Lula quer volta de delegados cedidos à PF; atuação no STF gera tensão
Justificativa para trazer policiais de volta à PF não convenceu investigadores, que veem na medida tentativa de esvaziar delegados no STF
R7 Planalto|Natália MartinsOpens in new window e Amanda Almeida, do R7, em Brasília
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Sob argumento de turbinar o combate ao crime organizado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública o retorno de cerca de 150 policiais federais cedidos a outros órgãos aos seus cargos de origem. O documento, em fase final de elaboração, tem gerado preocupação em Brasília. O blog apurou que a justificativa do presidente não convenceu. Para investigadores, Lula mira delegados cedidos ao STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente os que atuam em investigações sensíveis sob supervisão de ministros da Corte.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, confirmou que já enviou o texto para a PF e aguarda os últimos detalhes para a publicação. O documento deverá listar nominalmente cada policial que terá de retornar aos quadros da Polícia Federal. A cautela na elaboração do documento ocorre porque alguns dos cedidos ocupam funções consideradas estratégicas, como o presidente do Coaf, o delegado federal Ricardo Saadi, cuja permanência não deve ser afetada.
Lula afirmou em discurso que pretende preencher todos os cargos da Polícia Federal até o fim do ano. Para isso, defendeu o retorno dos policiais cedidos, com exceção daqueles que ocupam secretarias estaduais. Segundo o presidente, “aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado”.
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Delegados no STF
Investigadores avaliam internamente que o discurso de Lula sobre reforçar o combate ao crime organizado não explica, por si só, a decisão. Para eles, a principal preocupação envolve delegados cedidos ao STF.
Para integrantes da PF, a medida tem como alvo principal um delegado específico que atua como assessor do ministro André Mendonça e auxilia nas investigações do caso Master e no inquérito sobre fraudes no INSS. Essa apuração investiga o envolvimento de Fábio Luiz Lula da Silva com o chamado Careca do INSS.
O delegado citado por investigadores ouvidos pelo blog é Thiago Marcantônio. Delegado de classe especial, ele atua há mais de 20 anos na Polícia Federal, onde já ocupou cargos de liderança e integrou a operação Lava Jato. Desde o ano passado, Marcantônio auxilia, no gabinete de Mendonça, duas das principais investigações supervisionadas pelo STF.
Segundo a Associação dos Delegados de Polícia Federal, atualmente 52 delegados estão cedidos a diferentes órgãos. Pelo menos três deles atuam no STF. Entre eles, está Fábio Shor, assessor do ministro Alexandre de Moraes desde março e responsável por investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
Fontes da Polícia Federal afirmam que a determinação pode representar um prejuízo estratégico para a própria corporação, ao retirar delegados que atuam em tribunais e em áreas consideradas importantes para a integração entre polícia e Judiciário. “Estamos nos perdendo no começo deste ano eleitoral”, afirmou, sob reserva, um delegado ouvido pelo blog. Na avaliação dele, a exigência de retorno “vai causar mais problema do que ajudar”.
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