Logo R7.com
RecordPlus

Após morte de Marielle, Câmara retoma debate sobre intervenção

Comissão que acompanha intervenção se reúne para cobrar planejamento. Segundo parlamentares, Marielle tinha legitimidade para debater tema

Rio de Janeiro|Fabíola Perez, enviada especial do R7 ao Rio de Janeiro

  • Google News
Gabinete da vereadora Marielle permaneceu fechado até quarta-feira (21)
Gabinete da vereadora Marielle permaneceu fechado até quarta-feira (21)

Uma semana após a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Pedro Gomes, a Comissão de Acompanhamento da Intervenção Militar da Câmara Municipal do Rio de Janeiro voltou a fazer reuniões para discutir os rumos da medida. A vereadora assassinada integrava o grupo de quatro relatores que formavam a Comissão. “Ninguém tinha tanta legitimidade para falar sobre favela e intervenção militar”, diz Tarcísio Motta, vereador do PSOL. “Nenhum de nós tem essa experiência de vida.”

Nas manifestações em homenagem a Anderson e Marielle, uma das mensagens recorrente era a crítica à intervenção militar. A primeira reunião da Comissão que fiscaliza a política teve como objetivo, segundo o vereador e presidente Carlo Caiado (DEM), conhecer o processo de intervenção. O segundo encontro cobrou a presença do prefeito do Rio de Janeiro entre as autoridades para debater a intervenção.


'Estou desistindo da humanidade', diz irmã de Marielle sobre boatos

Por fim, a terceira reunião, na noite da quarta-feira (22), uma semana depois da morte de Marielle, ocorreu junto ao Comandante Geral da Polícia Militar, Luis Claudio Laviano. No encontro, o comandante da PM e ex-Bope afirmou que apresentou um documento ao interventor federal Walter Braga Netto no qual teria informado as necessidades da Polícia Militar em relação à infraestrutura e ao déficit de policiais.


‘O tempo da investigação não é o tempo da nossa angústia’, diz Freixo

A Comissão de Acompanhamento da Intervenção Militar era uma das quais Marielle participava na Câmara. Seu trabalho mais emblemático, porém, era na Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres. Sempre que precisava se posicionar no plenário, diz Motta, Marielle se mostrava firme para combater qualquer manifestação machista. “Quando falavam para ela ‘palavra de homem’, ela respondia: se fosse palavra de mulher não valia?”


Dia a dia na Câmara

Marielle Franco atuava na Comissão de Defesa das Mulheres
Marielle Franco atuava na Comissão de Defesa das Mulheres

No período da manhã, era difícil encontrar Marielle no gabinete 903. “Ela tinha uma agenda muito intensa, nesse horário costumava ir à eventos de mulheres”, diz Motta. “Ela costumava chegar próximo do horário do almoço, pedia comida no próprio gabinete e por volta das 16h acompanhava as votações.”


“Marielle estava sempre na linha de frente dos policiais”, diz amigo

A grande maioria dos gabinetes da Câmara possuem uma equipe de 20 pessoas. Com a ajuda desses assessores, ela trabalhava no atendimento às mulheres - trabalho que também desenvolveu quando era coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeirio. “Ela trabalhava na elaboração de campanhas contra o assédio sexual, em situações de violência contra a mulher, entre outras”, diz Motta.

Considerada uma parlamentar ativa, Marielle passou a se destacar com o passar dos meses à frente do cargo. “Em todos os projetos ela chamava movimentos sociais para discutir as propostas com eles. Ela construía as proposições ouvindo as pessoas atingidas”, diz o parlamentar. Na tarde do dia 14, a última sessão que Marielle participou no plenário abordava a mudança na taxa de iluminação pública. “No dia da morte dela estávamos discutindo o projeto.”

Marielle ofereceu ajuda a dezenas de famílias de policiais no RJ

Segundo o vereador, ela era conhecia pelo sorriso fácil e pelos discursos fortes. "Ela chamava a atenção de qualquer colega que falasse com preconceito", diz ele. “Ela era muito firme. Quando ia para o microfone defender os direitos humanos, não negociava”, afirma. De acordo com o PSOL, o suplente de Marielle, João Batista Oliveira de Araújo, mais conhecido como Babá, deve ser convocado para assumir o cargo na próxima semana.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.