Importações de alimentos italianos crescem 7% e reforçam vínculo com o mercado brasileiro
É o sabor da Itália conquistando, a cada dia, o paladar dos consumidores com massas, vinhos, azeites e outros produtos

As importações brasileiras de alimentos italianos cresceram 7%, alcançando cerca de US$ 386 milhões, refletindo o crescente apetite dos brasileiros por produtos autênticos da Itália.
Em conversa com Mundo Agro durante o Festival Apas Show, realizado nesta semana em São Paulo, Ronaldo Padovani, Analista de Negócios do ICE - Agência para a Internacionalização das Empresas Italianas, do Departamento para a Promoção de Intercâmbio da Embaixada da Itália, destacou que esse crescimento é impulsionado por uma combinação de fatores. Entre eles, o fortalecimento do hábito de cozinhar em casa durante a pandemia e a popularização de itens tradicionais italianos, como massas e vinhos.
Além disso, a forte presença de descendentes de italianos no Brasil tem desempenhado um papel fundamental na consolidação dessa demanda, aprofundando o vínculo cultural entre os dois países.
A Itália segue expandindo sua oferta de alimentos no mercado brasileiro, atendendo diferentes faixas de consumidores e ampliando sua presença no país.

Mundo Agro: Como você avalia o crescimento das importações brasileiras de alimentos e bebidas italianas em 2024? Quais fatores contribuíram para esse aumento?
Ronaldo Padovani: As importações brasileiras de alimentos e bebidas cresceram cerca de 7% em 2024, passando de 362 milhões de dólares para 385, 386 milhões de dólares. É um crescimento constante que vem se confirmando ao longo dos anos, pelo menos desde 2020, com a história da pandemia, quando os consumidores começaram a sair menos, cozinhavam mais em casa, se envolveram um pouco nessa arte da culinária e aprenderam — ou reaprenderam — os sabores dos produtos italianos.
E é um pouco de tudo isso que a gente viu nessa participação do Festival Apas Show. Algumas categorias, é claro, têm desempenhado um pouco melhor, outras um pouco menos. Massas, em particular, tiveram um crescimento grande no ano passado e, muito provavelmente, em 2025 esse número vai ser reconfirmado, se não superado, porque massas estão entre as categorias de produtos italianos que tiveram isenção de imposto de importação, para contenção de processo inflacionário aqui no Brasil. Entre outros fatores, os produtos italianos acabam se beneficiando dessa onda.
E essa vinda maciça de italianos — que hoje somam cerca de 32 milhões de descendentes, uma importante parcela da população brasileira — acabou influenciando no gosto do brasileiro, no vocabulário também, mas no gosto do brasileiro, que, em muitas regiões do país, é absolutamente impensável você passar um final de semana, um domingo, sem comer uma massa, em alguns lugares sem tomar um vinho, sem comer um panetone no final do ano. Hoje em dia, a gente não consegue pensar em tomate, em pelado, sem pensar em italiano; em passata, sem pensar em italiano. E são termos que não fazem parte do vocabulário português usado aqui no Brasil, falado aqui no Brasil. São termos que já foram introjetados no nosso vocabulário.
Mundo Agro: Sabemos que a Itália é reconhecida mundialmente pela qualidade de seus produtos com denominação de origem. Qual a importância dessa certificação para o mercado brasileiro?
Ronaldo Padovani: É uma cozinha muito rica de ingredientes, de tradições de grande qualidade, confirmadas também pelo número de certificados de qualidade e denominação que existem, tanto entre alimentos quanto vinhos. São 327 alimentos com denominação de origem e outros 420 vinhos.
Certificados esses que comprovam, de certa forma, a alta qualidade dos produtos italianos, a singularidade desses produtos, a impossibilidade de eles serem copiados ou repetidos, porque são muito exatamente vinculados ao território onde são produzidos — a histórias, ao povo, ao clima, ao solo — fatores que não seriam possíveis de serem reproduzidos no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. De maneira tal que, se alguém quer provar a verdadeira gastronomia italiana, não basta fazer a receita A ou B — ela tem que fazer a receita A ou B utilizando os ingredientes trazidos da Itália.
Mundo Agro: A Itália é famosa pela diversidade de suas regiões e seus produtos alimentícios. Como a variedade regional influencia na oferta de alimentos italianos no mercado brasileiro?
Ronaldo Padovani: A gastronomia italiana é o resultado da gastronomia de suas diversas regiões, de suas 20 regiões e suas microrregiões, que foram criadas e desenvolvidas ao longo dos séculos através de fatores históricos. Sabores foram trazidos para o Brasil ao longo do processo de imigração em anos sucessivos. O processo de imigração comemorou 150 anos no ano passado em São Paulo e 150 anos no Rio Grande do Sul neste ano. São sabores muito marcantes, muito intensos, muito particulares, muito ligados ao território e que, exatamente por isso, fazem com que a Itália — a cozinha italiana, a gastronomia italiana — possa ser candidata a patrimônio da UNESCO, coisa que deve se confirmar proximamente.
Mundo Agro: A ICE - Agência para a internacionalização das empresas italianas, do Departamento para a Promoção de Intercâmbio da Embaixada da Itália- desempenha um papel importante na promoção de produtos italianos no exterior. Quais são as ações da agência para impulsionar as exportações para o Brasil e outros mercados?
Ronaldo Padovani: A função do ICE é promover os produtos, serviços e tecnologias italianos no exterior, e também atrair investimentos estrangeiros para a Itália. Realiza isso há quase 100 anos. O ICE foi criado em 1926 e completa 100 anos no ano que vem.
Está aqui no Brasil há cerca de 60 anos e está presente em quase 80, 85 países. Sempre com essa função de levar os produtos, os sabores, as experiências, as tecnologias, os serviços italianos que a Itália tem de melhor para os países onde esses escritórios estão presentes.
Isso é realizado de uma forma bastante variada, entre elas a participação em feiras e eventos no exterior, como no caso da feira APAS, como foi o caso da feira Wine South America. A gente também leva compradores, empresários brasileiros e estrangeiros, de uma maneira geral, para visitar as nossas feiras, os nossos industriais na Itália, para conhecerem de perto essas experiências.
São realizadas também campanhas promocionais, acordos com redes de supermercados, com e-commerce, para levar com mais facilidade e pluralidade os produtos italianos — bens de consumo, nesse caso — para o consumidor final.
No Brasil, nós já temos três acordos fechados. Outros dois devem ser concluídos ainda este ano. A mídia vai saber disso muito em breve — alguns ainda estão em via de assinatura, então a gente não pode ainda divulgar.
Mas já existe o acordo com o Comper, uma das mais importantes redes de supermercados do Centro-Oeste brasileiro, já em atividade, que deve levar muitos produtos novos para as redes do Centro-Oeste onde está presente; uma Casa Santa Luzia aqui em São Paulo; um festival no Paraná; e diversos outros no forno para trazer cada vez mais produtos e experiências italianas para o mercado brasileiro.
Existem também cursos de formação, missões de jornalistas do Brasil e de outras partes do mundo para a Itália, para conhecer de perto essas tecnologias e essas experiências. Enfim, a multiplicidade de atividades é bastante intensa e, em determinados momentos do ano, os brasileiros, no nosso caso, ouvem muito: “Itália aqui, Itália ali” — uma hora Itália com bens de consumo, outra hora Itália com bens de capital. A Itália realmente está presente em todos os segmentos, na liga do setor, em vários segmentos industriais. E a nossa função é realmente levar essa produtividade para o mercado brasileiro.
Mundo Agro: Com a crescente demanda por produtos italianos, qual o perfil dos consumidores brasileiros que mais buscam esses itens, e como as empresas italianas estão adaptando suas ofertas a esse mercado?
Ronaldo Padovani: São os brasileiros que estão descobrindo cada vez mais os sabores italianos e, de alguma forma, se adaptando ou redescobrindo esses sabores. Como eu disse anteriormente, são inúmeros: vários tipos de massas, de sabores, de produtos e experiências — doces, snacks, produtos frescos, congelados, massas frescas, massas secas, tomates, azeites, vinagres, arrozes...
Quando eu era pequeno, 30, 40 anos atrás, era impensável fazer risoto com arroz arbóreo. São coisas que foram introduzidas na cultura brasileira. Hoje em dia, é absolutamente impensável, em determinada faixa da população, fazer risoto sem usar esses tipos de arroz — que são produzidos somente na Itália. A oferta italiana não se limita apenas à variedade de produtos, nem a uma classe específica da população brasileira que pode comprar produto importado.
Existem produtos de todas as categorias: produtos de entrada, mais econômicos, sempre com qualidade — alguns feitos artesanalmente, mas em escala industrial — que permitem redução de custos e introdução nas redes de supermercado de todos os tipos. Temos também os produtos premium, voltados a uma faixa mais exigente, mais jovem, digamos assim, da população brasileira.
Mas os produtos italianos estão disponíveis em todos os cantos, das redes mais simples às mais nobres. O consumidor demanda isso. E o fornecedor italiano está à disposição para satisfazer essa demanda, essa curiosidade do mercado brasileiro.
O consumidor brasileiro é muito curioso, busca sempre novidades. E a Itália tem uma multiplicidade, uma infinidade de produtos à disposição. É uma das poucas do mundo com essa capacidade de satisfazer o brasileiro. Por mais que ele vá à Itália, por mais que prove os sabores nos inúmeros restaurantes italianos aqui no Brasil, ele nunca vai conseguir esgotar a oferta de produtos e sabores italianos à disposição.
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