Entre folhas, raízes e clones, a ciência por trás do cacau
Produtores combinam manejo do solo, genética e diversidade para construir lavouras mais produtivas e resilientes
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Debaixo dos cacaueiros, o que parece ser apenas um chão coberto de folhas é, na verdade, parte importante da produção.
As folhas que caem das árvores formam uma camada de matéria orgânica que protege o solo e alimenta a vida existente ali. É um ciclo natural que ajuda a manter o solo protegido e saudável.
“Se você tirar as folhas, vai conseguir ver as raízes do próprio cacaueiro se alimentando desse material em decomposição”, explicou Ivã Arancibia, coordenador de agricultura para cacau na Nestlé.
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No Espírito Santo é comum encontrar o cultivo de cacau com coco e açaí. A combinação de espécies permite ocupar melhor o espaço da propriedade e faz parte de uma estratégia de diversificação da produção.
A cobertura permanente do solo e a diversidade de plantas estão entre as práticas associadas à agricultura regenerativa, modelo de manejo que busca recuperar e conservar a saúde do solo.
Outro ponto importante da cacauicultura brasileira está na genética. Muitas lavouras são formadas por plantas enxertadas. A técnica permite reunir características de materiais diferentes em uma mesma planta.

Primeiro, é produzida a muda a partir de uma semente. Depois que ela desenvolve o sistema radicular, recebe a enxertia com um material clonal selecionado. O porta-enxerto fica responsável pelas raízes, enquanto a outra parte vem de uma planta escolhida por características como produtividade e tolerância a doenças.
No cacau, essa seleção ganhou ainda mais importância depois da chegada da vassoura-de-bruxa. A doença provocou uma forte queda na produção brasileira. O país, que já esteve entre os maiores produtores mundiais, precisou buscar alternativas para recuperar as lavouras. A seleção de materiais mais tolerantes à doença foi uma das estratégias adotadas nesse processo.

A produção de cacau não termina quando o fruto é retirado do pé. Depois da colheita, os frutos são quebrados e as sementes seguem para a fermentação, etapa fundamental para a formação das características de qualidade do cacau.

As amêndoas permanecem em fermentação por cerca de sete dias. Depois, seguem para a secagem, que pode ser feita em estufa ou em barcaça.
A estrutura da barcaça é vazada para permitir a circulação do ar por baixo e ao redor das amêndoas. A altura também ajuda a manter o produto afastado da umidade do solo.

Dependendo das condições climáticas, a secagem pode levar aproximadamente outros sete dias. É nesse momento que a semente passa a ser chamada de amêndoa de cacau.
No interior dela está o cotilédone, a parte da semente que concentra componentes que, após a fermentação, a secagem e a torra, vão contribuir para formar o cacau utilizado na fabricação de chocolate.

Do campo à indústria, são várias etapas. E muitas delas começam muito antes da colheita: na escolha do material genético, na forma de cultivar, na proteção do solo e até na maneira como diferentes espécies são combinadas dentro da propriedade.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Nestlé*
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