Pé-de-Meia Licenciaturas eleva em 106% matrículas de futuros professores, diz ministro ao R7
Dado se refere a comparação do ano passado com 2024; programa foca na atratividade de estudantes com mais de 650 no Enem
Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window e Amanda Almeida, do R7, em Brasília
O número de estudantes em cursos de licenciatura nas universidades federais aumentou 106% desde 2024, segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini. Em entrevista ao R7, o ministro disse que crescimento é resultado, entre outros, do Pé-de-Meia Licenciatura, programa criado para atrair estudantes com bom desempenho para a formação de professores e estimular a permanência deles nos cursos.
“Essa questão da falta de interesse na licenciatura é um problema alastrado no mundo inteiro. O que queremos fazer é preservar aqueles que são vocacionados e têm um alto rendimento no Enem e trazê-los para dentro das universidades federais, dos institutos e instituições públicas”, afirmou Barchini.
O programa oferece uma bolsa de R$ 1.050 durante a graduação, com parte do valor destinada a uma poupança.
Segundo o ministro, antes do programa havia cerca de 5 mil estudantes de licenciaturas com esse perfil no Brasil. No ano passado, o número chegou a quase 9 mil e aumentou este ano. Barchini diz que a falta de interesse pela formação de professores é um problema que ocorre em diversos países e que o programa busca preservar estudantes que tenham vocação para a carreira.
Outra estratégia citada pelo ministro é o Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que conta com mais de 80 mil bolsistas em todo o país. Segundo ele, as duas iniciativas, em conjunto, atendem a uma demanda de cerca de 80% por novos professores.
Investimento em educação
Barchini também defendeu os investimentos em educação ao comentar um estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, segundo o qual o Pé-de-Meia, voltado ao ensino médio, pode gerar um benefício econômico de R$ 184 bilhões ao Brasil.
“Não existe investimento com maior retorno do que o investimento educacional. Isso é atestado por qualquer economista sério”, afirmou o ministro.
Segundo ele, é necessário mudar a forma como os recursos destinados à educação são encarados. “Quando se reclama que há um gasto excessivo educacional, a gente precisa primeiro não falar em gasto, falar em investimento e ver o retorno que ele traz.”
O ministro também afirmou que o governo estuda universalizar o Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio. Atualmente, segundo Barchini, cerca de 60% dos estudantes estão no programa, cujo custo chega a R$ 12 bilhões por ano. Para alcançar todos os estudantes, seriam necessários, de acordo com os cálculos apresentados por ele, mais R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões anuais.
Valorização dos professores
Questionado sobre a desmotivação dos professores, Barchini citou a criação do Piso Nacional dos Professores, em 2008. “Mas sabemos que precisamos avançar ainda mais”, confessou.
O ministro também defendeu a escola diante do que classificou como uma mudança na forma como parte da sociedade passou a enxergar a instituição nos últimos dez anos. Segundo Barchini, parte da sociedade identificada com a extrema-direita passou a adotar um discurso que “abomina a escola”.
“Uma extrema-direita que tem no ataque à instituição da escola como uma das suas principais bandeiras. Isso traz para a sociedade uma sensação de insegurança para o professor, que é muito nefasta”, disse.
Para Barchini, é necessário um movimento de defesa da escola que envolva governos e a comunidade educacional, mas também toda a sociedade. “Isso representa a proteção das nossas crianças. E elas estão hoje desprotegidas quando não estão na escola.”
Alfabetização
Na alfabetização de crianças, Barchini afirmou que o Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas até os oito anos no ano passado. A meta é alcançar 80% até 2030, mas o ministro disse acreditar que o objetivo poderá ser antecipado.
“A gente acredita que vai antecipar essa meta. O presidente Lula nos cobra, ele quer 100%”, afirmou.
Segundo Barchini, o avanço foi possível a partir da retomada da coordenação federativa do MEC por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Como o ministério não atua diretamente na ponta, a articulação permitiu, segundo ele, que estados adotassem políticas de alfabetização compatíveis com os desafios do país.
Foco na aprendizagem e no ensino em tempo integral
Para os próximos anos, Barchini apontou a melhoria da aprendizagem como o principal objetivo da educação brasileira. Segundo ele, o país avançou em acesso e trajetória escolar, mas agora precisa concentrar esforços na aprendizagem com equidade.
“A gente teve, nos últimos 20 anos, especialmente por conta da criação do Fundeb, uma garantia de financiamento inédita na educação brasileira”, afirmou.
Uma das estratégias apontadas pelo ministro é ampliar o tempo de permanência dos estudantes na escola por meio da educação em tempo integral.
O Plano Nacional de Educação estabelece a meta de chegar a 50% das matrículas em tempo integral em dez anos, até 2036. Barchini afirmou, porém, que o ministério pretende alcançar um percentual maior, entre 60% e 65%.
Segundo ele, cerca de 25% das matrículas são em tempo integral. A intenção é elevar esse percentual para até 60% nos próximos quatro anos.
“É uma meta muito ousada. Mas vamos fazer todo o esforço para que essa meta do Plano Nacional de Educação seja antecipada”, afirmou.
Para o ministro, a ampliação do tempo na escola não deve se limitar ao aumento das horas de aula. “Não basta só expandir o tempo, você precisa, na verdade, revolucionar a escola também, para garantir que esses jovens fiquem o dia inteiro e, de fato, isso se transforme em aprendizagem.”
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