Logo R7.com
RecordPlus

Banda de mascarados “vandaliza” hits com letras de protesto

Los Vânda faz paródias de canções famosas com críticas a políticos

Rio de Janeiro|Do R7

  • Google News
Banda faz vídeos com letras "vandalizadas" de músicas populares; versão de Tim Maia já foi vista mais de 11 mil vezes
Banda faz vídeos com letras "vandalizadas" de músicas populares; versão de Tim Maia já foi vista mais de 11 mil vezes

Os investimentos para a Copa do Mundo, remoções, a situação precária dos serviços públicos... Esses são os elementos que inspiram os integrantes do Los Vânda a criarem suas paródias. A banda carioca foi formada no ano passado, em meio à onda de protestos que atingiu o País. Com a ideia inicial de criar um bloco ou roda de samba no “espírito esculhambativo do Carnaval”, os músicos transformaram o sentimento de revolta em uma banda de rock.

Definida como uma banda de “vandalirismo”, o Los Vânda criam versões de músicas famosas com letras que expressam insatisfação em relação aos governantes. Segundo eles, a ideia de “vandalizar” músicas como A Paz, de Gilberto Gil, Os Alquimistas Estão Chegando, de Jorge Ben Jor, surge de forma espontânea.


— Os temas são os que achamos que merecem ser vandalizados. As canções são as que vêm à nossa cabeça, que podem ter palavras que soem parecidas com outras que queremos dizer. Seguimos os preceitos acadêmicos de tudo o que é ensinado nas Universidades Federais de Paródia Musical Esculhambatória, onde não nos formamos com mérito algum.

As versões vandalizadas são publicadas no canal do grupo no YouTube. O vídeo Do Paes ao Cabral – versão de Do Leme ao Pontal, de Tim Maia – contava com mais de 11.500 visualizações no site de vídeos até a tarde de sexta-feira (14). Nos vídeos, eles aparecem mascarados, já que o que importa são as mensagens e não quem eles são.


— Uma ideia é julgada de maior ou menor importância dependendo do quão famoso, bonito ou "formador de opinião" é o indivíduo que a teve. Decidimos que, no nosso caso, não importa quem somos. Os vídeos, as músicas, falam por si.

O grupo diz que já participou de manifestações, mas sem máscaras.


— Havia parte de nós tanto nas grandes passeatas quanto na porta de delegacias fazendo pressão para libertarem jornalistas ou membros da Mídia Ninja. De qualquer forma, todos nós conhecemos bem o cheiro do gás lacrimogêneo e seus efeitos.

Apesar de serem contra a violência nos protestos, os integrantes dizem acreditar que a revolta do Black Bloc seria gerada pelo “massacre do poder público contra os cidadãos”. E que não concordam com o uso da violência.


— Somos contra qualquer tipo de violência, inclusive aquela cometida há décadas pelo Estado contra o povo, ao vandalismo que os políticos praticam diariamente desviando verbas e matando pessoas nas filas de hospitais, negando acesso à educação pública de qualidade e espremendo os trabalhadores em transportes públicos horrorosos. Esse massacre do poder público contra os cidadãos acabou por gerar uma revolta que culminou nas lamentáveis ações dos black blocs, cujos atos violentos não vemos com nenhuma simpatia.

Apesar da boa repercussão na internet, o grupo diz que pensa em fazer shows, mas que não está "quebrando a cabeça” para promover alguma apresentação.

— Se nos chamarem e houver algum tipo de estrutura mínima de som pra tocarmos, e nossa agenda de trabalhadores permitir, ficaremos felizes em tocar, em dividir no contato ao vivo essas questões, em promover uma catarse e uma bagaceira ao mesmo tempo.

Colaborou PH Rosa, do R7 Rio

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.