiças: ela tem sua beleza, ela tem seu charme. E pensando nisso, levei para um amigo fotógrafo que tem um estúdio no Morumbi, dar uma olhada. O cara ficou louco, mas conto depois no final.

No dia seguinte, rumei para o ponto de encontro, meu companheiro de viagem estava com o outro modelo a Chieftain acompanhado de seu pai. Papo, café e estrada.


Na primeira parada, pedi para Sr. Marcos - pai do meu amigo, andar na minha garupa, afinal a Roadmaster era mais confortável, tinha encosto e o cara estava fascinado, era o primeiro passeio de moto, mal tinha dormido e preparou uma playlist com o melhor do rock and roll.

Primeira nota: com ou sem garupa, dinamicamente a Roadmaster é incrível. O peso do garupa em nada prejudica o manuseio da moto, mesmo quando se está manobrando, algo possível para este com 1,65 de estatura, sem tirar a poupança do banco.

É redundante falar do conforto que ela proporciona para piloto e garupa, os bancos são verdadeiras poltronas. É moto para cruzar o continente por boas vias asfaltadas.

Chegar em casa e sair de São Paulo com a Roadmaster não é tarefa fácil, mas também não é das mais difíceis, como já disse, dado a facilidade de condução. Isso se deve a sua boa ciclística, começando pelo chassi de alumínio, algo até então, exclusivo na motos esportivas, passando pelo bom acerto de suspensão na dianteira é do tipo telescópica com acabamento cromado e tubos com 46mm com curso de 116 mm e na traseira suspensão do tipo monoamortecida – com curso de 114 mm – que é formado por uma balança de alumínio forjado com um único amortecedor da marca FOX Racing regulável na pré-carga da mola e pode ser ajustado através de uma bomba manual, o que permite um funcionamento mais duro ou mais macio conforme a necessidade do condutor. O acerto de suspensão achei irrepreensível para rodar na ondulada São Paulo ou no bom asfalto das rodovias.

Encontro começou no posto na entrada de Penedo com o pessoal que acompanhou a concessionária Indian Rio
Encontro começou no posto na entrada de Penedo com o pessoal que acompanhou a concessionária Indian Rio

Aliado a isso um belo motor V2 – com cilindros inclinados a 49 graus, diâmetro e curso dos pistões de 101mm x 113mm, taxa de compressão de 9.5:1, acionamento do comando de válvulas por varetas com 2 válvulas por cilindro, com arrefecimento misto, ou seja, a ar e óleo denominado Power Stroke 111 – também presente nos modelos Chief Vintage, Chief Classic e Springfield – uma das maiores virtudes está na abundância de torque de 16,4 Kgfm à miseros 3000RPM e no baixo nível de vibração. A exaustão, por sua vez, é feita por um sistema duplo de escapamento com cross-over, que interliga os dois canos de descarga.

O câmbio de 6 marchas com engates precisos e suaves. e transmissão final feita por correia dentada que não só é mais silenciosa e limpa – já que dispensa lubrificação – como livre de ajustes e manutenção em geral, ponto para Indian.

Eis o segredo da facilidade na condução, o abundante torque somado a ciclística com boa distribuição de peso, torna a tocada demasiadamente tranquila, muito fácil, torna-se uma brincadeira gostosa.

Só para o amigo leitor ter uma ideia: um Peugeot 2008 com 1183 kg em ordem de marcha, na versão manual, com motor 1.6 tem exatos 16,4 Kgfm de torque abastecido com etanol e 15,5 Kgfm se abastecido com gasolina.

A Roadmaster a seco tem 421 Kg e em ordem de marcha creio que 460/470kg. Com piloto, garupa e bagagens cerca de 600 a 700 kg.

Se na cidade você trafega sem a necessidade de cambiar, na rodovia menos ainda....enfia logo a 6ª marcha e toca, vai embora e ela devora os quilômetros tornando qualquer grande distância naquela típica frase mineira: “é logo ali”.

Foi exatamente isso que senti, Penedo nunca foi tão perto e confesso que fazer o bate e volta não gerou qualquer cansaço.

Da esq. para direita: Felipe Carlier (Indian Rio), eu, Márcio Insaurrade (Indian) e seu pai Marcos Luiz. Motociclismo une pessoas
Da esq. para direita: Felipe Carlier (Indian Rio), eu, Márcio Insaurrade (Indian) e seu pai Marcos Luiz. Motociclismo une pessoas

Para uma moto acima de R$ 100 mil reais, tem mimos como sensor de presença sendo possível ligar a moto sem chaves, abrir top case e malas laterais (somados são pouco mais de 140 litros de bagagem), também, sem chaves, ajuste elétrico do parabrisa, manoplas e bancos aquecidos, som de 200 watts que é simplesmente sensacional e o GPS por meio do Ride Command.

O sistema de entretenimento com GPS trouxe muita modernidade ao modelo, ele é rápido, fácil de ser utilizado, além de ser repleto de funções e informações que tornam a condução mais segura. O display de 7 polegadas ou 17,7 centímetros, se destaca pela alta resolução. Na prática: nitidez e facilidade de leitura, contribuindo para uma assimilação mais rápida das informações. E quem vos afirma isso é um sujeito que tem astigmatismo, miopia e ceratocone...é eu sei que você pensou... quase cego.

Outro qualidade que percebi foi na rapidez de processamento e as informações podem ser acessadas através do toque na tela, do tipo touchscreen, com luvas – facilitando funções como expansão da tela. Também, através de botões no punho esquerdo, sem a necessidade de tirar as mãos do guidão. Com isso, o condutor pode desde sintonizar a rádio preferida, ajustar o volume ou simplesmente navegar pelas telas do GPS. A conectividade através do sistema bluetooth permite parear o telefone celular de forma simples e rápida, há conexão via USB, aliás utilizada para o playlist do meu garupa sr. Marcos, localizado próximo ao painel. Outro atrativo do Ride Command que contribui para praticidade, é a possibilidade de personalização das informações no display, um total de seis diferentes telas onde é possível escolher até três tipos de informações: dados do computador de bordo do veículo – que vão desde a vida útil do óleo e pressão dos pneus, até a autonomia total e o consumo instantâneo de combustível, além de rotas escolhidas e pontos de interesse no GPS.

Apesar de todo conforto, tecnologia e segurança da Roadmaster é bem vindo o controle tração, explico: uma moto desse porte é obrigatório pneus que ofereça maior durabilidade ou rendimento quilometrico, aderência e dirigibilidade, dado o peso da máquina e a abundancia do torque, como já dito, tanto que ela vem equipada com o excelente Metzeler Marathon Ultra que cumpre tudo isso, todavia, no piso molhado dado as características do pneu, a aderência tende a diminuir sensivelmente e em curva, se o piloto abusar do acelerador (Ride by wire), especialmente em trechos de serra, cheias de curvas, em rodovia como na Dutra entre Itatiaia e Cruzeiro, com pista molhada, cujo conjunto passa muita confiança, tende a desgarrar.

Nota/Dica: Em chuva alivia a mão. A moto é muito fácil de conduzir e sensibilidade é a palavra de ordem para não levar sustos.

Galera empolgada com a festa na cidade de Penedo
Galera empolgada com a festa na cidade de Penedo

Na minha opinião, pelo preço outro mimo merecido seria o ajuste eletrônico de suspensão, item também não oferecido por sua concorrente direta Harley Davidson, mas oferecido pelas Touring´s alemã e japonesa, há quem entenda que não são concorrentes, o que discordo. Ocorre que as touring´s americanas colocam os pés, também, no segmento custom.

Outra ponto que pode ser melhorado pela Indian é pensando na ergonomia, explico: os punhos da motocicletas tem uma padronização para buzina, setas, lampejador de farol...Portanto o ideal é que esses botões estejam à postos para que a pilotagem seja intuitiva, vide o que já escrevi sobre ergonomia e segurança viária, clicando aqui.

Para parar, não há problema o sistema de freio dá conta do recado e é dotado do importante sistema ABS - que evita o travamento das rodas em situação de baixa aderência. Na dianteira o sistema é formado por dois discos flutuantes e ventilados de 300mm cada, com duas pinças de duplo pistão e flexível do tipo aeroquip e na traseira um disco ventilado com 300mm e pinça com duplo pistão, não é exagero afirmar que o sistema de frenagem da Roadmaster não deve nada para motos esportivas.

As rodas são de 16 polegadas na dianteira com medida 130/90 e traseira com medida 180/65, como já disse, calçadas com Metzeler Marathon Ultra, sem câmara de ar.

Por fim, se você quer uma moto para viajar, longas distância com todo conforto, faça um teste drive na Roadmaster e surpreenda-se. Mesmo diante dos contrapontos que mencionei, vale ressaltar que ela custa de 25 a 40 mil reais a menos que as japonesa e alemã.

Penedo

É distrito de Itatiaia, município do Rio de Janeiro quase divisa com o Estado de São Paulo.

Truta com amêndoas, simplesmente divino e preço justo
Truta com amêndoas, simplesmente divino e preço justo

Recebeu importante influência dos imigrantes finlandeses que colonizaram a região no início do século XX e a principal atividade economica é gerada pelo turismo.

Penedo é charmosa e aconchegante, tem o estilo que remete a Finlândia, cheio de pousadas, bons restaurantes e opções de ecoturismo para fazer trilhas, visitar picos, cachoeiras como de Deus e Três Quedas, além do Parque Nacional do Itatiaia, famosa pelo Pico das Agulhas Negra.

Nesse bate e volta, almoçamos uma deliciosa truta no Rei das Trutas, não é a primeira vez que almoço lá e recomendo: truta com amêndoas.

Estúdio do Cacalo

Lembra que lhe falei do amigo que ficou louco com a Roadmaster, pois bem…

Tendo no currículo fotografar ícones como Ferrari, Lamborghini, Maserati, McLaren (click aqui para conhecer o estúdio e ver as fotos)...além de vários prêmios, é daqueles caras alienígenas que foi colocado de castigo na Terra, gosta de café e é possível conversar de acasalamento de formigas, à “Corinthians X São Paulo”, gastronomia, espiritismo e, claro, máquinas de quatro e duas rodas.

Inicialmente, a Indian me emprestou a moto de sexta à segunda-feira para ir no evento em Penedo, mas quando lhe mostrei o bólido surgiu a ideia de realizar um ensaio fotográfico da Roadmaster. (click aqui para ver um pouquinho no Facebook)

Pedi, a Indian topou, lavei a moto na concessionária da Bandeirantes.

Truta com amêndoas, simplesmente divino e preço justo
Truta com amêndoas, simplesmente divino e preço justo

O resultado foi tão surpreendente, que quando Cacalo mostrou as fotos de estúdio e de smartphone para editor da revista Only (já apresentada no Manhattan Connection) - Marcello Barbusci, no ato quis fazer capa da edição de novembro, já que a revista tem público com perfil AA e coincidiria com um evento na galeria Mário Cohen, podendo as fotos em estúdio serem expostas em conjunto com a exposição de fotos de Rogério Fasano.

Capa do álbum de fotografia da Roadmaster por Cacalo
Capa do álbum de fotografia da Roadmaster por Cacalo

Infelizmente, tudo isso precedia Salão Duas Rodas e passou a oportunidade, mas o resultado está ai, fotos ímpares que, com todo respeito à outros colegas fotógrafos, não tem no mercado, mas vale para o deleite do fã da marca, do modelo e de fotografia.

Virou até um álbum, que ficou sensacional, se quiser um exemplar, fale com o Cacalo.

Ficha Técnica, click aqui

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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