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Empresa que atacava adversários do ex-prefeito de Macapá já teve contrato suspenso pela Justiça

M2 Comunicação LTDA foi alvo de decisão da Justiça em 2014, após manter contrato com a Assembleia Legislativa do Amapá

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A empresa M2 Comunicação LTDA, ligada ao ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, já teve um contrato suspenso pela Justiça em 2014 devido a irregularidades com a Assembleia Legislativa do Amapá.
  • A Polícia Federal investiga a Operação Palanque Digital, que apura crimes eleitorais e desvio de recursos públicos para autopromoção e ataques políticos, envolvendo ex-servidores de Furlan.
  • Marli Inês Rodrigues Mafalda, Carlos Alberto Fauro e Tarso Giovani Fauro são citados na investigação por alterar contratos para manter negócios ilegais com a Assembleia Legislativa.
  • Dr. Furlan, investigado por fraude em licitações, renunciou ao cargo de prefeito de Macapá para concorrer ao governo do Amapá, após ser afastado por decisão do STF.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Operação da PF que apura crimes eleitorais envolve ex-servidores do ex-prefeito de Macapá Rogério Lameira/Prefeitura de Macapá – Arquivo

A empresa M2 Comunicação LTDA que funcionava como o núcleo de comunicação do ex-prefeito de Macapá Antônio Paulo de Oliveira Furlan (PSD), conhecido como Dr. Furlan, foi alvo de decisão na Justiça em 2014. Nesta semana, ex-servidores vinculados a Furlan foram alvo da Operação Palanque Digital, da Polícia Federal, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá, Belém (PA) e Canela (RS).

A PF apura crimes eleitorais praticados por uma quadrilha suspeita de criar e operar uma rede digital de desinformação, autopromoção e ataques contra adversários políticos no Amapá. Um dos alvos foi Furlan, que é pré-candidato ao governo do estado nas eleições deste ano.

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A empresa citada como núcleo do esquema já foi alvo de decisões judiciais anteriores por improbidade administrativa. Em 2014, o Ministério Público do Amapá avaliou um contrato de R$ 1,5 milhão com a ALEAP (Assembleia Legislativa do Estado de Amapá) e entendeu que havia violação aos “princípios e aos dispositivos da Constituição Federal e da Lei de Licitações”.

Isso porque a empresa, que tinha contrato desde 2010 com a Assembleia, era conduzida por servidora, conhecida como Marli Inês Rodrigues Mafalda. Ela era dona do empreendimento com o marido, Carlos Alberto Fauro, mas o vínculo de Marli com a assembleia tornava o contrato proibido pela Lei de Licitações. Ela, contudo, “para dar aparência de legalidade na contratação de sua empresa, alterou seu contrato social”.

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Marli Inês foi substituída por Tarso Giovani Fauro, irmão de Carlos Alberto, mas continuou na administração da empresa, inclusive na condução do contrato, segundo apurou o Ministério Público na época.

Os três nomes voltam a aparecer no relatório da PF que o R7 Planalto teve acesso e que embasa a operação desta semana. Ao lado deles, estão o irmão do ex-prefeito Furlan, José Furlan Neto, e o então secretário de Gabinete do Executivo Local, José Ivo de Melo Souza. Também foi alvo de investigação da Polícia Federal o ex-secretário Municipal de Comunicação Social, Juarez Pantoja Menescal de Souza.

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A apuração da PF aponta que uma página de notícias era beneficiada com os recursos públicos e publicação de conteúdos ofensivos, conhecida como Bambam News. Outros portais são o Sales News e Portal 1Norte, vinculado a Rodrigo Ferreira Sales e Felipe Santos Paixão.

O R7 Planalto tentou contato com todos os citados. O espaço segue aberto para posicionamento.

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Entenda

As investigações revelam que o dinheiro destinado à comunicação pública da Prefeitura de Macapá teria sido desviado da finalidade original para pagar influenciadores digitais, bem como veículos e empresas de mídia, que divulgariam ações de caráter político-eleitoral do Executivo local.

A Polícia Federal apura a prática de delitos eleitorais e contra a Administração Pública; formação de organização criminosa; e lavagem de dinheiro.

Por meio de nota e vídeo publicados nas mídias sociais, Furlan disse repudiar “veementemente toda e qualquer prática ligada à criação ou disseminação de notícias falsas, ataques virtuais ou à organização de milícias digitais”.

“Pautamos nossa trajetória pública no respeito às instituições democráticas, no debate limpo de ideias e no trabalho sério pela população. Práticas que atentam contra a verdade e a ética não refletem os nossos valores e nunca terão espaço em nossas ações”, ressaltou.

O pré-candidato ao governo do Amapá acrescentou que “sem precedentes na história, profissionais da imprensa que criticam o atual modelo de gestão administrativa do estado foram alvo de busca e apreensão da Polícia Federal”, mas acredita que “a verdade prevalecerá”.

Ex-prefeito e vice afastados

Em março último, o então prefeito de Macapá, Dr. Furlan, renunciou ao mandato, após ser afastado do cargo por decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). O político afirmou, porém, que deixou a função para concorrer ao cargo de governador, em outubro.

Dr. Furlan e o então vice-prefeito da cidade, Mario Rocha Neto (Podemos) — também afastado pelo STF, por suspeitas de desvio de dinheiro público — são investigados pela PF. Desde a saída de ambos dos respectivos cargos, o presidente da Câmara de Vereadores da Macapá, Pedro dos Santos Martins (União Brasil), o Pedro DaLua, assumiu a função de prefeito interino.

Furlan é suspeito na Operação Paroxismo, que apura um possível esquema de fraude à licitação em um contrato firmado pela Secretaria Municipal de Saúde de Macapá, para construção do Hospital Geral Municipal da cidade.

Ao justificar o afastamento das funções públicas por ambos, o ministro Flávio Dino escreveu que “a permanência dos investigados nos cargos lhes assegura acesso a documentos, sistemas e bases de dados relevantes para a elucidação dos fatos, criando ambiente propício à supressão, manipulação ou ocultação de elementos probatórios”.

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