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Tal pai, tal bota: uma conexão entre gerações

Uma história de herança, afeto e um jeito interiorano de viver — que nunca sai da gente

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Tal pai, tal bota, tal filha e neto Foto: Arquivo pessoal

Quem é do interior, do mato, vai entender essa relação com a bota — ou “botina”. Ela faz parte da minha vida desde sempre.

O registro não é dos melhores. É uma foto antiga, revelada, tirada assim... meio sem jeito.


A minha primeira botina com 1 ano de idade Foto: Arquivo pessoal

Minha mãe sempre diz: “Ela protege os pés dos bichos e ainda deixa quentinho.”

E assim se passaram muitos anos, rs... Teve uma época, na faculdade, em que eu não tirava a botina dos pés. Modelos variados, mas sempre com aquele estilo country — mesmo no meio da cidade. Durante meus estágios na Rádio Cultura e na TV Bandeirantes, elas estavam lá comigo.


Eu já disse que o mato nunca saiu de mim — e é verdade.

A minha alma é do interior.


Alma do interior Foto: Arquivo pessoal

Em certo momento, deixei as botinas de lado. Foram substituídas por sapatos de salto, sandálias e tênis mais fashion. Mas elas nunca saíram do meu armário.

Quando meu filho nasceu, meu pai — que vivia viajando pelo Brasil e pelos EUA — logo tratou de trazer uma botina para o neto. E essa foi especial: veio de Rondonópolis, no Mato Grosso... A Rondocuro. Confesso que ele usou pouco. Mas agora, aos 14 anos, não tira dos pés quando estamos no mato. Essa aqui eu comprei numa loja agropecuária de Itu, SP. A botina Wrangler também não sai dos pés dele.


A primeira bota do Rafa e a atual Foto: Arquivo pessoal

Tem bota pra tudo: pra cavalgar, pra caminhar no mato, pra rodar pela cidade. Mas sempre tem aquela que carrega uma lembrança... e são essas que eu mais gosto.

Rafa e sua atual botina Foto: Arquivo pessoal

Como papai vivia numa empresa de mineração no interior de Minas Gerais, o que me vem à mente é sempre a botina, a picape ou caminhonete, quando ele chegava em São Paulo.

A volta da botina era a resposta: “Papai está em casa!” E o fim de semana seria cheio de churrasco e alegria.

Muitos anos se passaram. Outro dia, eu precisava de uma botina. E lá estava uma novinha: a dele, da Rondocouro — mesmo modelo que ele trouxe para meu filho quando era pequeno.

Olha elas aqui: tal mãe, tal filho.

Tal mãe, tal filho Foto: Arquivo pessoal

Neste Dia dos Pais, fica a lembrança: A botina do meu pai. A recomendação da minha mãe. E o legado de usar botas — ou botinas, como eu chamo.

Porque, no fim das contas, o que importa não é a data.

É o amor, o carinho e os momentos mágicos que ficam para sempre na memória.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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