Um terço dos consumidores não sabe quanto gasta no cartão

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra ainda que, em agosto, 25% não conseguiram pagar a fatura cheia 

Desemprego e queda da renda preocupam consumidores

Desemprego e queda da renda preocupam consumidores

Getty/Playbuzz

Um terço dos consumidores que usaram cartão de crédito em agosto não sabe quanto gastou e 25% não conseguiram pagar a fatura cheia e entraram no rotativo, mostra o Indicador de Uso do Crédito apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Entre os que se lembram o valor que desembolsaram, a fatura média foi de R$ 882.  Dos entrevistados, 74% pagaram o valor integral da fatura, mas este percentual cai para 64% nas classes C e D.

O levantamento constatou ainda que metade dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasaram, em algum momento, parcelas da dívida, sendo que 21% ainda estão com prestações pendentes.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a falta de disciplina no controle do orçamento acaba provocando uma desoganização tamanha que, em muitos casos, o consumidor precisa recorrer a renegociações que levam muitos meses para quitar, comprometendo parte do orçamento por um bom tempo.

"Uso do crédito exige cuidado e não pode funcionar como complemento da renda"
Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil

Dificuldade em ter crédito

A sondagem mostra também que quatro em cada dez consumidores  recorreram a algum tipo de crédito em agosto, número próximo da média dos últimos 12 meses.

A modalidade mais mencionada foi o cartão de crédito, citado por 35%. Em seguida, aparece o crediário (9%), o limite do cheque especial (7%) e os empréstimos (6%).

Mais da metade (52%) dos entrevistados afirmam encontrar dificuldade em obter empréstimos e financiamentos. Quem mais sofreu foram os consumidores das classes C e D.

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Corte de gastos é meta

A pesquisa avaliou a disponibilidade de cortar gastos e constatou que, para 55% dos entrevistados, a meta é diminuir as despesas em relação ao mês de agosto. Outros 36% sinalizaram manter o mesmo nível de gastos e apenas 5% relataram ter intenção de aumentar as despesas.

A principal razão para os cortes está ligada aos preços elevados praticados no mercado (33%). Os entrevistados citaram outros fatores:

— intenção de economizar (30%)

— desemprego (20%)

— endividamento (14%)

— queda da renda (12%)

— desejo de fazer reserva financeira (11%)

— gastos maiores no mês anterior (9%)

Sem dinheiro pra poupar

A pesquisa ainda mostra que oito em cada dez consumidores (82%) estão no limite do orçamento, sendo que 44% mostraram-se no zero a zero e 38% no vermelho — sem recursos suficientes para pagar todas as contas.

Os principais motivos foram preços altos (49%), queda da renda (25%), perda do emprego (23%) e descontrole dos gastos (13%)

Metodologia

A pesquisa abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. 

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