PIB em queda significa mais pobreza para todos; entenda

Especialista Claudio Considera explica o que é o PIB e por que é importante que o país tenha crescimento

Só países ricos conseguem distribuir renda, diz pesquisador

Só países ricos conseguem distribuir renda, diz pesquisador

Pixabay

A economia brasileira encolheu 0,1% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com os três meses anteriores, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O novo resultado negativo do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos bens e serviços finais produzidos no país — põe o Brasil novamente em uma recessão técnica. A definição econômica é usada para descrever dois trimestres consecutivos de queda da atividade. Entre abril e junho, a economia nacional recuou 0,4%.

O que isso significa na prática?

Significa que o Brasil ficou mais pobre e que portanto as pessoas que moram no país também estão mais pobres, explica Claudio Considera, pesquisador associado do FGV Ibre.

E por que isso acontece?

Quando se mede o PIB, em última análise mede-se o que determinada sociedade produziu de riquezas. Se um país ficasse um ano inteiro sem produzir nada, por exemplo, seu PIB seria zero. Assim, quanto maior o resultado do PIB, melhor.

Você não pode pensar em distribuir o que você não tem. Sem dinheiro, não se faz nada. Sem ter um PIB elevado, o governo não arrecada e não consegue oferecer serviços à população

Claudio Considera

PIB em queda significa que a economia do país está fraca. PIB em crescimento significa que a economia está se fortalecendo e a produção se aquecendo. Com uma produção maior, há uma demanda maior por novos empregos. Pessoas empregadas passam a ter renda. E, quanto mais renda um país tem, melhor.

PIB per capita é o que interessa de verdade

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Mas Considera diz que o que importa mais ainda para analisar não é apenas o PIB, mas o PIB per capita, que é o valor do PIB dividido pela população do país.

Se a população do país cresce em um ritmo maior do que cresce o PIB, a mesma quantidade de dinheiro será dividida por um número maior de pessoas, o que vai resultar em menos dinheiro para todos.

Em 2020, o PIB brasileiro fechou o ano em R$ 7,5 trilhões. O PIB per capita foi de R$ 35.161,70 (dados de 2019). Grosso modo, é como se cada uma das pessoas do país tivesse essa renda durante o ano. Mas como o país tem uma grande desigualdade, uns recebem bem mais do que isso, e outros nem a metade.

Não dá para falar em distribuição de renda sem ter renda. Só países ricos conseguem distribuir renda

Claudio Considera, pesquisador do FGV Ibre

O que faria o Brasil sair da recessão?

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Segundo Claudio Considera, os motores de crescimento da economia são:

• o consumo das famílias;

• o investimento privado; e

• as exportações.

Até recentemente o governo tentou estimular o crescimento do PIB via redução da taxa de juros, para estimular o consumo das famílias. Essa fórmula por si só não funciona porque, com consumo aumentado sem que a produção cresça também, faltam produtos no mercado e a inflação sobe (o que já está acontecendo).

O investimento privado só é estimulado quando existe uma confiança dos investidores na política monetária e fiscal do país. A política monetária está ligada à taxa de juros, e a política fiscal está ligada ao controle dos gastos públicos. Quando um governo dá sinais de que não respeita seu teto de gastos, os investidores olham para o país com desconfiança da mesma forma que um banco olha com desconfiança para um cliente que gasta mais do que ganha do seu salário. Uma hora ele vai precisar de dinheiro e não vai ter mais como pagar.

As exportações são uma fonte importante de renda do país, mas nosso tipo de exportação movimenta pouco nossa economia, pois exportamos commodities, e não produtos finais, que empregariam mais gente.

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Ainda ficou com alguma dúvida? Envie suas perguntas para a coluna “O que é que eu faço, Sophia?” pelo e-mail sophiacamargo@r7.com.

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