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Ex-presidente da Febraban diz que Daniel Vorcaro tentou cooptá-lo

Mensagens no celular do banqueiro mostram que ele pagava ao menos R$ 50 mil em aluguel para Isaac Sidney, que alega a amigos desconhecer o pagamento

Natália Martins|Natália MartinsOpens in new window

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Conversas no celular de Daniel Vorcaro são investigadas pela PF
Conversas no celular de Daniel Vorcaro são investigadas pela PF Reprodução/RECORD

O ex-presidente da Febraban Isaac Sidney afirma que Daniel Vorcaro tentou cooptá-lo. Mensagens no celular do ex-banqueiro, investigadas pela Polícia Federal, citam pagamento de ao menos R$ 50 mil por aluguel de apartamento para Isaac, que alega a amigos que também pagava pelo mesmo aluguel R$ 15 mil e que não sabia da contra extra.

Segundo ele afirmou a amigos, o ex-banqueiro, preso desde março, tentou cooptá-lo. A defesa de Isaac nega que ele tenha solicitado, recebido ou oferecido qualquer vantagem indevida, assim como ter estabelecido contrapartidas ilícitas, ou utilizado suas atribuições profissionais ou institucionais para favorecer interesses particulares de Daniel Vorcaro ou de empresas a ele relacionadas.

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Para compreender a história entre Isaac Sidney e Daniel Vorcaro, é preciso voltar no tempo. Era 2018, quando Isaac abandonava o cargo de Procurador do Banco Central, vaga conquistada por meio de concurso público, para fazer carreira na iniciativa privada.

Isaac cumpriu quarentena de seis meses e então começou a atuar na advocacia. Foi no escritório do renomado Walfrido Warde que Isaac assumiu a missão de cuidar da situação jurídica do Banco Máxima. Isaac participou da transição da situação do Máxima e conseguiu dar a Vorcaro o controle do novo Banco Master.

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No pouco tempo que Isaac trabalhou para Vorcaro, precisou se mudar de Brasília para São Paulo, onde teve o aluguel pago pelo chefe. O salário cresceu e, com ele, a necessidade de um apartamento maior.

Vorcaro apresentou Isaac a Eduardo Barcellos de Carvalho, dono de um duplex de 410 m² em uma cobertura na Vila Olímpia, capital paulistana. Lá, Isaac fechou um contrato que previa pagamento de R$ 15 mil por mês de aluguel. Pagou, à vista, R$ 174 mil por um ano no imóvel.

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As mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro, no entanto, mostram que, em conversa com Eduardo, Vorcaro combinou um aluguel mensal de cerca de R$ 50 mil e pagou a diferença dos R$ 15 mil de Isaac.

Às pessoas próximas, Isaac conta que o dono do apartamento fez um bom negócio no valor do aluguel, por ser amigo do chefe. No celular de Vorcaro, no entanto, mensagens apontam que o banqueiro custeava cerca de R$ 50 mil por fora.

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Conversas do celular do banqueiro

Eduardo diz a Vorcaro, em resumo ao combinado: “Isaac paga 174 à vista e depois 6 meses de aluguel a 15k. Sobra pra você reposição de IR dos 18 meses a valor presente (53k) + 6 meses de 55k, + a diferença dos 50k pelos 15k do Isaac”, reforça o dono do apartamento.

Documento que está em investigação Reprodução

Compra do apartamento

Nesse apartamento Isaac morou por quase um ano de aluguel e, quando já estava na Febraban, decidiu comprá-lo. O valor de R$ 7,3 milhões foi pago em duas transferências. Uma entrada de R$ 1,8 milhão e outra de R$ 5,5 milhões, em novembro de 2020.

A de maior valor referente a um empréstimo que pegou com o Banco Master, com uma taxa de juros de 6,51% e carência de um ano para começar a pagar. Um ano depois, no entanto, Isaac quitou o saldo do empréstimo com ativos ao credor em substituição ao pagamento em dinheiro. Neste período já não trabalhava mais para o Master, mas para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), onde recebia salário de R$ 150 mil.

Documento em investigação Reprodução

Para amigos, o agora ex-presidente da Febraban afirma que só soube dos pagamentos extras feitos por Vorcaro após divulgações de mensagens do celular do banqueiro e que entendeu como uma tentativa de cooptá-lo futuramente, pois Vorcaro sabia que Isaac poderia ter cargo relevante na Febraban.

Publicamente, enquanto presidente da federação, Isaac teve postura de criticar a atuação do Master em “captações agressivas”. Enviou ofícios ao Banco Central desde 2025, alertando sobre riscos ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Em uma das notas, afirmou: “A Febraban tem manifestado sua preocupação com o excessivo e rápido crescimento da exposição do FGC a um conjunto de IFs dos segmentos S3 a S5″.

Master era classificado como S3, que significa que é uma instituição de menor porte dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Isaac conhece pessoalmente o ex-banqueiro, ouviu e participou de tratativas na transformação do banco Máxima em Master e hoje é alvo de investigação sigilosa, mas ainda não foi ouvido, nem como testemunha, nem como investigado.

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