Recuperação da safra impulsiona recorde nas exportações de frutas brasileiras
Maior oferta interna e demanda europeia aquecida sustentaram crescimento mesmo diante de tarifa

A recuperação da produção nacional foi o principal motor do recorde das exportações brasileiras de frutas em 2025. Com maior disponibilidade de safra e demanda consistente da União Europeia, o setor conseguiu ampliar embarques mesmo em um cenário de aumento de tarifas em alguns mercados.
Em entrevista ao Mundo Agro, Marina Marangon analisou os fatores que explicam o desempenho, os produtos que lideraram o crescimento e as perspectivas para o setor.

Mundo Agro: O que explica o recorde das exportações de frutas?
Marina Marangon: O principal fator foi a recuperação da produção nacional. Tivemos uma safra maior, com aumento da oferta, o que amplia naturalmente a disponibilidade para exportação. Além disso, a demanda da União Europeia permaneceu forte e ajudou a compensar parcialmente as perdas causadas pelo aumento de tarifas em outros mercados.
Mundo Agro: Quais frutas puxaram esse crescimento?
Marina Marangon: Os principais destaques foram manga, melão, limão, melancia e uva. Todas apresentaram crescimento em volume exportado. Esses produtos lideraram o avanço das exportações no período analisado.
Mundo Agro: O crescimento indica ganho de competitividade?
Marina Marangon: É uma questão mais complexa. Uma safra maior aumenta a produção e a oferta, mas isso não significa necessariamente ganho de competitividade. O Brasil já possui boa competitividade, especialmente no mercado da União Europeia.
O que pode ter ocorrido é um avanço no acesso a novos mercados. No caso do limão, por exemplo, houve embarques para destinos como Malásia e Cazaquistão, o que amplia a presença internacional.
Mundo Agro: Como o setor conseguiu crescer mesmo com o aumento de tarifas?
Marina Marangon: O Brasil não é altamente dependente dos Estados Unidos para a maioria das frutas. No caso da uva, por exemplo, houve redirecionamento de volumes para mercados como Mercosul e União Europeia.
Para a manga, o redirecionamento é mais difícil por conta das variedades específicas, mas a demanda europeia — que já é o principal destino — permaneceu aquecida.
Mundo Agro: A recuperação da produção foi determinante?
Marina Marangon: Sim. Produzir bem é fundamental para exportar. Avanços em produtividade, tecnologia e qualidade variam de acordo com a região, mas o Brasil já conta com polos consolidados de fruticultura irrigada.
O Vale do São Francisco é referência em manga e uva. Já o Rio Grande do Norte, especialmente a região de Mossoró, se destaca na produção de melão. Esses polos utilizam tecnologia e apresentam padrão elevado de qualidade, embora fatores climáticos continuem influenciando produtividade e resultados.
Mundo Agro: Quais regiões mais se destacam?
Marina Marangon:
Vale do São Francisco – manga e uva
Ceará e Rio Grande do Norte – melão e melancia
São Paulo – limão
Mundo Agro: Quais são os principais desafios do setor?
Marina Marangon: O aumento de tarifas foi um dos principais desafios recentes. No entanto, para frutas como manga e outras tropicais, as tarifas já foram reduzidas em novembro.
A uva ainda exige atenção, pois a tarifa permanece.
Mundo Agro: Há risco de perda de mercado?
Marina Marangon: No momento, não há sinais claros de perda estrutural de mercado. A menor dependência dos Estados Unidos reduz o impacto das tarifas. O setor tem conseguido redirecionar volumes e manter mercados estratégicos.
Mundo Agro: Quais são as perspectivas para o setor?
Marina Marangon: As perspectivas são favoráveis. O Acordo Mercosul-União Europeia é visto como positivo, especialmente porque a União Europeia é o principal mercado consumidor das frutas brasileiras.
Se mantida a recuperação da produção e o acesso aos mercados, o ritmo de crescimento tende a continuar.
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