Eleição no Amapá testa força política de Alcolumbre no estado
Candidato apoiado pelo presidente do Senado chega à reta final bem atrás; a dois dias do 1º turno, Alcolumbre pautou o fim da escala 6x1
R7 Planalto|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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A eleição para o governo do Amapá se transformou em um teste para a influência política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), em seu próprio estado. O governador Clécio Luís (União), candidato à reeleição e apoiado pelo senador, aparece bem atrás do ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD), que pode vencer a disputa já neste domingo (4).
O cenário chama atenção pelo tamanho da aliança construída em torno de Clécio. O palanque reúne grupos que tradicionalmente estiveram em lados diferentes da política amapaense e tem Alcolumbre como um de seus principais fiadores.
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Ao lado dele estão nomes como o ministro da Integração, Waldez Góes (PDT), o senador Randolfe Rodrigues (PT) e o ex-governador Camilo Capiberibe (PSB), além de partidos de esquerda, centro e direita.
Mesmo assim, a pesquisa mais recente do Real Time Big Data mostra Furlan com 59% das intenções de voto, contra 38% de Clécio. O resultado confirma uma vantagem que atravessou a campanha. No início de setembro, Furlan aparecia com 62%, contra 31% do governador.
Para o cientista político Bruno Soller, sócio do Real Time Big Data, a vantagem de Furlan deve ser lida também como um movimento de rejeição ao grupo que há décadas ocupa o centro da política amapaense. Na avaliação dele, o candidato conseguiu se apresentar como um nome de renovação e de enfrentamento à chamada “velha guarda” local.
Soller avalia ainda que Alcolumbre se tornou um dos principais articuladores desse grupo. Nesse cenário, uma vitória de Furlan representaria um revés para a estrutura política construída em torno do presidente do Senado no Amapá.
Furlan desafia grupo de Alcolumbre
O enfrentamento não começou nesta eleição. Antes de chegar à disputa pelo governo, Furlan derrotou Josiel Alcolumbre, irmão de Davi, no segundo turno da eleição municipal de Macapá em 2020. Agora, o ex-prefeito tenta repetir o movimento em escala estadual.
O desgaste de integrantes desse grupo já aparecia antes da reta final. Pesquisa AtlasIntel feita em março mostrava Furlan com 75% de imagem positiva, enquanto Clécio tinha 35%. Davi Alcolumbre registrava 26% de imagem positiva e 70% negativa. Waldez Góes aparecia com 17% de avaliação positiva e 73% negativa.
Na disputa pelo governo, o mesmo levantamento mostrava Furlan com 65,7%, contra 31% de Clécio. Além disso, 64,9% dos entrevistados afirmavam que o atual governador não merecia ser reeleito.
Alcolumbre se movimenta antes das urnas
A dois dias do primeiro turno, Alcolumbre fez em Brasília um movimento em torno de uma pauta de forte apelo popular. Na sexta-feira (2), publicou a ordem do dia da próxima terça-feira (6) tendo como único item a PEC que acaba com a escala 6x1.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) chamou atenção para o momento da publicação. Segundo ela, Alcolumbre não costuma divulgar às sextas-feiras a pauta da semana seguinte. Desta vez, além de antecipar a ordem do dia, escolheu uma proposta de interesse nacional.
A decisão ocorre depois de meses em que Alcolumbre foi pressionado a dar andamento à proposta. Em junho, o presidente do Senado defendia que o texto tramitasse “sem pressa” pelas comissões.
Em setembro, afirmou que a votação ocorreria somente depois das eleições. A PEC acabou aprovada na CCJ e, agora, chegará ao plenário dois dias depois do primeiro turno.
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