Tal pai, tal bota: uma conexão entre gerações
Uma história de herança, afeto e um jeito interiorano de viver — que nunca sai da gente

Quem é do interior, do mato, vai entender essa relação com a bota — ou “botina”. Ela faz parte da minha vida desde sempre.
O registro não é dos melhores. É uma foto antiga, revelada, tirada assim... meio sem jeito.

Minha mãe sempre diz: “Ela protege os pés dos bichos e ainda deixa quentinho.”
E assim se passaram muitos anos, rs... Teve uma época, na faculdade, em que eu não tirava a botina dos pés. Modelos variados, mas sempre com aquele estilo country — mesmo no meio da cidade. Durante meus estágios na Rádio Cultura e na TV Bandeirantes, elas estavam lá comigo.
Eu já disse que o mato nunca saiu de mim — e é verdade.
A minha alma é do interior.

Em certo momento, deixei as botinas de lado. Foram substituídas por sapatos de salto, sandálias e tênis mais fashion. Mas elas nunca saíram do meu armário.
Quando meu filho nasceu, meu pai — que vivia viajando pelo Brasil e pelos EUA — logo tratou de trazer uma botina para o neto. E essa foi especial: veio de Rondonópolis, no Mato Grosso... A Rondocuro. Confesso que ele usou pouco. Mas agora, aos 14 anos, não tira dos pés quando estamos no mato. Essa aqui eu comprei numa loja agropecuária de Itu, SP. A botina Wrangler também não sai dos pés dele.

Tem bota pra tudo: pra cavalgar, pra caminhar no mato, pra rodar pela cidade. Mas sempre tem aquela que carrega uma lembrança... e são essas que eu mais gosto.

Como papai vivia numa empresa de mineração no interior de Minas Gerais, o que me vem à mente é sempre a botina, a picape ou caminhonete, quando ele chegava em São Paulo.
A volta da botina era a resposta: “Papai está em casa!” E o fim de semana seria cheio de churrasco e alegria.
Muitos anos se passaram. Outro dia, eu precisava de uma botina. E lá estava uma novinha: a dele, da Rondocouro — mesmo modelo que ele trouxe para meu filho quando era pequeno.
Olha elas aqui: tal mãe, tal filho.

Neste Dia dos Pais, fica a lembrança: A botina do meu pai. A recomendação da minha mãe. E o legado de usar botas — ou botinas, como eu chamo.
Porque, no fim das contas, o que importa não é a data.
É o amor, o carinho e os momentos mágicos que ficam para sempre na memória.
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