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Caso Amarildo: MP vai denunciar 10 PMs por tortura e morte até terça

Investigação aponta que pedreiro foi torturado para dar informações sobre o tráfico

Rio de Janeiro|Do R7

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MP vai denunciar 10 PMs por tortura e morte de Amarildo até terça (8)
MP vai denunciar 10 PMs por tortura e morte de Amarildo até terça (8)

O promotor Homero das Neves deve denunciar à Justiça dez PMs por torturar até a morte o pedreiro Amarildo de Souza. A denúncia deve ser apresentada até a próxima terça-feira (8), segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro. De acordo com Neves, os PMs serão acusados de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual.

Relatório da Polícia Civil apresentado na quarta (2) pede a prisão preventiva dos dez PMs, entre eles dois oficiais, um tenente e um major. Segundo o documento, fruto de investigação da Divisão de Homicídio, a prática de tortura era costumeira por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha. O relatório da polícia tem 180 páginas e o inquérito, quase 2 mil.

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Em entrevista nesta quarta, o delegado Rivaldo Barbosa disse que não havia marcas de sangue em contêineres da UPP. Ele não revelou onde foi feita a suposta tortura a Amarildo.

Entre os dez indiciados, estão o major Edson Santos, comandante da UPP quando Amarildo sumiu, e os PMs Douglas Roberto Vital Machado, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Marlon Campos Reis e Victor Vinícius Pereira da Silva.

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Em depoimentos ao longo do inquérito, todos negaram envolvimento no sumiço do pedreiro. Eles afirmaram ter liberado Amarildo após constatar que ele não era procurado pela Justiça. Nem a Polícia Civil nem a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio tinham revelado os nomes de todos os acusados até o final da noite.

Amarildo desapareceu na favela em 14 de julho passado, depois de detido por PMs da UPP local. O sumiço virou palavra de ordem em passeatas ocorridas em todo o País. Artistas como o cantor Caetano Veloso e o ator Wagner Moura foram a público cobrar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), esclarecimentos sobre o destino do pedreiro. Manifestantes perguntavam em coro, durante protestos na frente do prédio de Cabral, no Leblon, zona sul: "Cadê Amarildo?".

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Traficante

O relatório do delegado da Divisão de Homicídios foi finalizado após duas testemunhas acusarem o major Edson Santos de tentar corrompê-las para acusar o traficante Thiago Neris, o Catatau, pela morte de Amarildo. Santos, transferido do comando da UPP para o Bope (Batalhão de Operações Especiais) após a repercussão da ação policial, afirmou que as acusações são falsas.

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Até esses dois depoimentos, Barbosa considerava ainda não ter indícios capazes de levar ao indiciamento dos PMs. Os depoimentos das duas testemunhas - mãe e filho de 16 anos, moradores na Rocinha - ocorreram praticamente por acaso. Em 25 de maio, o garoto foi ferido por um tiro de fuzil ao tentar fugir de PMs da UPP, que o acusavam de ligação com o tráfico. Levado à 15ª DP, ele contou ao delegado Orlando Zaccone que havia acusado Catatau porque Santos lhe oferecera R$ 500 mensais para ele e a mãe.

Procurada pelo R7, a assessoria da PM não informou a posição da corporação sobre os policiais acusados e, em nota, disse que "a Polícia Militar respeita a decisão do inquérito realizado pela Delegacia de Homicídios". A entidade também afirmou que vai aguardar decisão da Justiça.

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