Moto Segurança e Trânsito Versatilidade com "V" maiúsculo: Kawasaki Versys 650 Tourer 

Versatilidade com "V" maiúsculo: Kawasaki Versys 650 Tourer 

Kawasaki Versys 650 Tourer é o sinônimo de versatilidade em duas rodas: boa para o dia a dia, excelente para viagens

Kawasaki Versys 650 Tourer apesar da idade do projeto, ainda é uma boa opção

Kawasaki Versys 650 Tourer apesar da idade do projeto, ainda é uma boa opção

Foto: André Garcia

Uma de muitas gratificações em avaliar motocicletas é poder in loco notar a evolução de um projeto e sua consagração. Quando falo em consagração não é só pelos números de vendas, mas para verificar que há 10 anos quando a imprensa especializada apontou os prós e contras do modelo, o fabricante não só aprimorou, mas se tornou bem falada dentre os consumidores seja na aquisição de um 0km ou de uma usada.

Assim é a linha Versys 650 e aqui voltaremos a falar do modelo Versys 650 Tourer, sim, voltaremos, porque desde 2010 tive oportunidade de pilotar todos os modelos ou gerações dessa linha da Kawasaki.

O modelo atual chegou em 2016 quando sofreu um facelift e alterações técnicas que melhorou muito o modelo, começando pelas suspensões, agora SHOWA, as malas laterais que ficaram, praticamente, na largura do guidão, adição do top case com a abertura das três malas com a mesma chave que liga a moto, pára-brisa de fácil regulagem na cor fumê, além das proteções de mãos, protetores de motor, faróis auxiliares, tomada de 12 volts do lado esquerdo e marcador de marcha engatada, tudo a preço público sugerido de   R$ 44.490,00….é amigo aumentou o preço mas o problema é a desvalorização do nosso Real.

Para o dia a dia basta o top case. Versatilidade é o ponto alto da Versys

Para o dia a dia basta o top case. Versatilidade é o ponto alto da Versys

Foto: André Garcia

Será que vale? Leia e tire suas conclusões.

Versatilidade

Se o nome Versys remete a versatilidade, devo concordar que nenhuma moto na atualidade tem um nome tão feliz e tão autêntico com aquilo que promete ao usuário.

Com a Versys 650 Tourer é possível usá-la no dia a dia só com o top case, viajar a dois   adicionando as malas laterais ou ainda viajar sozinho, como fiz várias vezes, a trabalho em 2016, ainda adicionando uma mala de garupa.

Sozinho ou acompanhado, vazio ou com carga máxima, outra coisa que chama atenção é sua autonomia, que não se deve só ao tanque de 21 litros, mas, também, ao acerto do motor que bebe pouco combustível, é muito econômico.

Já rodei mais 300 km e ainda sobrou gasolina no tanque, não é para qualquer moto.

Pilotando

Ao sentar na Versys o piloto já percebe a interação com máquina, literalmente, um veste o outro, em relação a geração anterior (2010 à 2015), ficou pouco mais baixa, o banco ficou mais confortável, posição correta, pernas bem encaixadas no grande tanque, pés bem posicionados nas pedaleiras, braços relaxados e tudo na mão do piloto sem ter que tirar os olhos do tráfego, o que sempre chamo, leia lá no texto em 2011, de pilotagem intuitiva e que, já tratei do tema em Ergonomia, click aqui para ler. Os punhos da Kawasaki hoje considero o que há de melhor ao toque e ao acionamento: buzina, setas de direção, seta alerta...tudo no seu devido lugar. Painel com excelente visualização.

A cara da garupa não deixa dúvidas: Verys é confortável para garupa

A cara da garupa não deixa dúvidas: Verys é confortável para garupa

Foto: André Garcia

A garupa vai bem acomodada e confortável, a única observação da minha esposa é que com as malas laterais, ela obrigatoriamente não consegue ficar com a ponta dos pés na pedaleira, se as malas fossem posicionadas poucos centímetros para trás, estaria perfeito.

Se o piloto não se perde na pilotagem, aliado ao conforto e ergonomia, o feedback dinâmico da motocicleta é excepcional e é justo afirmar que o trabalho da Kawasaki nesse modelo é digno de parabéns, todavia, evoluiu muito em relação a geração 2010/2015 e andando mais em outras unidades, percebeu-se que o tendão de Aquiles era a suspensão traseira pouco progressiva e que por vezes mesmo com menos torque e potência em relação ao modelo atual, tinha tendência de empinar a roda dianteira pela instabilidade do conjunto, especialmente, quando com garupa ou carregada.

A suspensão dianteira  é invertida com tubos externos de 41mm e curso de 150mm da marca SHOWA totalmente ajustável em pré-carga na esquerda e amortecimento de retorno na direita com fácil acesso para o acerto, todavia, sempre digo isso: cuidado! Se não souber acertar não mexa. Leve no mecânico de sua confiança ou na concessionária, passe seu feedback, informe o que você quer para o acerto correto.

Na suspensão traseira, com 145 mm de curso, a grande mudança foi a balança em forma de gaivota e de alumínio para suportar o ganho de curso em relação ao modelo anterior. O que, também, merece destaque, já que modelos mais caros com diferença de R$ 10 mil reais ou mais não oferecem o ajustador remoto, algo essencial para facilitar o ajuste da suspensão traseira para viajar carregado ou vazia, com ou sem garupa.

Com essa configuração, nitidamente a suspensão ficou progressiva, firme na tocada mais esportiva e transferindo grande conforto nas ondulações e péssimo asfalto brasileiro. No acerto de fábrica, só alterei a traseira para mais duro quando com garupa e carregada.

O pneu é o tendão de Aquiles atualmente do conjunto, já que vem de série com Dunlop que com o passar das quilometragens, o piloto nota nitidamente a perda de eficiência, sem mencionar que com a atual suspensão o que limita uma estrada de terra leve ou de cascalho é, nitidamente, o pneu, que na minha opinião não casou bem com a Versys, podiam pensar no Pirelli Angel GT maior durabilidade, mantendo a pegada esportiva. Detalhe importante: leia o manual do usuário, pois a calibragem mudou da geração anterior  para o atual, especialmente quando carregada, na página 124 – dianteiro sempre com 33 e traseiro com 36 com 150 kg e acima disso com 42 psi.

Na minha Versys a primeira coisa que faria seria trocar os pneus.

Na cidade ou trecho urbano é o ambiente onde é possível melhorar a média do consumo de combustível. É possível rodar em 3ª marcha a 50 Km/h, as vezes em 4ª marcha e se o piloto puder, sem atrapalhar a atenção no trânsito, é possível usar a informação do painel unindo a informação de pilotagem econômica com o consumo instantâneo, podendo alcançar boa marcas para a cilindrada, igual ou acima a 25 km/l. 

Kawasaki Versys 650 Tourer é um tanque de guerra. Sua fama é de inquebrável

Kawasaki Versys 650 Tourer é um tanque de guerra. Sua fama é de inquebrável

Foto: André Garcia

Motor

Na tocada, a Versys não decepciona com seus 69 cv de potência a 8500 RPM e 6,5 kgfm de torque a 7000 RPM.

A partir dos 6000 RPM o som fica enfurecido, instiga, mas desde as baixas rotações é nítida a pronta resposta do motor e isso acontece em qualquer rotação e marcha.

Mesmo sendo 650 cilindradas, é honesto afirmar que não falta moto, para quem está acostumado com motos maiores de 800 ou 1000 cilindradas, falta a patada, mas não falta performance e economia de combustível, anda junto com qualquer moto, mas bebendo bem menos, algo importante nos dias atuais com o preço do combustível na estratosfera.

A Versys, graças a centralização de massa, proporciona uma tocada citadina, tourer ou até mesmo, digamos, mais esportiva. Muda rápido de direção, bem equilibrada, baixíssima vibração, aliás, em momento algum, seja qual fosse a rotação, mesmo até as vezes esgoelando, não sentir qualquer incômodo. Em momento algum o calor do motor incomodou, mesmo no trânsito pesado paulistano. Isso se deve a nova tecnologia da Kawasaki, ainda com patente pendente, localizada atrás do radiador que direciona o ar quente para baixo e para longe do piloto, algo muito significativo, todavia, mantém o tanque e o quadro mais frios, aumentando o conforto.

Falando em conforto, não podia deixar passar em branco a proteção com pára brisa ajustável: perfeito! Pegou estrada, sem ferramentas ajusta para cima e capacete e roupa sempre limpos e sem turbulência, ao menos para este que vos escreve com 1,65 de estatura.

Modelo é atual e apesar dos faróis serem halogêneos oferece boa iluminação para ver e ser visto

Modelo é atual e apesar dos faróis serem halogêneos oferece boa iluminação para ver e ser visto

Foto: André Garcia

A iluminação para pilotagem noturna é excelente, aliás já tinha viajado à noite com minha esposa, e os faróis auxiliares além de ajudar na iluminação, aumenta sua visibilidade para outros veículos.

O painel é bem completo, oferecendo boa leitura de dia ou à noite, ponto negativo para acessar as informações do computador de bordo, já que precisa acessar o painel.

Explico: o botão do punho esquerdo para luz alta não tem serventia, já que existe o lampejador no dedo indicador, bem mais ergonômico. Este botão, poderia acessar as informações de trip 1, trip 2, hodômetro total, autonomia, consumo médio e consumo instantâneo, além do horário.

Para parar bons freios que também sofreram melhorias: dianteiro conta com discos duplos em formato margarida de 300mm com pistões duplos e o traseiro também em formato margarida de 250mm (antes 220 mm) com pistão simples com sistema ABS.

O sistema ABS na unidade avaliada estava perfeito, atuava, realmente, só em extrema necessidade com um retorno suave, nada assustador.

Em poucas palavras a Kawasaki Versys 650 Tourer é confortável, econômica, muito versátil.

Concorrentes

A Versys 650, aliás, falei disso no texto em 2011, entendo que está na classe nas Crossover´s, posição, suspensões de longo curso e conforto de Big Trail, com rodas de 17 polegadas com pneus esportivos.

Além da viagem para interior de São Paulo, fiz um bate e volta de 300km para Londrina sem necessidade de abastecimento

Além da viagem para interior de São Paulo, fiz um bate e volta de 300km para Londrina sem necessidade de abastecimento

Foto: André Garcia

No modelo abaixo dela, mas na mesma faixa de preço, só a Honda CB500x e desculpa a sinceridade, dado o preço da Honda, vá na Versys 650 STD sem sombra de dúvida é mais em tudo, inclusive, sem se perder ao acionar a seta ou a buzina.. E basta colocar um Top Case de 47 litros, mala de tanque, viaja sossegado.

Já no modelo Tourer 2021 com tudo que vem, não dá nem para cogitar outro modelo na mesma faixa de preço, a NC 750X apesar da sua concepção inteligente é extremamente limitada para viagem, experimente colocar uma mala de garupa, no terceiro abastecimento você vai pedir para o frentista encharcar de gasolina e tacar fogo na mala, já que é necessário abrir o banco traseiro para abastecimento, fora a tocada muito limitada com corte de giro a 6000 RPM, além da m@#$% da buzina invertida com a seta. O top case supre o compartimento do falso tanque da NC.

Outros modelos de cilindrada superior cobrarão por isso, acima de R$ 10 mil, e fica a seu critério analisar se precisa de tanta performance a mais em detrimento de um produto que vem completo para viajar e uso no dia a dia.

Acompanhando as redes sociais e grupos da Versys 650, é grande a satisfação com o produto e os modelos usados que vendem rápido. A 2021 já está na loja com nova cor e deve vir com pequeno aumento, todavia, se não exagerarem, ainda acredito que trata-se do melhor custo-benefício do mercado, afinal só de equipamentos: malas laterais, top case, protetores de mão, protetor de motor, luzes auxiliares não originais, mas de boa qualidade, passa dos R$ 10 mil reais.

Moto boa para turismo é assim: casal com sorriso no rosto mesmo enfrentando chuva

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Foto: André Garcia

Por fim, se Kawasaki introduzir controle de velocidade, vulgo piloto automático e aquecimento de manoplas nesse modelo, ouso afirmar que se   torna um modelo perfeito.

Mais informações e ficha técnica, click aqui

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