Logo R7.com
RecordPlus

Batalhão de Choque contém protesto após morte de idoso em favela com UPP; PM é suspeito

Moradores do Complexo de Manguinhos interditaram a av. Leopoldo Bulhões à noite

Rio de Janeiro|Do R7

  • Google News
Os manifestantes fecharam a avenida Leopoldo Bulhões, em frente ao complexo de Manguinhos
Os manifestantes fecharam a avenida Leopoldo Bulhões, em frente ao complexo de Manguinhos

Moradores do complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio, interditaram a avenida Leopoldo Bulhões, em frente ao conjunto de favelas, no fim da tarde desta quinta-feira (19). O objetivo era protestar pela morte de José Joaquim Santana, de 81 anos, atingido por um tiro dentro de casa na comunidade do Mandela. O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi acionado e encerrou a manifestação.

Por volta das 20h15, a avenida foi liberada para o tráfego de veículos. Os integrantes do protesto chegaram a colocar fogo em lixo no meio da via para impedir a passagem dos carros.


Um policial militar da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Arara/Mandela é o principal suspeito pela morte do idoso. Ele assumiu que atirou para o alto ao tentar conter um protesto na favela na noite de quarta-feira (18). José Joaquim foi atingido quando estava na sacada da casa dele, observando a confusão na rua.

O corpo permanece no IML. O enterro deve ser confirmado para esta sexta-feira (20) no cemitério do Caju, às 14h.


Arma apreendida

O capitão Paulo Ramos, comandante da UPP, disponibilizou a arma do PM para que uma perícia possa identificar se foi dela que partiu o disparo que matou a vítima. Segundo moradores, o tumulto teve início após policiais da UPP tentarem apreender um menor de idade na entrada da favela. Os moradores teriam pedido que os agentes esperassem a mãe do adolescente chegar antes de ele ser encaminhado para a delegacia.


De acordo com os moradores, houve confusão e um policial atirou para o alto para dispersar o grupo. Um dos disparos teria atingido o idoso. O corpo de José Santana foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) por volta das 2h.

Já a PM diz que a ação começou quando os agentes abordaram três suspeitos em uma região conhecida como Predinhos. Após revista, policiais encontraram uma quantidade não contabilizada de maconha com um dos suspeitos. Enquanto o homem era encaminhado para a viatura, moradores teriam jogado pedras contra os policiais da UPP para impedir a ação.


A corporação informou que, durante a confusão, os agentes utilizaram gás de pimenta para conter a ação dos moradores que continuavam atirando pedras e caminhando na direção da avenida Leopoldo Bulhões. Os policiais ouviram tiros e, em seguida, encontraram o idoso com um tiro na cabeça.

De acordo com a polícia, um procedimento foi aberto pelo comando da UPP Arará/Mandela para investigar a origem dos disparos. Durante o confronto, quatro policiais tiveram ferimentos leves, foram socorridos e passam bem.

Após a morte, moradores fizeram um protesto na avenida Leopoldo Bulhões. O policiamento foi reforçado na comunidade com efetivo de diversas UPPs da região. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH). Testemunhas e e PMs foram ouvidos.

Cinco anos de UPP

Fincado na promessa de segurança, cidadania e inclusão social, o projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) completa cinco anos nesta quinta-feira (19). Segundo o governo do Rio de Janeiro, são 252 territórios tomados das mãos do tráfico de drogas, 1,5 milhão de pessoas beneficiadas — em uma área de quase 9.500.000 m² — e mais de 9.000 policiais militares escalados para manter a paz onde o crime ditou regras por décadas. O número de homicídios, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública), caiu 30% na capital e 65% nas regiões pacificadas. As 36 unidades já instaladas, porém, não se alimentam só de boas notícias. Na contramão das promessas de paz, episódios mancharam a era das UPPs.

Para marcar os cinco anos da política de pacificação, o R7 levantou cinco questões-chave para serem discutidas por especialistas em segurança pública e pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.