Veja quatro dicas para usar bem a 1ª parcela do 13º salário
O que é que eu faço Sophia|Sophia Camargo

Quem trabalha com carteira assinada deve receber até esta quinta-feira (30) a primeira parcela do 13º salário. O que fazer com este dinheiro extra?
A recepcionista Verônica Gomes dos Santos, de 43 anos, já tem a resposta. “Quitar a dívida do cartão de crédito e guardar o resto para uma poupança de emergência”, diz.
Recentemente, Verônica ficou um mês sem pagar o cartão de crédito porque teve um imprevisto: a mãe ficou doente, ela precisou comprar remédios e não sobrou dinheiro para pagar a fatura integral do cartão.
“Como fiquei sem pagar, o cartão fez um acordo e dividiu em seis vezes a dívida. Mas agora vou aproveitar o 13º para quitar tudo e começar uma poupança, não quero mais ficar sem dinheiro se precisar”, diz.

A professora Andrea Piccinin, de 44 anos, ao contrário, sempre foi muito prevenida.
Costuma guardar, todo ano, metade do 13º que recebe. Esse ano, porém, não poderá fazer o mesmo.
"A situação está mais difícil e vou ter de usar o dinheiro para pagar contas", diz.
Otimismo demais prejudica brasileiro, diz especialista
A recepcionista Verônica está fazendo o melhor uso possível do 13º salário, segundo Thiago Alvarez, presidente do GuiaBolso.
“A primeira recomendação é pagar dívidas caras, como cartão de crédito e cheque especial. A segunda é criar uma reserva de emergência”, diz.
Segundo ele, o brasileiro precisa aprender ainda a importância dessa reserva, pois costuma ser excessivamente otimista, superestimando em cerca de 10% a renda que tem e acreditando que nunca vai acontecer um imprevisto ou algo de mau.
“Os maiores motivos para inadimplência são perda de emprego e doença na família, mas o brasileiro não se prepara para isso por ser muito otimista. Dessa forma, gasta todo o dinheiro que ganha acreditando que sempre terá mais. O décimo terceiro representa bem isso: as pessoas ficam felizes com o dinheiro em dezembro, saem gastando, e se esquecem de que em janeiro terão muitos gastos. Por isso a inadimplência é tradicionalmente alta no início do ano”, diz.
Veja, a seguir, mais dicas de Alvarez, do GuiaBolso; de Miguel Ribeiro Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade); de Fábio Barbalho, da consultoria Ponto C; e de Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos:
1) Livre-se das dívidas
Se estiver endividado com o rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial, faça como a Verônica e use o dinheiro para tirar essa dívida da frente. Essas dívidas embutem os maiores juros do mercado: na média, atingem 12,89% ao mês (cartão) e 12,33% ao mês (cheque especial), segundo levantamento da Anefac em outubro.
Se não estiver endividado no cartão, mas tiver outras dívidas que estão atrapalhando o orçamento, aproveite o dinheiro extra para quitar ou renegociar as parcelas, lembrando de não comprometer mais do que 25% da renda líquida com prestações.
2) Guarde para janeiro
Se dezembro é mês de sentir rico pelo salário em dobro, janeiro é mês de se sentir miserável pela quantidade de boletos que aparecem para pagar: IPTU, IPVA, material e uniforme escolar, viagem de férias, dívidas do Natal...
Quitadas as dívidas, lembre-se de tentar reservar os valores necessários para as despesas de começo do ano (IPTU, IPVA e de despesas escolares (livros, uniformes e matriculas), além das compras de Natal (cheques pré-datados e cartão de crédito) para evitar entrar novamente no vermelho no começo do próximo ano

3) Crie uma reserva de emergência
Segundo Alvarez, o 13º é um excelente momento para criar a reserva de emergência, que tem por objetivo salvar as finanças da casa.
Esse dinheiro só deve ser usado para emergências mesmo, como aconteceu com a Verônica quando sua mãe ficou doente.
Perda de emprego, um conserto inesperado na casa, doenças na família podem arruinar as contas e obrigar a pegar empréstimos que depois são difíceis de serem pagos.
Poupe até obter o equivalente a seis meses das despesas da casa e aplique em um investimento que permita sacar imediatamente, como poupança, Tesouro Selic ou CDB de resgate diário, recomenda Roberto Indech.
4) Invista
Se está sem dívidas, já tem uma reserva de emergência e se programou para pagar as despesas de janeiro, pode usar o 13º para engordar os investimentos para realizar os sonhos, como aposentar-se com dinheiro, fazer a viagem de férias ou trocar o carro.
Veja as recomendações de Roberto Indech:
- Para aplicações com prazo curto (até um ano), ele recomenda o Tesouro Selic, que tem rendimento superior à poupança, CDBs de bancos médios que pagam até 120% do CDI e têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos.
- Para aplicações com prazo superior a um ano, Indech sugere investir em CDBs de prazo mais longo e fundos multimercados.
- Para aplicações acima de cinco anos, uma sugestão é o Tesouro IPCA +, papel que protege contra a inflação e ainda paga uma taxa de juros. Neste caso, porém, é preciso respeitar o prazo do investimento, pois, se sacar antes, pode perder bastante dinheiro.
Se ainda tiver mais dúvidas sobre economia, dinheiro, direitos e tudo mais que mexe com o seu bolso, envie suas perguntas para “O que é que eu faço, Sophia?” pelo e-mail sophiacamargo@r7.com
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