Pisa 2025: resultado do Brasil progride e fica mais próximo da média de países desenvolvidos
Em 20 anos, desempenho dos estudantes brasileiros melhorou, e distância diminuiu em relação aos números de 23 nações da OCDE
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Os estudantes brasileiros, na análise das últimas duas décadas, conseguiram avançar nas notas do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e chegar mais perto da média dos 23 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que aplicam esse exame desde o ano 2000. Os dados fazem parte dos resultados divulgados nesta terça-feira (8).
Além disso, na comparação com as nações integrantes da organização internacional e que registraram alta nos resultados de 2006 a 2025, o Brasil ficou na sétima colocação nos campos da Leitura e da Matemática; e na oitava, na área de Ciências.
Os dados mostram a educação brasileira mais próxima da realidade das nações consideradas desenvolvidas, segundo o MEC (Ministério da Educação).
A diferença de desempenho em relação à média dos 23 países da OCDE diminuiu nos últimos 20 anos: de 102 para 58 em Leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em Matemática (39 pontos) e de 113 para 77 em Ciências (36 pontos).
No Pisa 2025, o Brasil alcançou proficiência de 408 em Leitura, 377 em Matemática e 409 em Ciências. O exame avalia o conhecimento, as habilidades e a aprendizagem dos estudantes de 15 anos nas três áreas.
O Brasil também mostrou estabilidade e recuperação após a pandemia da Covid-19. Entre 2018 e 2025, o país recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em Ciências e registrou perdas menores que a média da OCDE em Leitura e Matemática.
No Brasil, a avaliação é aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), entidade vinculada ao Ministério da Educação.
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Foco em aprender
Os questionários aplicados informam, ainda, que os estudantes estão mais interessados em aprender, um efeito que o MEC também atribui à proibição de uso de celulares sem fins pedagógicos nas escolas.
Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam em escolas com restrições ao uso de celulares, percentual muito superior à média dos 23 países da OCDE considerados (49%) e mais do que o dobro do registrado no país em 2022 (37%).
Estudantes brasileiros também valorizam mais a escola do que a média da OCDE: apenas 16% consideram a escola uma perda de tempo, percentual 6,9 pontos menor que em 2022, e mais baixo que a média de países da OCDE, de 24%.
Entre os atributos observados nos estudantes estão curiosidade, perseverança e valorização da escola, associados a melhores resultados em Ciências.
Além disso, os estudantes brasileiros demonstraram forte engajamento com a agenda ambiental, superando a média da OCDE em confiança para agir pelo meio ambiente, crença na ação coletiva e interesse em contribuir para a sustentabilidade no futuro.
O que é avaliado no Pisa
O programa avalia o letramento em leitura, que retrata a capacidade do estudante de compreender, usar, avaliar textos e refletir sobre eles. Em matemática, busca-se a capacidade de raciocínio e de formular, empregar e interpretar a matemática para resolver problemas. Já o letramento em ciências foca a capacidade de se engajar em discussões fundamentadas sobre ciência, sustentabilidade e tecnologia para embasar ações.
A atual edição indica avanços na aplicação dos conhecimentos adquiridos na escola pelos estudantes do país na resolução de problemas reais do cotidiano.
O estudo envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. Para esta aplicação, o perfil dos participantes brasileiros do Pisa está disposto da seguinte forma:
- 72,4% são de escolas da rede estadual;
- 96,9% estudam em escolas em áreas urbanas;
- 78,1% são de escolas localizadas no interior;
- 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025.
Quem são os países da OCDE
Atualmente, a OCDE tem 38 países integrantes, mas o Pisa é aplicado em um número maior de nações. Para fazer parte da organização internacional, a nação candidata passa por uma avaliação técnica e precisa alinhar as leis e práticas econômicas aos padrões internacionais da entidade. Apesar de não ser membro, o Brasil é considerado um parceiro-chave dela.
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