Alvo da Justiça, Paes tem histórico de processos por corrupção

Ex-prefeito é suspeito de fraudes na construção no Complexo de Deodoro e desvios na concessão da Linha Amarela. Ex-secretários são investigados

Paes virou réu hoje por corrupção e lavagem de dinheiro

Paes virou réu hoje por corrupção e lavagem de dinheiro

Fernando Frazão/Agência Brasil - 01.01.2017

Eduardo Paes foi denunciado e se tornou réu, nesta terça-feira (8), pelos crimes de corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Essa, porém, não é a primeira vez que Paes tem problemas com a Justiça.

O ex-prefeito já tem um histórico de processos e denúncias de corrupção, relacionados com sua gestão no município.

Em uma ação do MPF (Ministério Público Federal), Paes é investigado por envolvimento em um esquema milionário de fraudes na construção do Complexo Esportivo de Deodoro, um dos palcos dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo a Procuradoria, o ex-prefeito é suspeito de direcionar a licitação da obra em Deodoro, no valor de R$ 647 milhões, para favorecer um consórcio de fachada formado pelas construtoras Queiroz Galvão e OAS.

Paes também teve seu nome envolvido em um suposto esquema de pagamento de propina para estender a concessão da Linha Amarela por mais 15 anos à empresa Lamsa. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) analisa um pedido da Prefeitura para suspender o contrato, enquanto as investigações sobre o caso não são concluídas.

O pedido foi feito pela Procuradoria Geral do Município, com base em reportagens exibidas no Jornal da Record. Um engenheiro da prefeitura na época confirmou que dinheiro vivo, pago pelo município e desviado das obras superfaturadas, era entregue a agentes públicos e usado em campanha eleitorais, entre elas, a de Eduardo Paes.

Uma auditoria, encaminhada ao MPF, confirmou que pelo menos R$ 148 milhões foram desviados no esquema. Uma verba que pesa no pedágio cobrado na Linha Amarela.

Além do ex-prefeito, secretários que atuaram em sua gestão também são investigados. Alexandre Pinto, ex-secretário de Obras, foi condenado a sete anos de prisão por crimes de corrupção passiva. Ele é acusado de participar de um esquema que desviou cerca de R$ 36 milhões em obras da Transcarioca e de Recuperação da Bacia de Jacarepaguá. Segundo a Procuradoria, a propina era paga por meio de contratos acordados entre empreiteiras e o governo municipal carioca.

Já o ex-secretário de Saúde Daniel Soranz está na mira do Ministério Público, suspeito de facilitar a vigência de contrato com empresas suspeitas de causar mais de R$ 6 milhões de prejuízos à Prefeitura do Rio.

A denúncia se refere a contratos de capacitação técnica de médicos. Os convênios foram assinados em 2014 e em 2015, durante a gestão de Eduardo Paes, entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Fundação Bio Rio.

Paes também teve relações próximas com o ex-governador Sérgio Cabral, que também coleciona denúncias e condenações desde 2016, quando foi preso pela primeira vez. Apesar de negar a relação, o ex-prefeito foi desmentido por Marco Antônio Cabral, filho de Sergio, que usou as redes sociais para lembrar que Paes usava o helicóptero oficial do governo estadual e frequentava festas na antiga mansão da família, em Mangaratiba.

No final de agosto, Cabral foi condenado por corrupção pela 14ª vez na operação Lava Jato. Ele foi sentenciado a cumprir mais 11 anos e 10 meses de reclusão pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, na operação C'est Fini. Somadas, as penas aplicadas ultrapassam 294 anos de prisão.

De acordo com a denúncia, o ex-governador do Rio estabeleceu uma taxa de 5% em todos os contratos celebrados com o governo do Estado desde que assumiu o mandato. Além de Cabral, outras duas pessoas também foram condenadas na mesma ação.