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Cadeia do tomate avança com mais tecnologia, planejamento e rastreabilidade

Alinhamento entre campo e indústria tem contribuído para aumentar previsibilidade e reduzir riscos na produção

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Cadeia do tomate da Cargill investe em tecnologia e planejamento integrado Foto cedida: Cargill

Da escolha das variedades ao momento da colheita, a produção agrícola tem se tornado cada vez mais orientada por planejamento e monitoramento constante.

Em entrevista ao Mundo Agro, Rafael Santana, Gerente de Produções Agrícolas e Bruno Soares, Supervisor Agrícola, da Cargill, analisam como o trabalho integrado entre produtores, assistência técnica e indústria vem criando modelos mais eficientes e preparados para os desafios da agricultura atual.


Rafael Santana e Bruno Soares, da Cargill Foto cedida: Cargill

Mundo Agro: Como a integração entre produtor, assistência técnica e indústria vem redefinindo o modelo de produção agrícola no Brasil?

Rafael Santana: Na tomaticultura voltada para a indústria, essa integração é fundamental para o sucesso do sistema produtivo. Diferente de outras cadeias, a indústria de processamento tem uma capacidade de absorção limitada, o que exige um planejamento extremamente assertivo da produção.


A integração envolve todas as etapas do processo — desde o planejamento de plantio, passando pela condução técnica da lavoura, até a programação de colheita. Com produtor, assistência técnica e indústria atuando de forma alinhada, é possível ajustar volumes, períodos e padrões de qualidade, garantindo eficiência operacional, previsibilidade e redução de riscos para toda a cadeia.

Mundo Agro: O que diferencia uma parceria comercial de uma parceria estratégica no campo atualmente?


Rafael Santana: A parceria comercial está centrada basicamente na negociação de produtos e insumos. Já a parceria estratégica envolve um relacionamento contínuo, com acompanhamento técnico, troca de conhecimento e construção conjunta de resultados.

Nesse modelo, produtor e indústria compartilham metas claras de produtividade, qualidade e sustentabilidade, criando uma relação de longo prazo baseada em confiança, planejamento e evolução constante do sistema produtivo. A Cargill busca trabalhar com parcerias estratégicas em todos seus segmentos.


Mundo Agro: Na prática, como essa atuação conjunta impacta a tomada de decisão dentro da fazenda?

Bruno Soares: Essa atuação conjunta une a experiência do produtor — que conhece profundamente sua propriedade, seus equipamentos e sua equipe — ao conhecimento técnico dos consultores. Essa combinação gera informações qualificadas e um monitoramento constante da lavoura. Com isso, as decisões passam a ser mais embasadas, reduzindo incertezas e permitindo ajustes rápidos e precisos no manejo. O resultado é maior assertividade ao longo de todo o ciclo produtivo e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

Mundo Agro: Quais ganhos concretos o produtor percebe ao longo da safra com o acompanhamento técnico contínuo?

Bruno Soares: O principal diferencial está na relação de longo prazo entre o produtor e o time técnico da indústria. Essa proximidade constrói confiança e, ao longo do tempo, gera um banco de dados específico para cada propriedade. Com esse histórico, é possível tomar decisões mais assertivas em diferentes situações, ajustar manejos com maior precisão e alcançar melhores resultados produtivos e econômicos safra após safra.

Mundo Agro: De que forma a rastreabilidade e o alinhamento com a indústria agregam valor ao produto final?

Rafael Santana: A rastreabilidade permite acompanhar toda a jornada do tomate, desde o plantio até o processamento na indústria, garantindo transparência, controle e segurança em cada etapa. Esse acompanhamento começa na escolha das sementes, passa pela análise de solo, manejo em campo e monitoramento técnico contínuo, e segue até a classificação da matéria-prima na chegada à fábrica.

Além disso, o alinhamento com a indústria direciona a produção para atender requisitos específicos de processamento, aumentando o rendimento industrial e reduzindo perdas. Esse modelo integrado também favorece uma logística mais eficiente, com produtores próximos às plantas industriais, reduzindo tempo de transporte e contribuindo para uma operação muito mais sustentável.

Mundo Agro: Onde estão atualmente as principais perdas na cadeia do tomate e como o manejo técnico tem atuado para reduzi-las?

Bruno Soares: As principais perdas estão relacionadas à incidência de pragas e doenças, falhas no planejamento de colheita e aos efeitos das condições climáticas. O manejo técnico tem atuado de forma preventiva para reduzir esses impactos, desde a escolha de híbridos mais resistentes até a adoção de técnicas como plantio direto, que ajuda a minimizar os efeitos climáticos. Além disso, um planejamento mais eficiente das janelas de plantio e colheita contribui para reduzir perdas e melhorar o aproveitamento da produção.

Mundo Agro: Quais práticas têm se mostrado mais eficientes para aumentar a produtividade sem ampliar custos?

Bruno Soares: Além do uso racional de insumos, o manejo integrado de pragas e doenças e o monitoramento constante da lavoura são práticas essenciais. Outro fator importante é o desenvolvimento contínuo de híbridos mais produtivos e adaptados às condições locais, o que tem proporcionado ganhos relevantes de produtividade sem aumento proporcional dos custos de produção.

Mundo Agro: De que forma o acompanhamento técnico ajuda o produtor a se adaptar às mudanças climáticas?

Bruno Soares: A assistência técnica orienta o produtor em ajustes no calendário de plantio, na escolha de variedades mais adaptadas e na adoção de estratégias de manejo, como plantio direto e plantio em nível. Essas práticas aumentam a resiliência do sistema produtivo, preparando a lavoura para lidar com variações climáticas cada vez mais frequentes e intensas.

Mundo Agro: Como os dados e o monitoramento em campo estão mudando a forma de produzir tomate?

Rafael Santana: Os dados e o monitoramento em campo permitem uma gestão mais integrada da cadeia produtiva, conectando diretamente o que acontece na lavoura com as demandas da indústria. Com informações em tempo real, é possível antecipar desvios, orientar o produtor com precisão e ajustar o manejo ao longo do ciclo.

Isso garante maior previsibilidade de volume, padrão de qualidade e eficiência operacional, trazendo mais segurança tanto para o produtor quanto para a indústria, tornando todo o processo mais coordenado, do plantio à entrega.

Mundo Agro: O que mudou na rotina da fazenda após a adoção desse modelo integrado?

Bruno Soares: A rotina da fazenda se tornou mais estruturada e baseada em planejamento. Houve aumento na frequência de acompanhamento técnico, maior registro e análise de informações e uma interação mais constante com especialistas ao longo da safra, o que profissionalizou a gestão da propriedade.

Mundo Agro: Quais foram os principais desafios no início dessa parceria?

Rafael Santana: Os principais desafios estão ligados à adaptação a um novo modelo de gestão, à adoção de tecnologias e à mudança de cultura no campo. Esse processo exige aprendizado e ajustes iniciais, mas, com o tempo, os resultados positivos ajudam a consolidar o modelo e fortalecer a parceria.

Mundo Agro: Atualmente, o que traz mais segurança para o produtor: mercado, tecnologia ou assistência técnica?

Rafael Santana: A segurança vem da combinação desses fatores, mas a assistência técnica tem um papel central. Ela é o elo que conecta mercado e tecnologia à realidade do campo, transformando informações e ferramentas em decisões práticas, mais seguras e consistentes para o produtor.

Mundo Agro: Como a integração com o campo impacta a qualidade da matéria-prima que chega à indústria?

Rafael Santana: A integração permite um acompanhamento próximo desde o plantio, garantindo maior uniformidade e padrão dos frutos já na origem. Com orientação técnica contínua e alinhamento às exigências da indústria, é possível reduzir variações na matéria-prima, melhorar o rendimento no processamento e assegurar maior consistência na qualidade do produto final.

Mundo Agro: Quais são os principais gargalos na produção de tomate que ainda precisam ser superados no Brasil?

Bruno Soares: Os principais gargalos envolvem a variabilidade climática e os elevados custos de produção, especialmente de fertilizantes e sementes. Outro desafio importante é ampliar o número de produtores especializados na tomaticultura, com foco na atividade como principal negócio, o que contribui para maior profissionalização, escala e eficiência da cadeia.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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