O desafio de Lula: convencer ex-adversários a apoiá-lo ou a se manterem neutros
Presidente precisa garantir transferência de votos de candidatos rivais ou, pelo menos, mantê-los longe de um possível apoio a Flávio
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um desafio pela frente: convencer os ex-adversários a apoiá-lo ou garantir que se mantenham neutros na disputa pelo segundo turno, que será travada com Flávio Bolsonaro (PL). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro saiu na frente no primeiro turno, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula, às 23h50 de domingo (4), quando 99,99% das urnas estavam fechadas.
Segundo fontes da campanha do presidente, uma das alternativas é mirar principalmente em um possível apoio de Augusto Cury (Avante). A estratégia é conquistar o eleitor do psiquiatra ou, pelo menos, mantê-lo neutro no segundo turno.
Com os demais concorrentes, o processo será mais complicado, mas o partido não vai descartar tentativas de diálogo em uma disputa tão acirrada. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), por exemplo, devem ser mais difíceis de convencer a apoiar o petista. A campanha de Lula deve trabalhar, então, para impedir que eles se aliem a Flávio.
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Renan Santos (Missão) pode se aliar ao presidente, mas fez uma campanha pautada em atacar ambos os lados, e pode preferir pela neutralidade, o que ainda seria um ganho para Lula, no atual cenário.
A campanha ainda conta com o possível impacto do pagamento da primeira parcela do reajuste do Bolsa Família, que deixou de R$ 600 para R$ 691 e será feito em 19 de outubro.
Reunião de estratégia
A primeira reunião da campanha para discutir as estratégias para o segundo turno será nesta segunda-feira (5), na sede do PT, em Brasília.
Éden Valadares, secretário Nacional de Comunicação do PT e membro da coordenação da campanha Lula Presidente, disse que a eleição está em aberto.
“A comparação entre as duas biografias é incontornável. Ouso dizer que vamos fazer história: pela primeira vez, um candidato que sai em segundo lugar no primeiro turno será o vencedor no segundo turno”, garantiu.
Segundo ele, as crises no Poder Judiciário e do Banco Master e Daniel Vorcaro “deixaram um pouco bagunçada a percepção pública sobre quem quer que investigue tudo, como quer o presidente Lula, e quem quer se eleger justamente para não ser investigado, que é o caso de Flávio Bolsonaro”.
“Então, essa comparação é inescapável nesse segundo turno”, completou.
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