Caso Henry Borel: babá relata sinais de sofrimento do menino e tentativa de alinhar depoimentos
Thayná de Oliveira contou que Henry escondia o que acontecia e disse ter sido instruída por advogados de Jairinho após a morte
Rio de Janeiro|Do R7
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O depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira marcou o início do sétimo dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel.
A babá de Henry afirmou que viu o menino sentir dores e mancar após episódios em que ficou sozinho com o padrasto em um quarto fechado. Ela também relatou ter sido orientada, após a morte da criança, sobre o que deveria dizer à imprensa e à polícia.
Ao longo do depoimento, Thayná afirmou ter presenciado três ocasiões em que Jairinho levou Henry para um quarto, fechou a porta e permaneceu sozinho com a criança. Segundo ela, os episódios ocorreram sempre na ausência de Monique.
De acordo com Thayná, em um desses episódios, após sair do quarto, Henry estava mancando e, mais tarde, reclamou de dores na cabeça.
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A babá disse que as situações chamaram sua atenção porque o comportamento do menino mudava após os momentos a sós com o padrasto. Segundo ela, Henry ficava calado, retraído e evitava explicar o que havia acontecido.
Quando questionado, o garoto costumava dizer apenas que havia caído da cama ou levado uma “banda”.
Thayná também declarou que relatou todas as situações a Monique, tanto por mensagens quanto pessoalmente, quando a mãe retornava para casa.
Pressão após morte do menino
Segundo a babá, no dia seguinte ao enterro da criança, ela e a empregada doméstica da família foram levadas por um assessor de Jairinho a um escritório de advocacia.
No local, afirmou ter encontrado Monique, advogados e assessores ligados ao ex-vereador. De acordo com a babá, a reunião teve como objetivo orientá-la sobre o que deveria dizer a uma jornalista e posteriormente à polícia.
Segundo seu relato, a orientação era reforçar que Jairinho e Monique mantinham uma boa convivência. Thayná também afirmou que Monique pediu que ela apagasse as mensagens trocadas entre as duas pelo celular.
Durante o interrogatório das defesas, a babá foi questionada sobre o motivo de não ter procurado a polícia mesmo desconfiando que Henry pudesse estar sofrendo agressões. Ela respondeu que sentia medo e que nunca presenciou diretamente qualquer ato de violência.
O caso
Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho espancou até a morte o menino Henry, enquanto a mãe, Monique Medeiros, se omitiu da responsabilidade, o que levou ao homicídio.
De acordo com o Ministério Público, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo tinha submetido o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência.
Jairo é acusado de homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima; três torturas praticadas contra criança; fraude processual; coação no curso do processo, entre outros crimes.
Monique responde por sete crimes, entre eles homicídio por omissão qualificado e omissão.
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