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O chamado do campo: quando as raízes ainda estão esperando pela volta

O cacau representa a possibilidade de manter a produção integrada ao ambiente e, ao mesmo tempo, entregar qualidade

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Evandro Guimarães e Rosana Pandolfo conduzem a centenária Fazenda Oscar Pestana, mantendo a tradição familiar na produção de cacau.
  • A fazenda utiliza o sistema cabruca, integrando a produção de cacau com a preservação de árvores nativas, algumas com até 500 anos.
  • Rosana, após se afastar do campo para estudar, retornou à agricultura, apaixonando-se pelo cultivo de cacau e pela sustentabilidade.
  • A Fazenda Oscar Pestana participa do Nestlé Cocoa Plan, focando em práticas sustentáveis e viabilidade econômica, destacando-se na cadeia produtiva do chocolate.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Rosana e Evandro Guimarães, da Fazenda Oscar Pestana, em Linhares (ES) Foto cedida: Nestlé

Às margens do Rio Doce, Evandro Guimarães e Rosana Pandolfo conduzem a Fazenda Oscar Pestana, uma propriedade que carrega mais de um século de ligação com a cultura.

A história começou por volta de 1920, quando o bisavô de Evandro chegou a Linhares ainda jovem, solteiro e formado em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia. Veio para a região por meio de um projeto de incentivo à agricultura e acabou construindo ali a própria família.

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As gerações seguintes deram continuidade ao trabalho. O avô de Evandro, segundo ele, também teve papel importante na organização da propriedade. Na década de 1960, quando a mão de obra ainda era abundante, já pensava em como preparar a fazenda para um futuro em que ela poderia se tornar mais escassa.

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Abriu ruas para facilitar o escoamento da produção, organizou talhões e buscou reduzir o esforço dos trabalhadores no transporte da carga. Uma forma de planejamento que, décadas depois, ainda pode ser percebida na estrutura da propriedade.

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Mas há algo que diferencia essa história: a floresta nunca deixou de fazer parte da produção.

O cacau é cultivado em sistema cabruca, em meio às árvores nativas. Segundo Evandro, algumas áreas foram preservadas desde o início da ocupação da propriedade, mantendo árvores que hoje têm centenas de anos.

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“Tem árvores com 500 anos. Árvores milenares. Tem árvore que precisa de sete pessoas para abraçar”, disse.

Para ele, o cultivo do cacau mostra que produção e conservação não precisam necessariamente seguir caminhos opostos. “Quando a gente entra dentro da plantação de cacau, vê que é possível equilibrar agricultura e ambiente, manter o universo funcionando e dar o resultado do chocolate de qualidade”, pontuou.

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A história do Evandro e de sua esposa, Rosana, também passa por um afastamento do campo. Ela não nasceu em uma família tradicionalmente ligada ao cacau, mas cresceu em uma família de agricultores. Assim como aconteceu com muitos filhos de produtores, ela e os irmãos deixaram a propriedade para estudar e buscar oportunidades fora da agricultura.

“Mandaram os filhos para fora porque o trabalho na roça era muito sofrido. Fomos para o mercado, estudamos. Chegou um momento em que a gente olhou e perguntou: quem é a gente? O que a gente está fazendo aqui?”.

A resposta foi voltar. Rosana retornou à propriedade ao lado de Evandro e passou a fazer parte da equipe que conduz a fazenda.

“Eu estou no cacau há pouco tempo, mas totalmente apaixonada. Larguei aquela carreira lá atrás e hoje estou dentro de uma propriedade, dentro de um viveiro”, disse Rosana.

O retorno também mudou a forma como ela enxerga a própria atividade. Para ela, o cacau representa mais do que agricultura. É a possibilidade de manter a produção integrada ao ambiente e, ao mesmo tempo, entregar qualidade.

Produzir, preservar e cuidar

Na Fazenda Oscar Pestana, esse equilíbrio é traduzido pela família em três dimensões: social, ambiental e econômica.

“O social é dar dignidade, qualidade de vida para o produtor e para os nossos parceiros. O ambiental é preservar não só a floresta, mas a água. E o econômico é ter viabilidade, condição econômica para manter a árvore em pé”, reiterou Evandro.

A busca por uma produção mais sustentável passa também pela redução do uso de insumos químicos e pelo aumento do uso de matéria orgânica e de alternativas biológicas.

A propriedade participa do Nestlé Cocoa Plan, iniciativa que inclui acompanhamento das práticas de produção e assistência técnica aos produtores, com foco em produtividade e rentabilidade.

Para a família, sustentabilidade não pode ser dissociada da viabilidade econômica. Preservar a floresta também significa garantir que a atividade continue fazendo sentido para quem vive dela.

“É uma questão de preservação e cuidado com as pessoas”, resumiu Evandro.

Essa história ganhou ainda uma dimensão simbólica com a presença da família na tradicional caixa amarela de bombons.

“Sou capixaba, nasci em Linhares, cresci vendo a caixinha amarela. E hoje estar com a nossa foto impressa na caixa é uma coisa que marca muito a gente”, disse sorrindo Evandro.

A imagem aproxima quem está na cidade de quem está no campo. E ajuda a revelar uma parte da cadeia que normalmente fica escondida atrás do produto pronto.

Porque, antes de chegar à fábrica e virar chocolate, o cacau passou por uma lavoura. E, naquela lavoura, havia árvores, solo, trabalho, conhecimento e uma família inteira cuidando para que aquela história continuasse.

Assista à história completa no Canal Mundo Agro

*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Nestlé*

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