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Com água esverdeada, complexo lagunar da Barra é ameaçado pela poluição

Lançamento de esgoto nas lagoas provoca superproliferação de cianobactérias, diz biólogo

Rio de Janeiro|Do R7*

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Cianobactéria provoca coloração esverdeada nas águas da lagoa de Jacarepaguá
Cianobactéria provoca coloração esverdeada nas águas da lagoa de Jacarepaguá

O tom esverdeado e opaco da água da Lagoa de Jacarepaguá podia ser visto ao longe por quem passava pelas avenidas Salvador Allende e Embaixador Abelardo Bueno, na zona oeste do Rio. Além da nova composição da paleta de cores da paisagem as pessoas podiam sentir também o forte cheiro desagradável que o curso d'água exalava. O fenômeno é observado na região desde os anos finais do século passado, segundo o biólogo Mario Moscatelli, que explica que ele é causado pelo derramamento de esgoto, que fornece matéria orgânica para as cianobactérias, que também são beneficiadas pelas condições climáticas dessa época do ano, quando são registradas altas temperaturas e há maior incidência de iluminação solar.

Na última segunda-feira (30) o pesquisador sobrevoou a região e fez algumas filmagens aéreas da lagoa, nas quais pode-se observar a mancha verde que toma conta da água. Ele explica que o governo do Estado juntamente com o ex-prefeito Eduardo Paes haviam se comprometido de instalar unidades de tratamento de água e esgoto ao longo dos rios que desaguavam na baixada de Jacarepaguá, para que o complexo lagunar da Barra da Tijuca estivesse despoluído antes da realização dos Jogos de 2016 na cidade. No entanto, devido à demora da aprovação do orçamento pelos Ministérios Públicos do Estado e da União, o dinheiro que era direcionado para o projeto foi aplicado em outras obras, assim como, para pagamento de pessoal. O Inea (Instituto Estadual do Ambiente) declarou por meio de nota que as obras estão suspensas devido à crise vivida pelo governo estadual.


Dessa forma, a água verde se espalha pelo complexo de lagoas da região e está atingindo inclusive a praia da Barra, conforme o biólogo disse em entrevista o R7. A ingestão da toxina produzida pela bactéria presente na água pode provocar doenças graves como câncer.

— Hoje mesmo passei pela região ali entre o quebra mar e o Pepê e vi várias pessoas nadando na lama verde. O contato com a miscrocistina, toxina produzida pelas cianobactérias, é muito danoso a nós. Se a ingerirmos, nosso organismo não apresenta mecanismos de defesa que a elimina de nosso corpo e pode causar sérios problemas no fígado, inclusive câncer.


Questionados sobre as medidas adotadas pelo Estado para evitar que os banhistas tenham contato com a água contaminada nas praias, a SEA (Secretaria do Estado de Ambiente) declarou que as praias dos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói são analisadas duas vezes por semana e os boletins são publicados todas as terças e sextas no portal do Inea.

O pesquisador declarou ainda, que alguns animais foram encontrados mortos nas margens da lagoa.


— Eles não tinham marcas de tiro ou coisa parecida, o que nos leva a crer que eles foram intoxicados pela água.

Moscatelli ainda alerta para o risco de comer peixes da lagoa.


— Ao ingerir o alimento contaminado estamos engolindo também a toxina da cianobactéria, que é prejudicial à saúde humana.

Perguntada sobre a situação da fauna local, a SEA não esclareceu se está sendo realizado alguma ação para poupar os animais ainda vivos.

*Colaborou Samuel Costa, do R7 Rio

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