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Velocidade em crônica

Aos 95 anos de idade, advogada e escritora presenteia sobrinho motociclista com linda crônica sobre velocidade

Moto Segurança e Trânsito|André Garcia, do R7

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Dagoberto e D. Ciléia
Dagoberto e D. Ciléia

Hoje faço uso deste espaço, para publicação de uma crônica que achei linda, primeiro por quem está escrevendo, sua lucidez, seu amor pelas letras, pelo gesto em eternizar tal matéria da Física ao sobrinho-neto que é piloto e motociclista, daqueles que utiliza o veículo de duas rodas à combustão todos os dias seja para trabalhar, viajar ou passear, independente da cilindrada. Meu amigo disse: “ela é mais lúcida que nós dois juntos“. Eu acredito.

Escrito em 2016 logo após a visita de Dagoberto, ela guardou para lhe entregar em próxima oportunidade que ocorreu no final de semana passado:


Velocidade

Antigamente, só o vento era veloz.


O Mundo mudou, cresceu e na modernidade descobriram-se outras

velocidades: máquinas, apostando no tempo, superando distâncias, cada


vez maiores, tornando-as indispensáveis à vida exigente de hoje.

Poder competir compulsivamente, anulando caminhos, pessoas e a si


mesmos, sempre com vitória da máquina e audácia do piloto.

O perfil dos pilotos é visível: pela paixão, domínio técnico nas pistas.

Mas... que dizer das razões ocultas ordenando o prazer pleno do

perigo que atrai tragédia?

Qual desamor o impele a lutar trocando a vida pela morte, atirando-se

no rodamoinho diário? Ou será muito difícil lidar com a superação dos

afetos, sendo apenas um piloto perseguindo a fama, a qualquer

preço, esmagando a revolta da adversidade, liberando o ego?

A bonança, o olhar perdido no nada, a tranquilidade ao andar,

incompatível com a pressa da máquina, explode na fisionomia, revelando

a vida não vivida.

Atração incontida da velocidade não é resposta, sim: pergunta aflita

ao silêncio, à solidão, à esperança que o impedem de sentir a alegria real,

monitorando a máquina em seu momento supremo: ser alguém na multidão.

Ciléa – junho/2016”

Crônica em seu original
Crônica em seu original

Ciléia Quaresma de Moura é Advogada, escritora, 95 anos, escreve regularmente crônicas para um jornal, moradora de Niterói Rj

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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