Moto Segurança e Trânsito Pilotamos o lançamento BMW R 1250 RT: Turismo em Primeira Classe

Pilotamos o lançamento BMW R 1250 RT: Turismo em Primeira Classe

Opção entre as linhas GS e K, a BMW R 1250 RT é mais uma grande opção para mototurismo para te levar até o fim do mundo em primeira classe

Na cor branco é possível apreciar melhor o belo desenho das carenagens

Na cor branco é possível apreciar melhor o belo desenho das carenagens

Foto: André Garcia

A vida é engraçada, precisou de uma pandemia para valorizarmos a convivência social, o abraço, o mero cumprimento com aperto de mãos. Que saudade das aglomerações nos lançamentos de um produto, de encontrar colegas do fabricante e jornalistas para trocar impressões sobre a motocicleta.

No "Novo normal" fabricante entrega moto em casa com kit: café+ garrafa térmica + álcool em gel + máscaras

No "Novo normal" fabricante entrega moto em casa com kit: café+ garrafa térmica + álcool em gel + máscaras

Foto: André Garcia

Diante do “novo normal”, recebi por e-mail convite da BMW Motorrad Brasil para avaliar seu lançamento no segmento Touring - R 1250 RT. Escolhida a data e a rota, a moto foi entregue e retirada em casa para uma curta avaliação. Também em dia estabelecido, em comum acordo, o produto foi apresentado, via Skype, por Luiz Alcântara, especialista de produtos da BMW.

A BMW R 1250 RT é a versão mais turística da linha “R” com características similares a “GS” já que divide o mesmo propulsor e chassi. A BMW posiciona a “RT” entre a linha “GS” e a K 1600 GTL e B. 

Presencialmente a moto é muito mais bonita e por onde passa chama atenção, você notará o desenho da carenagem com leves vincos remetendo a velocidade e o bom acabamento em cada detalhe. Pode até assusta pelo tamanho, mas é muito fácil de pilotar.

Olhar é marcante, mas LED só nos faróis auxiliares e DRL

Olhar é marcante, mas LED só nos faróis auxiliares e DRL

Foto: André Garcia

Ao montar você logo percebe o conforto do largo banco com boa densidade de espuma para piloto e garupa. As pernas ficam levemente recuadas, os braços bem relaxados e posicionados ao guidão, todos os botões bem acessíveis e de bom toque. Todavia, manusear o computador de bordo poliglota requer mais familiaridade, não é tão intuitivo, não consegui alterar a medida para Km/l, ficando L/Km e a informação de pressão dos pneus que ficou em Bar, eu preferia em PSI (libra).

Nota: O banco de série vem com altura de 825 mm podendo ser alterado para 805 mm. Deixei em 825mm, sendo possível colocar os pés (tenho 1,65 alt) parcialmente ao chão, ou só o esquerdo com o direito no pedal de freio. A esposa elogiou o conforto do banco e o posicionamento dos pés, que mesmo com as malas, ela conseguia apoiar as pontas dos pés (calça 36) na pedaleira.

Painel é completo com todas as informações, mas na Europa acaba de chegar modelo com TFT

Painel é completo com todas as informações, mas na Europa acaba de chegar modelo com TFT

Foto: André Garcia

O painel de instrumentos abriga um velocímetro e tacômetro tradicionais. Outras informações são apresentadas em um painel de exibição digital eletrônico entre os instrumentos analógicos. A visualização da tela digital às vezes é prejudicada por reflexos ou devido à luminosidade do sol, mas não é um grande problema. Todo acesso às informações é feito no punho esquerdo por botão e o anel rotativo serve para selecionar o que deseja. Na tela digital você tem acesso a hora, canal de rádio ou nome da música, pressão dos pneus, marcha engatada, acerto da suspensão, modo de pilotagem (são 3: Road, Dynamic e Rain), temperatura do motor, hodômetros total e parciais 1 e 2, consumo médio e instantâneo e autonomia do tanque que conta com 25 litros sendo 4 litros de reserva.

Ao manobrar a R 1250 RT logo que foi entregue, achei tão pesada que pensei que o pneu estivesse murcho e senti falta da ré (oferecida na K 1600 GTL), mas você acostuma, depois manobrando em paralelepípedo, achei fácil. São 279 Kg em ordem de marcha, são 40 kg a mais que sua irmã GS (239 Kg) e 71 Kg a menos que sua outra irmã K 1600 GTL (350kg).

No porta trecho do lado direito, cabo para carregar Smartpohone

No porta trecho do lado direito, cabo para carregar Smartpohone

Foto: André Garcia

Ao ligar, sem chave (chave no bolso), você nota a inteligência da moto realizando os ajustes da suspensão, considerando o peso de piloto e garupa, o belo e encorpado som do motor boxer bicilíndrico a quatro tempos de refrigeração ar/líquido de 1254 centímetros cúbicos e sistema variável de distribuição ShiftCam com potência de 136 cv à 7750 RPM e 14,58 Kgfm (143 Nm) à 6.250 RPM.

Apesar das suas dimensões, com as malas, tinha os retrovisores como parâmetro (as malas são pouco mais largas), cheguei rápido ao seu habit: a rodovia. Mesmo com trânsito, às vezes trafegando no corredor em baixa velocidade, você pode notar a excelente distribuição de peso e confesso que parece ser mais leve.

Porta treco no lado esquerdo espaço para uma carteira. Todas as fechaduras, inclusive das malas, são fechadas eletricamente

Porta treco no lado esquerdo espaço para uma carteira. Todas as fechaduras, inclusive das malas, são fechadas eletricamente

Foto: André Garcia

O último semáforo que já dá acesso direto a BR 116 é uma maravilha quando está no vermelho, porque quando aparece o verde, você já pode sair colocando a prova todo torque e potência do motor somado ao câmbio bem escalonado com SHIFT ASSISTANT PRO (mudança de marcha sem acionar manete de embreagem) e  rapidamente você alcança os três dígitos no velocímetro e não vê mais ninguém no retrovisor. Ao mesmo tempo que você está acelerando, a mão esquerda aciona o botão para subir o parabrisa elétrico que confere proteção perfeita.

O motor é daquelas belas obras da engenharia alemã.

Explicando Motor ShiftCam

Já expliquei o sistema na avaliação da R 1250 GS quando participei do lançamento, mas vale repetir.

O novo motor ShiftCam introduz a sincronização da válvula variável, “deslocando” o came de admissão de um perfil de came para outro. Isso fornece ao motor a capacidade de usar dois perfis de came separados, dependendo da carga do motor.

Diferença de torque e potência é bem notado do motor 1200 para 1250

Diferença de torque e potência é bem notado do motor 1200 para 1250

Foto: Divulgação BMW Motorrad Brasil

O perfil de came de “carga parcial” é usado abaixo de 5.000 RPM e usa o perfil de came de elevação inferior. Ele oferece uma melhor economia de combustível do que sua contraparte de “carga total”. Mas acima de 5.000 RPM, o came "muda" e o perfil de came de perfil mais alto de "carga total" é usado. Este came permite o desempenho máximo do motor e dá à R 1250 RT aquele rosnar extra quando desejado. A transição de uma câmera para a outra é perfeita. Você não notará a mudança, mas sentirá a potência extra que o came de “carga total” fornece.

Para entender melhor, assista o vídeo abaixo:

Acessando trecho de rodovia cheio de curvas, você poderá notar o bom equilíbrio da R 1250 RT que propicia mudanças rápidas de direção e fazer curva como se estivesse nos trilhos.

Nota: Na opção “Dynamic” a suspensão fica mais esportiva e o motor responde instantaneamente ao giro do acelerador, no modo “Road” há um delay no acelerador e a suspensão fica normal (bom para cidade) e no “Rain” (utilizado no retorno quando pegamos chuva) a suspensão fica macia o delay do acelerador aumenta e você nota um som mais manso do motor com uma aceleração bem linear.

Esposa foi a companhia e já aproveitou para avaliar o espaço da garupa

Esposa foi a companhia e já aproveitou para avaliar o espaço da garupa

Foto: André Garcia

Suspensão é um show à parte, na dianteira conta Telelever, diâmetro de 37 mm, amortecedor central e na  suspensão traseira monobraço oscilante em alumínio fundido com Paralever; amortecedor WAD (amortecimento dependente do curso), sistema de suspensão semi ativa eletrônica Dynamic-ESA, que realiza um ajuste automático de amortecimento de acordo com as condições do terreno. A ação de amortecimento da mola é adaptada na dianteira e na traseira por meio das válvulas de controle de acionamento elétrico. As configurações básicas do Dynamic ESA também estão associadas aos Modos de Condução "Rain", "Road" e "Dynamic" que podem ser facilmente ativados por meio de um botão. Em cada Modo de Condução, é aplicada uma afinação de amortecimento recomendada pelos especialistas da BMW Motorrad. O condutor pode adaptar a coordenação entre o Dynamic ESA, a entrega de potência do motor (características), HSC Pro (Hill Start Control Pro -  ativação automática da função
de retenção) e DTC (Dynamic Traction Control) à situação de condução, ao selecionar os modos preferidos com as respetivas configurações. Se desejar não acelerar, basta acionar o Cruise Control, sistema responsável pelo controle eletrônico de velocidade e por mantê-la constante.

Para-brisa é ajustável eletricamente e protege até na chuva

Para-brisa é ajustável eletricamente e protege até na chuva

Foto: André Garcia

Nota: O HSC é acionado quando você para, por exemplo, em uma rampa  Mesmo que você não acione o freio, o sistema segura até que você saia completamente.

Suas rodas medem 17 polegadas com tala 3,5” na frente e 5,5” atrás. Calçada nessa unidade com pneus Michellin Pilot Road 4 GT medem 120x70 e 180x55, respectivamente.

A frenagem é poderosa, gostei da mordida e da progressividade, com dois discos flutuantes de 320mm na frente e discos simples com 276mm e pinças flutuantes atrás. Este conjunto opera com auxílio tecnológico de um sistema ABS integral.

Em determinado momento, em rodovia simples com sentidos opostos, devido um caminhão quebrado, pegamos trânsito carregado, pude notar que mesmo a temperatura do motor elevada, o calor não é sentido pelo piloto.

Em termos de vibração é igual da GS, até os 4000 RPM está liso e depois o piloto notará uma aspereza nas mãos, não chega ser uma vibração a ponto de deixar a mão dormente.

Malas passam pouco da largura dos retrovisores que serve de parâmetro na pilotagem

Malas passam pouco da largura dos retrovisores que serve de parâmetro na pilotagem

Foto: André Garcia

A moto é espetacular, oferece boa dose de esportividade ao gosto do piloto, sendo possível viajar para o fim do mundo, realmente é uma excelente opção entre GS e K, especialmente para o cliente que sabendo que jamais colocará sua GS no off-road tem agora uma opção, seu preço está dentro do praticado no segmento e considero este modelo superior (ciclística)  as concorrentes da Harley-Davidson, todavia, a grande questão é a BMW Motorrad Brasil lançar com 2 anos de atraso, justo quando o novo modelo com painel TFT, além de mais recursos de eletrônica, é apresentado na Europa.

Rodovia é seu habitat, uma verdadeira devoradora de km

Rodovia é seu habitat, uma verdadeira devoradora de km

Foto: Alides Rasabone Garcia

No Brasil será oferecida na cor Branco Alpine e Azul Planet, sendo a parte o Opcional 719 com tampa do cabeçote e tampa do motor personalizadas em alumínio anodizado e banco em couro castanho.

Foto: Divulgação BMW Motorrad Brasil

Mais informações e ficha técnica, click aqui.

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